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Dois diplomatas Belgas em Portugal

Envolvidos na consolidação da Monarquia Constitucional

 

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General Goblet, Conde de Alviella

Jean-Sylvain Van de Weyer (1802 – 1874) e o General Albert Joseph Goblet d’Alviella (1790 – 1873) que se distinguiram como estadistas e diplomatas do reino da Bélgica, foram chamados pelo rei Leopoldo I dos Belgas a desempenhar delicadas missões diplomáticas em Portugal entre os anos de 1836-1838, no dealbar da implantação da monarquia constitucional. E pelo seu desempenho vieram a ser agraciados com mercês régias pela jovem Rainha D. Maria II.

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Sylvain Van De Weyer

Van De Weyer, aderente desde a primeira hora da revolução Belga contra a integração no reino dos Países-Baixos, em Setembro 1830, fez parte do Governo Provisório e enviado a Londres, em missões diplomáticas. Proclamada a independência a 4 de Outubro de 1830 e expulsos os Holandeses, foi adoptada a monarquia constitucional sendo o conflito aberto submetido à arbitragem de uma Conferência Internacional em Londres. O Congresso Belga reunido em 4 de Outubro de 1831 elege o Príncipe Leopoldo de Saxe-Coburgo-Gotha, rei dos Belgas o qual, em 21 de Julho, presta juramento. Leopoldo I nomeia-o Enviado Extraordinário à Corte de St. James.

O General Albert Joseph Goblet, com uma brilhante carreira militar, foi Oficial de Engenharia no Exército Imperial Francês, combatente na Guerra Peninsular – no ‘Exército de Portugal’, sob o comando do Marechal Marmont (1812), na Batalha de Vitória, que lhe valeu a Legião de Honra, na defesa de San Sebastian (1812-1814) e Orthez -, passou ao serviço do Exército Neerlandês, em Janeiro de 1815, tendo participado com bravura na Batalha de Waterloo, o que lhe valeu ser condecorado com o grau de Cavaleiro de Ordem de Guilherme, em Agosto de 1815. Aquando da revolução Belga em 1830 aderiu ao movimento revolucionário tendo sido nomeado Coronel pelo Governo Provisório. Entre 1831 e 1833 foi sucessivamente Ministro da Guerra e Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo Belga, além de ter desempenhado missões diplomáticas na Conferência de Londres. Em 1835 foi promovido a Tenente-General. Foi também Ajudante-de-Campo do Rei Leopoldo I de 1831-1854 e desempenhou também importantes missões diplomáticas como Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário às Cortes de Saxe e Hannover, de Saxe-Coburgo-Gotha, de Saxe-Altenburgo, de Saxe-Weimar, de Mecklembourg e de Oldenbourg e às Cidades Livres de Bremen, de Lubeck e de Hamburgo, no período de 1839-1854.

A guerra civil que devastou Portugal desde 1828 terminara em 27 de maio de 1834 com a assinatura da Convenção de Évora-Monte que determinou o exílio de D. Miguel e permitiu a entronização da rainha D. Maria II, de apenas 15 anos de idade, dando início ao regime liberal.

Durante a guerra civil, em 1832 e 1834, também a Bélgica de Leopoldo I, apoiou a causa Liberal permitindo o recrutamento de tropas que haviam combatido na guerra de independência da Bélgica, levando à constituição do chamado Batalhão de Ostende, e mais tarde, do Corpo de Atiradores Belgas (ou Legião Belga), sob o comando do Major Pierre Joseph Le Charlier[i].

Para o sucesso dos Liberais muito contribuíram as mudanças políticas que ocorreram na Inglaterra e em França em 1830, com a subida ao poder dos Whigs com o Governo de Earl Grey tendo Palmerston como Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, e a Revolução de Julho que acarretou a deposição de Carlos X e a proclamação de Luís Filipe, duque de Orléans, como rei dos Franceses.

Com efeito, em 22 de Abril de 1834, a Inglaterra e a França assinavam o Tratado da Quádrupla Aliança com os governos do Regente D. Pedro, duque de Bragança e de D. Maria Cristina de Bourbon Duas-Sicílias, viúva de Fernando VII e Rainha Regente de Espanha, visando assegurar e garantir a continuidade dos regimes liberais nas monarquias ibéricas.

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Rainha D. Maria II

Durante os dois primeiros anos do reinado de D. Maria II sucederam-se os governos presididos – sucessivamente o Duque de Palmela, o Duque de Saldanha, o Coronel José Jorge Loureiro e o Duque da Terceira – e constituídos pela ala mais conservadora do Liberalismo – os amigos de D. Pedro ou Devoristas – tendo como principais objectivos casar a Rainha, prosseguir e implementar as reformas de D. Pedro, tirar o país do caos provocado pela guerra civil e pelo desmantelamento das instituições do antigo regime, tudo dificultado pela grave crise económica e financeira em que Portugal estava mergulhado. Dificuldades acrescidas pela pressão da ala mais radical do liberalismo que tendo vencido a guerra civil pretendiam vingança contra os partidários de D. Miguel e participação na distribuição dos «despojos», essencialmente na venda dos «bens nacionais».

Para a consolidação do regime urgia assim casar a rainha, tendo inicialmente sido escolhido por D. Pedro, o príncipe Augusto de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg e Príncipe de Eichstätt. Porém, o casamento ocorrido em Janeiro de 1835 teve curta duração, já que o Príncipe faleceria subitamente em Março desse ano.

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Príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha

A escolha de um novo noivo viria a recair no Príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, sobrinho de Ernesto I, Duque de Saxe-Coburgo-Gotha. Isto ter-se-á ficado muito a dever à influência de seus tios o rei Leopoldo I da Bélgica e da Princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, duquesa de Kent e mãe da Princesa Vitória de Kent, futura Rainha Vitória da Grã-Bretanha.

O casamento por procuração ocorreu em Coburgo em 1 de Janeiro de 1835, sendo a rainha representada pelo Embaixador Francisco de Almeida Portugal, conde Lavradio. D. Fernando chegaria a Lisboa a 8 de Abril de 1836, tendo-se a cerimónia de casamento em pessoa realizado no dia 9.

Fernando fez-se acompanhar pelo médico Frederico Kessler, do seu preceptor – o teólogo Karl Dietz e de Sylvain Van de Weyer, Embaixador do rei dos Belgas em Londres, escolhido pelo rei Leopoldo como «mentor» do jovem príncipe.

O Embaixador Jean Sylvain van de Weyer ao chegar a Portugal sabia bem a delicada e difícil missão de que tinha sido incumbido pelo rei Leopoldo I. Fiel ao mandato que recebera de Leopoldo I, com o apoio de Palmerston e do Ministro Inglês em Lisboa, Lord Howard de Walden, procurou respaldar o trono protegendo-o contra as pretensões miguelistas de restauração do absolutismo e simultâneamente das maquinações dos clubes jacobinos e de eventuais pronunciamentos militares. No fundo, tratava-se de assegurar a manutenção da vigência da Carta Constitucional outorgada por D. Pedro em 1826. Exercício difícil tanto mais que o funcionalismo, os diplomatas, os militares e o clero estavam com vários meses de ordenados em atraso e os soldados do Exército Libertador e realista desmobilizados, afluíam a Lisboa, sem emprego, nem ocupação. Os sucessivos governos carecendo de sólidas maiorias nas Cortes dependiam do apoio das potências e dos empréstimos estrangeiros

O ano de 1836 – escassos dois anos decorridos sobre o estabelecimento do regime Cartista, do juramento da Carta pela rainha D. Maria II e da nomeação do primeiro governo cartista presidido pelo 1º duque de Palmela – viu sucederem-se 4 remodelações governamentais, assistindo-se a forte instabilidade política e social, e ao agudizar da bancarrota do Estado, que culminaram na convocação de Cortes Extraordinárias e à realização de eleições em 15 de Agosto, três dias depois do motim de La Granja que repôs em vigor a Constituição de Cádis, em Espanha.

A chegada a Lisboa no início de Setembro dos deputados da oposição eleitos pelo Porto e Viseu – radicais que advogavam o regresso à Constituição de 1822 – levou a uma revolta popular a que aderiram os batalhões da Guarda Nacional tendo a ala esquerda dos Liberais – anti cartistas – exigido à Rainha a demissão do Governo do Duque da Terceira e a proclamação da Constituição de 1822 – acontecimento que ficou conhecido como a Revolução de Setembro. A Rainha acedeu demitindo o governo e jurando a Constituição de 1822, nomeando o primeiro governo Setembrista, a 10 de Setembro, com o conde de Lumiares, Manuel Silva Passos e Sá da Bandeira, este pressionado por D. Fernando e pelos Ministros Belga e Inglês a aceitar por ser considerado um elemento pró-britânico[ii].

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Leopoldo I, rei dos Belgas

Perante estes acontecimentos, o rei Leopoldo I através do seu emissário em Londres – o General Goblet, tentou em Setembro de 1836, obter o apoio da Inglaterra a favor da rainha D. Maria II e de seu marido o Príncipe D. Fernando, o que lhe foi negado por Palmerston que defendia a política de não ingerência. Goblet regressou de novo, a Londres, em Outubro, com a missão de insistir pelo apoio e intervenção da Inglaterra, designadamente que a rainha D. Maria II fosse protegida pela esquadra Britânica.

No início de Novembro dá-se a reacção tendo a Rainha demitido o governo Setembrista, com o apoio de Leopoldo I, da França e da Inglaterra que enviou uma esquadra para o Tejo[iii] com tropas prontas a desembarcar para proteger a Rainha, no que ficou conhecido como o golpe da Belenzada.

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General Marquês Sá da Bandeira

A 3 de Novembro, a Rainha muda-se para o Palácio de Belém e fazendo apelo aos partidários da Carta Constitucional nomeia o Marquês de Valença para presidir ao novo governo. No entanto, a pronta reacção de Passos Manuel com o apoio da Guarda Nacional que se concentrou em Campo de Ourique e marchou sobre Belém fez gorar o golpe, levando a Rainha, após negociações com Passos Manuel, a nomear Sá da Bandeira para presidente do Conselho de Ministros.

Van der Weyer, Lord Howard de Walden e Palmela terão aconselhado a rainha neste sentido e ajudado Sá da Bandeira a aceitar a formação de um governo, com o compromisso dos Setembristas de respeitarem os poderes da Coroa insertos na Carta, mormente o veto sobre a legislação emanada das Cortes e o poder de dissolução da Câmara de Deputados.

Em 20 de Novembro tiveram lugar as primeiras eleições do Setembrismo para as Cortes Gerais Constituintes, de acordo com a restaurada Constituição de 1822 e o decreto de 10 de Novembro de 1836 que no dizer de José Adelino Maltez «não passam de uma espécie de negócio entre o triunvirato ministerial e as maçonarias, de tal maneira que quando as Cortes abrem em 2 de Janeiro de 1837, a maioria dos deputados até compareceu trajando os uniformes das Guardas Nacionais». As eleições foram ganhas pelos Setembristas moderados liderados por Passos Manuel.

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Van De Weyer

O Embaixador Van de Weyer, desde Setembro de 1836, invocando razões de saúde, vinha solicitando ao rei Leopoldo I a sua saída de Lisboa[iv], o que viria a ocorrer em 25 de Dezembro desse ano. Durante a sua estadia porém tinha convencido D. Fernando a fazer uma viagem pelo país dando-se a conhecer. Nessa ocasião a Rainha concedeu-lhe a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

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Insígnias da Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada (séc. XIX)

Era também Oficial da Ordem de Legião de Honra (1832) promovido a Comendador em 1836; Oficial da Ordem de Leopoldo em 1835, promovido a Grã-Cruz em 1856; Cruz de Ferro, da Bélgica; Grã-Cruz da Ordem Ernestine de Saxe (1837), Grã-Cruz da Ordem de S. Maurício e S. Lázaro (1839) e Grã-Cruz da Ordem de Carlos III, de Espanha.

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Ordem de Carlos III

O seu sucessor como conselheiro da Rainha e do seu marido o Príncipe D. Fernando, foi o General Albert Joseph Goblet, nomeado, em 22 de Junho de 1837, Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário junto da Corte portuguesa. Porém, com a vitória dos Setembristas após a Belenzada «il ne s’agissait plus de lutter contre eux, il fallait consolider le trône en l’identifiant en quelque sorte avec les institutions libérales du Portugal il fallait faire agir la royauté la mettre en communication avec la nation lui rendre enfin son importance et sa popularité»[v].

O General Goblet viria a deparar-se com uma renovada instabilidade política já que o governo de Sá da Bandeira constituído após o fracasso da Belenzada tinha sido substituído pelo de Dias de Oliveira, que desde 12 de Julho teve de enfrentar a Revolta dos Marechais Saldanha e Terceira visando restaurar a Carta, sob o pretexto de que a rainha estava coacta.

Em Agosto de 1837, Sá da Bandeira assume de novo a presidência do Governo e o comando das operações militares enquanto lugar-tenente da Rainha nas províncias do Norte de Portugal. Os confrontos militares duraram até 18 de Setembro com a derrota das forças revoltadas na acção de Ruivães sob o comando do Visconde das Antas a que se seguiu a Convenção de Chaves assinada em Outubro e o exílio dos chefes da revolta.

Em Outubro, o rei Leopoldo remetia-lhe um despacho elogiando a sua actividade e indicando-lhe os fins da sua missão, lembrando que «La cour a vécu jusqu’ici trop éloignée de la nation portugaise. Votre influence doit tendre à ce que cet état de choses ne se continue pas. Il est désirable que non seulement la maison du roi et de la reine se compose et s’organise mais encore qu’il se forme autant que possible autour du trône une société portugaise qui établisse un point de contact entre la cour et la nation»[vi].

Em Março de 1838 ocorrem três revoltas dos radicais envolvendo a Guarda Nacional, a última das quais, reprimida pelas tropas governamentais sob o comando do General Jorge de Avilez, visconde do Reguengo. A 4 de Abril a Rainha jura a nova Constituição.

Pouco antes da sua partida o General Goblet ainda testemunhou o juramento pela Rainha da nova Constituição e a aproximação de Sá da Bandeira à Coroa.

Segundo Thèodore Juste «Pendant un an le général Goblet consacra des efforts persévérants et heureux à constituer et à consolider au milieu des plus violentes discordes un parti intermédiaire, ni anarchiste ni réactionnaire, mais résolu à soutenir à la fois la dynastie nationale et les libérales institutions que le Portugal devait à don Pedro»[vii].

Ao terminar a sua missão em Portugal, a Rainha D. Maria II em recompensa dos serviços excepcionais do General Albert Joseph Goblet concedeu-lhe o título de conde d’Alviela, por Carta Régia de 21 de Junho de 1838[viii], mercê confirmada pelo rei Leopoldo I, por Arrête de 30 de Julho de 1838.

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Insígnias de Grã-Cruz da Ordem Militar de Aviz

Em 9 de Setembro de 1844 seria ainda agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de S. Bento de Avis.

Da sua missão em Portugal de cerca de um ano, o Conde d’Alviella deixou umas memórias publicadas por seu filho, relatando os acontecimentos em que esteve envolvido[ix].

Entre as suas numerosas condecorações citamos por ordem cronológica:

Cavaleiro da Legião de Honra em 25.11.1813

Cavaleiro de 4ª classe de Ordem Militar de Guilherme em 11.08.1815

Cavaleiro de 3ª classe da Ordem de Guilherme em 13.05.1823

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Ordem de Sant’Ana, 2ª classe

Cavaleiro de 2ª classe da Ordem de Sant’Ana (Rússia) em 6.11.1824

Oficial da Ordem da Legião de Honra em 23.01.1833

Cavaleiro da Ordem de Leopoldo em 15.11.1833

Comendador da Ordem da Legião de Honra em 16.02.1834

Oficial da Ordem de Leopoldo em 30.06.1837

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Ordem da Casa de Saxe-Ernestine

Grã-Cruz da Ordem da Casa de Saxe-Ernestine em 23.09.1838

Grã-Cruz da Ordem do Mérito Civil de Saxe em 9.09.1843

Grã-Cruz da Ordem de Mérito de Pierre-Frédéric-Louis de Oldenburg em 28.05.1844

Cavaleiro da Ordem de Águia Vermelha da Prússia em 5.11.1844

Grã-Cruz da Ordem de S. Miguel da Baviera em 3.11.1844

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Grã-Cruz da Ordem da Estrela Polar

Grã-Cruz da Ordem da Estrela Polar da Suécia em 7.01.1845

Comendador da Ordem de Leopoldo em 28.06.1849

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Medalha de Santa Helena

Medalha de Santa Helena em 12.08.1857.

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Cruz Comemorativa dos Voluntários de 1830

Cruz Comemorativa dos Voluntários de 1830, em 1856.

 

Bibliografia

Bartelous, J. Nos premiers ministres de Léopold Ier à Albert Ier 1831-1934, Bruxelles, Collet, 1983

Bonifácio, Maria de Fátima. A revolução de 9 de Setembro de 1836: a lógica dos acontecimentos, in «Análise Social», vol. XVIII (71), 1982-2.º, 331-370 ; 1834-42: a Inglaterra perante a evolução política portuguesa (hipóteses para a revisão de versões correntes), in «Análise Social», vol. XX (83), 1984-4.°, 467-488

Goblet D’Alviella, E. L’établissement des Cobourg en Portugal Étude sur les débuts d’une monarchie constitutionnelle. Écrit sous les yeux du lieutenant général comte Goblet d’Alviella ancien envoyé de Belgique à Lisbonne, Bruxelles, 1869

Juste, Théodore . Les fondateurs de la monarchie belge: Sylvain van de Weyer, ministre d’état … d’après des documents inédits, 2 vols., Trübner, 1871

Juste, Théodore. Le lieutenant-général comte Goblet d’Alviella, ministre d’état, Muquardt, 1870

Linden, H. Vander. Van de Weyer, Jean-Sylvain (1802-1874) cf. https://unionisme.be/Van_de_weyer.htm

Liste nominative des citoyens décorés de la croix de fer, Bruxelles, Michelli, 1865

Lopes, Maria Antónia. D. Fernando II, Lisboa Temas e Debates, 2016

Pulido Valente, Vasco. Os Devoristas, 2ª ed. Alétheia Ediotres, 2007; O Liberalismo Português, in «Ensaios de História Política», Alétheia Editores, 2009, pp. 7-46

Sá, Victor de. A revolução de Setembro de 1836, 3ª ed., Lisboa, Livros Horizonte, 1978

Thomson, Ron B. The Concession of Évora Monte: The Failure of Liberalism in Nineteenth-Century Portugal, Lexington Books, 2014

[i] Cf. Paulo Estrela. Medalha do Corpo de Atiradores Belgas (1834), in «Pro Phalaris», # 2, (2010), A.F.P., Lisboa, pp 17-24.

[ii] Cf. José Baptista de Sousa. Holland House and Portugal, 17931840: English Whiggery and the Constitutional Cause in Iberia, Anthem Press, 2018, p. 197.

[iii] Comandava a Esquadra o Almirante Sir William Hall Gage (777 – 1864) com ordens de proteger a Rainha D. Maria II.

[iv] Carta de 2 de Setembro de 1836, do rei Leopoldo I a M. de Muelenaere, manifestando a importância de nomear um substituto dada a importância dessa missão para a política Belga: ««…M. Van der Weyer désire à cause de sa santé ne pas rester plus longtemps à Lisbonne cependant il croit absolument nécessaire que son successeur soit initié par lui aux affaires et qu’il puisse le présenter avant son départ aux hommes influents du pays. Mon choix vous est connu depuis ce printemps le général Goblet est plus que jamais l’homme qui convient et il est même très désiré comme militaire.

Cette place est d’une grande importance pour la politique belge il vous est connu que de tous les pays de l’Europe le Portugal est le pays que l’Angleterre a pris le plus spécialement sous sa protection. Cette position des choses ne date point d’hier et quel que puisse être le ministère en Angleterre, le Portugal lui sera toujours cher et un objet de sollicitude. Vous savez que le parti conservatif en Angleterre n’aime nullement la Belgique ; il est donc d’une haute importance qu’elle ait un point de contact avec l’Angleterre qui soit un lien avec elle quel que puisse être le parti politique qui la gouvernerait. Ce lien nous le trouvons dans nos relations avec le Portugal et par la position qu’elles donnent au ministre de Belgique. Le général Goblet remplira bien cette mission car il est bien vu du Roi et du duc de Wellington et également de lord Palmerston et de son parti circonstance rare et fort heureuse» apud Juste, Théodore. Le lieutenant-général comte Goblet d’Alviella, ministre d’état, Muquardt, 1870, pp. 96-98.

[v] Ibidem, pp. 98-99.

[vi] Ibidem, pp. 100-102.

[vii] Ibidem, p. 102.

[viii] «Dona Maria, par la grâce de Dieu et par la constitution de la monarchie, reine de Portugal et des Algarves, etc. etc. faisons savoir à ceux qui les présentes verront, que désirant donner un témoignage de bienveillance particulière au général Albert Joseph Goblet, envoyé extraordinaire et ministre plénipotentiaire de SM le Roi des Belges, pour les preuves positives qu’il a données d’un intérêt efficace et actif pour le triomphe et glorieux succès de la cause portugaise, lorsque en 1833 il était ministre des affaires étrangères ; voulant aussi, dans sa personne, témoigner ma reconnaissance des secours philanthropiques donnés en Belgique aux émigrés portugais, et ayant en outre égard au zèle et à l’attachement que le susdit général a constamment montrés en faveur de la nation portugaise, comme aussi la haute opinion que j’ai de lui et l’estime spéciale qu’il a su m’inspirer, dans tout le cours de la mission qui lui fut confiée près de ma personne j’ai trouvé bon de l’élever à la grandesse de ces royaumes sous le titre de comte d’Alviella, et ordonnons que ledit général Albert Joseph Goblet s’appelle désormais comte d Alviella, et qu’à ce titre il jouisse de tous les honneurs prééminences prérogatives et exemptions qu’ont et qu’ont eus, dont profitent et profiteront toujours les comtes de ces royaumes, comme il leur appartient par le droit l’usage et l’ancienne coutume…», ibidem, pp. 105-106.

[ix] Goblet D’Alviella, E. L’établissement des Cobourg en Portugal Étude sur les débuts d’une monarchie constitutionnelle. Écrit sous les yeux du lieutenant général comte Goblet d’Alviella ancien envoyé de Belgique à Lisbonne, Bruxelles, 1869.

Falerística em Ex-Líbris I

Prof. Antonio Padula

Lusófilo e escritor, natural deNápoles, onde fundou a «Sociedade Luís de Camões».

Autor de vasta obra sobre literatura portuguesa quer como autor, quer como tradutor, foi sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, da Sociedade de Geografia e do Instituto de Coimbra.

Foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Por ocasião dos Centenários da Descoberta da Índia e do Nascimento de Almeida Garrett, publicou os opúsculos – Il 20 maggio 1498 e Il Centenario di Almeida Garrett, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Cristo e, pela sua obra sobre a literatura portuguesa recebeu também o grau de Comendador da Ordem de Santiago da Espada.

Era igualmente cavaleiro da Ordem do Santo Sepulcro e da Ordem Teutónica.Obras:

Il General Antonio Oscar de Fragoso Carmona, Presidente della Republica Portighese : studio storico-politico. Napoli : Società Luigi Camoens, 1931.

Un portoghese grande amico dell’Italia, Antonio de Faria : saggio bio-bibliografico. Napoli : La Società Luigi Camoens, 1930

João de Deus : il grande poeta lirico portoghese : pel centenario della sua nascita 1830-1930. Napoli : [s.n.], 1929.

Camoens e Teofilo Braga — (Estratto delia *Rassegna Italiana»), (Napoli — l908).

Camoens Petrarchista : Studio : Con appendice di sonetti del poeta nella traduzione inedita di Tammaso Cannizzaro. Napoli : Società Luigi Camoens, 1904.

Gli ordini cavallereschi del regno di Portogallo: notizie storico-araldiche, Società Luigi Camoens, 1908

Les ordres chevaleresques du royaume de Portugal ; [trad. de] Paul Pellot. Reims : Imprimerie Coopérative, 1908

Il re Galaor : poema drammatico / di Eugenio de Castro ; traduzione dal portughese di Antonio Padula, preceduta de un esame critico. Acireale : Etna, 1900.

Salome / Eugenio de Castro ; traduzione dal portoghese di Antonio Padula, preceduta da una nota illustrativa. Napoli : Pierro e Veraldi, 1899.

Camoens e I Nuovi Poeti Portoghesi,Napoli, 1896; trad portuguesa, de A. Ferreira de Faria. Camões e os novos poetas portuguezes: conferencia feita a 30 de maio de 1896 no III sarau Litterario-musical, dado pelos Intellectuaes na salla Ricordi de Napoles, Typ.a d’A Folha, 1899

Usou um ex-líbris heráldico com o escudo sobreposto sobre a Cruz da Ordem de Cristo. Envolvendo o escudo, o colar da ordem de S. Tiago do Mérito Scientifico, Litterário e Artistico e, tendo pendente do mesmo, a insígnia da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Fontes: Jacopo Gelli, 3500 Ex Libris Italiani, 1ª ed. Milano, Ulrico Hoepli, 1908, p. 291

Homenagem ao Almirante Gago Coutinho (1869-1959)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Vice-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho 

Paulo Jorge Estrela

 

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Col. Museu do Ar
Sociedade de Geografia comemorou ontem dia 17 de Fevereiro de 2009, o 140º aniversário do nascimento do Almirante Gago Coutinho com uma Sessão Solene presidida pelo Presidente da República e uma exposição de parte do espólio legado pelo homenageado à instituição, que inclui as suas condecorações.

O Alm. Gago Coutinho, matemático e geógrafo insigne, foi um dos raros portugueses condecorado com o mais elevado grau de todas as ordens militares portuguesas: Grã-Cruz das Ordens Militares da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, de Cristo, de Avis e de Santiago da Espada. Era também Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial e tinha a Medalha de Ouro de Serviços Distintos e a Medalha Comemorativa das Campanhas do Exército Português com passadeira “Timor, 1912-1913”.
Após a realização da primeira viagem aérea Lisboa-Funchal em 1921 num Hidrovão tripulado com o Capitão Tenente Piloto Aviador Artur de Sacadura Freire Cabral e o 1º Tenente Piloto Aviador Manuel Ortins Torres Bettencourt, o então Capitão de Mar e Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, o mesmo tendo recebido o Capitão Tenente Piloto Aviador Sacadura Cabral e Manuel Ortis Bettencourt, o grau de Cavaleiro (Decreto 20 de Maio de 1921 (D.G. 114 / II Série / 1921).

 

A Grã-Cruz da Ordem da Torre e Espada foi-lhe atribuída, bem como ao Capitão Tenente PA Artur de Sacadura Cabral, após terem completado com sucesso a primeira parte da travessia aérea do Atlântico Sul entre Lisboa e Cabo Verde, primeiro no Hidrovião «Lusitânia» e, finalizando a viagem de Fernando Noronha-Recife-Rio de Janeiro, no hidrovião «Santa Cruz», hoje exposto no Museu da Marinha em Lisboa.
O Decreto de concessão dizia:
«Considerando que a viagem aérea, realizada pelos Oficiais de Marinha Gago Coutinho e Sacadura Cabral, demonstra a continuidade da missão histórica que glorificou a nacionalidade portuguesa, iniciadora e propugnadora das grandes descobertas que deram aos homens o conhecimento integral da Terra;
Considerando que, perante a evidência de tal demonstração, se fortalece no espírito nacional a consciência da própria grandeza, nunca desmentida em oito séculos de história;
Considerando que ao alcance patriótico da arrojada travessia se deve acrescentar a sua importância
científica, reconhecida por todo o mundo culto, que seguiu com alvoroço as peripécias da épica empresa;
Considerando que a rota aérea, reflectindo no espaço a esteira das naus descobridoras, mais uma vez une a velha metrópole ao povo que levantadamente perpetua além do Atlântico as gloriosas tradições da raça;
Atendendo a que a ponderada coragem e o metódico saber, tão brilhantemente manifestados pelos dois aviadores, os tornam dignos da mais alta recompensa honorífica que ao valor, à lealdade e ao mérito pode conferir o Governo da República:
Hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, aprovada pelo Conselho da Ordem Militar da Torre e Espada, decretar que o Capitão de Mar-e-Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho, e o Capitão-Tenente Artur de Sacadura Freire Cabral sejam condecorados com o grau de Grã-Cruz da Ordem da
Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito».
 [Decreto 19 Abril 1922 (D.G. 91 / II Série / 1922]
Entre as condecorações estrangeiras foi agraciado com:
Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (Brasil)
Comendador da Legião de Honra (França),
Grã-Cruzes do Mérito Militar com Distintivo Branco e do Mérito Naval com Distintivo Branco (Espanha)
Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo II (Bélgica)
Grã-Cruz da Ordem da Coroa de Itália.

Aproveitando a oportunidade das várias cerimónias oficiais de homenagem ao Almirante Gago Coutinho (sem esquecer o grande Piloto Aviador Naval Sacadura Cabral), publicamos alguns diplomas legais referentes a algumas dessas homenagens. Sendo este um blog cuja temática principal é a Falerística, dar-se-á sempre prioridade a curiosidades relacionadas com Ordens Honoríficas e outras condecorações.

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Também a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada foi-lhes concedida:

O Decreto de concessão, de 27 de Abril de 1922, dizia:
Considerando que o Capitão de Mar-e-Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho e o Capitão-Tenente Artur de Sacadura Freire Cabral, revelaram quer na preparação, quer na realização da viagem aérea Lisboa-Brasil, qualidades excepcionais de saber que produziram a admiração do mundo culto, pondo em prática processos seus que resolvem os mais importantes problemas de navegação aérea;
Considerando que da viagem realizada a ciência tirará ensinamentos que a habilitem à resolução de outros problemas que interessam à navegação:Hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, aprovada pelo Conselho da Ordem Militar de Santiago da Espada, decretar que o Capitão de Mar-e-Guerra Carlos Viegas Gago Coutinho e o Capitão-Tenente Artur de Sacadura Freire Cabral, sejam condecorados com o grau de Grã-Cruz da referida Ordem.
(Diário de Governo nº 99, II Série, de 1922)
A Sociedade Propaganda de Portugal, uma associação criada em 1906, e que tinha o intuito de ajudar a desenvolver as atividades morais,intelectuais e materiais, sem vinculação religiosa ou partidária, também se associou às homenagens nacionais e internacionais e concedeu-lhes (com sancionamento do Ministério do Interior) o seu distintivo, isto é, um Colar.
Colar-Soc-Propag-Portugal
O Decreto de autorização, de 23 de Julho de 1922, dizia:
Tendo a Sociedade Propaganda de Portugal, em sua Sessão de 27 de Abril último, apreciado o famoso raid Lisboa-Rio de Janeiro e resolvido propor ao Governo a concessão do seu distintivo aos aviadores Carlos Viegas Gago Coutinho e Artur de Sacadura Freire Cabral, em reconhecimento e consideração pelo heróico feito levado a cabo, com feliz êxito, por esses intrépidos Oficiais da Marinha de Guerra Portuguesa, pelo Ministro do Interior e em harmonia com o Decreto nº 6.439, de 3 de Março de 1920, conferir aos mencionados Oficiais Carlos Viegas Gago Coutinho e Artur de Sacadura Freire Cabral o distintivo com que a Sociedade Propaganda de Portugal galardoa as pessoas que pelos seus serviços mereçam o seu carinhoso afecto e reconhecimento.
(Diário de Governo nº 174, II Série, de 1922)Também a Cruz Vermelha Portuguesa se associou a esta série de concessões.
Placa de Honra CVP
Na Portaria do Ministério da Marinha de de 6 de Outubro de 1922, constava singelamente:
Contra-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho e Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura Freire Cabral – condecorados com a Placa de Honra da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, nos termos do Decreto nº 4.551, de 22 de Junho de 1918.
(Diário de Governo nº 234, II Série, de 1922)Em 1926, Gago Coutinho foi nomeado Director Honorário da Aeronáutica Naval, o que era uma grande homenagem dado que este Oficial da Armada não era Piloto Aviador. Assim, foi publicado o Decreto de de 6 de Maio de 1926:Convindo dar ao Contra-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho, por parte da Marinha Portuguesa, um testemunho da alta consideração que merece por haver contribuído, em grande parte, para a realização do raid Lisboa-Rio de Janeiro, levado a efeito e 1922, tendo, desde então, o seu nome ficado vinculado, de uma forma indelével, não só à Aviação Naval Portuguesa, que muito honrou, ao mesmo tempo que, no estrangeiro, levantava mais alto o nome de Portugal, mas também, pode dizer-se, à Aviação mundial, por virtude dos seus proficientes estudos e trabalhos sobre Navegação Aérea: hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, decretar que o supracitado Contra-Almirante Carlos Viegas Gago Coutinho seja nomeado Director Honorário da Aeronáutica Naval, sendo-lhe concedido o uso do Distintivo de Piloto Aviador, encimado por duas palmas cruzadas.
(Diário de Governo nº 109, II Série, de 1926)

 

Homenagem a Sacadura Cabral (1881-1924)

sábado, 21 de fevereiro de 2009 (originalmente publicado no Blog PHALERAE

Homenagem a Sacadura Cabral

Paulo Jorge Estrela

Mar-indiv-12

Na senda das homenagens a Gago Coutinho é impossível esquecer o outro elemento da mais famosa dupla da História de Portugal: Sacadura Cabral.
Depois de viver anos de apoteose nacional e internacional junto de Gago Coutinho, o Piloto Aviador Naval responsável pela pilotagem dos três aeroplanos que fizeram a famosa travessia do Atlântico Sul, este Oficial de Marinha vai ter um fim trágico.
Em 1923 começou a trabalhar para o seu projecto de reunir condições que permitissem um inédito voo de circum-navegação, segundo a rota de Fernão de Magalhães.
Com ofertas várias e com as subscrições abertas em Portugal e no Brasil, conseguiu reunir dinheiro para a compra de 5 aviões Fokker T III W, que escolheu para o dito projecto. Em Junho de 1924 partiu para os Países-Baixos para assistir à recepção oficial dos aeroplanos e regressou a Portugal um mês depois, pilotando um desses aviões.
Em Novembro do mesmo ano regressou à Holanda, com outros pilotos, para trazerem os outros que faltavam.
No dia 15 de Novembro de 1924, Sacadura Cabral, e o seu Mecânico Pinto Correia, morrem quando, enfrentando condições climatéricas muito adversas, o seu avião caiu (por causas ainda hoje desconhecidas) algures no Mar do Norte, após a saída de Amesterdão e quando se dirigia para Lisboa.
Como alguém disse, de uma forma muito poética: “O mar foi a sua mortalha e o avião a sua tumba”

O mundo civilizado ficou chocado com a trágica morte deste herói da aviação e, quando do desastre foram mobilizados meios imensos para encontrar e resgatar o seu corpo, no entanto todos os trabalhos foram infrutíferos. É em consequência deste esforço internacional que será publicado um decreto que vai conceder algumas Ordens Honoríficas Portuguesas para premiar aqueles que, sendo estrangeiros, mais se empenharam na busca.

Decreto de 10 de Agosto de 1927 (Diário de Governo nº 193, II Série, de 1927)
Ministério da Marinha, Repartição do Gabinete
Usando da faculdade que me confere o n.º 2 do artigo 2.º do Decreto n.º 12.740, de 26 de Novembro de 1926, sob propostas do Ministro da Marinha, aprovadas pelos respectivos Conselhos das Ordens Militares de Avis e de Cristo, depois de prévias informações favoráveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros: hei por bem decretar que os Oficiais e cidadãos de diversas nacionalidades, abaixo mencionados, que intervieram nas buscas realizadas por ocasião do desastre, ocorrido no mar, que vitimou o Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura Freire Cabral e o Mecânico José Pinto Correia, sejam condecorados com os graus das referidas Ordens que lhes vão indicados:

  • Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis:
    Robert-Marie-Gabriel-Alfred De Marguerye, Vice-Almirante da Marinha Francesa
    C. C. Zegers Ryser, Contra-Almirante da Marinha Holandesa
    D. Luis Pasquín y Reinoso, Contra-Almirante da Marinha Espanhola
  • Comendador da Ordem Militar de Avis:
    Hautefeuille, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
    E. A. Mesnage, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
    L. C. P. Pochart, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
    Gautret de la Moricière, da Marinha Francesa

Edmond Grabbe, Capitão-Tenente da Marinha Belga

  • Oficial da Ordem Militar de Avis:
    C. A. Weemhoff, 1º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
    Bouleau, 1º Tenente da Marinha Francesa
    Loudes, 1º Tenente da Marinha Francesa
    G. E. Benoit, 1º Tenente da Marinha Francesa
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Avis:
    P. van Lenning, 2º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
    A. J. E. Deshayes, Guarda-Marinha da Marinha Francesa
    J. M. L. Guillemin, Guarda-Marinha da Marinha Francesa
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo:
    Joseph Daems, Cidadão belga, Chefe do Aeródromo de Ostende
    Pierre Martinsen, Cidadão belga, Mestre da Traineira 87 Emmanuel

 

sábado, 21 de fevereiro de 2009
Homenagem a Sacadura Cabral
Na senda das homenagens a Gago Coutinho é impossível esquecer o outro elemento da mais famosa dupla da História de Portugal: Sacadura Cabral.
Depois de viver anos de apoteose nacional e internacional junto de Gago Coutinho, o Piloto Aviador Naval responsável pela pilotagem dos três aeroplanos que fizeram a famosa travessia do Atlântico Sul, este Oficial de Marinha vai ter um fim trágico.
Em 1923 começou a trabalhar para o seu projecto de reunir condições que permitissem um inédito voo de circum-navegação, segundo a rota de Fernão de Magalhães.
Com ofertas várias e com as subscrições abertas em Portugal e no Brasil, conseguiu reunir dinheiro para a compra de 5 aviões Fokker T III W, que escolheu para o dito projecto. Em Junho de 1924 partiu para os Países-Baixos para assistir à recepção oficial dos aeroplanos e regressou a Portugal um mês depois, pilotando um desses aviões.
Em Novembro do mesmo ano regressou à Holanda, com outros pilotos, para trazerem os outros que faltavam.
No dia 15 de Novembro de 1924, Sacadura Cabral, e o seu Mecânico Pinto Correia, morrem quando, enfrentando condições climatéricas muito adversas, o seu avião caiu (por causas ainda hoje desconhecidas) algures no Mar do Norte, após a saída de Amesterdão e quando se dirigia para Lisboa.
Como alguém disse, de uma forma muito poética: “O mar foi a sua mortalha e o avião a sua tumba”

O mundo civilizado ficou chocado com a trágica morte deste herói da aviação e, quando do desastre foram mobilizados meios imensos para encontrar e resgatar o seu corpo, no entanto todos os trabalhos foram infrutíferos. É em consequência deste esforço internacional que será publicado um decreto que vai conceder algumas Ordens Honoríficas Portuguesas para premiar aqueles que, sendo estrangeiros, mais se empenharam na busca.

Decreto de 10 de Agosto de 1927 (Diário de Governo nº 193, II Série, de 1927)
Ministério da Marinha, Repartição do Gabinete
Usando da faculdade que me confere o n.º 2 do artigo 2.º do Decreto n.º 12.740, de 26 de Novembro de 1926, sob propostas do Ministro da Marinha, aprovadas pelos respectivos Conselhos das Ordens Militares de Avis e de Cristo, depois de prévias informações favoráveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros: hei por bem decretar que os Oficiais e cidadãos de diversas nacionalidades, abaixo mencionados, que intervieram nas buscas realizadas por ocasião do desastre, ocorrido no mar, que vitimou o Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura Freire Cabral e o Mecânico José Pinto Correia, sejam condecorados com os graus das referidas Ordens que lhes vão indicados:

– Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis:
Robert-Marie-Gabriel-Alfred De Marguerye, Vice-Almirante da Marinha Francesa
C. C. Zegers Ryser, Contra-Almirante da Marinha Holandesa
D. Luis Pasquín y Reinoso, Contra-Almirante da Marinha Espanhola

– Comendador da Ordem Militar de Avis:
Hautefeuille, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
E. A. Mesnage, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
L. C. P. Pochart, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
Gautret de la Moricière, da Marinha Francesa
Edmond Grabbe, Capitão-Tenente da Marinha Belga

– Oficial da Ordem Militar de Avis:
C. A. Weemhoff, 1º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
Bouleau, 1º Tenente da Marinha Francesa
Loudes, 1º Tenente da Marinha Francesa
G. E. Benoit, 1º Tenente da Marinha Francesa

– Cavaleiro da Ordem Militar de Avis:
P. van Lenning, 2º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
A. J. E. Deshayes, Guarda-Marinha da Marinha Francesa
J. M. L. Guillemin, Guarda-Marinha da Marinha Francesa

– Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo:
Joseph Daems, Cidadão belga, Chefe do Aeródromo de Ostende
Pierre Martinsen, Cidadão belga, Mestre da Traineira 87 Emmanuel

 

Actas do VII Encontro Internacional sobre Ordens Militares, Out. 2015 – Palmela || Proceedings of the International Meeting BETWEEN GOD AND THE KING | The world of the Military Orders, Palmela, Oct. 2015

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«Entre 14 e 18 de outubro, Palmela acolhe o VII Encontro Internacional sobre Ordens Militares, subordinado ao tema «Entre Deus e o Rei. O Mundo das Ordens Militares», numa organização do Município de Palmela, através do GEsOS – Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago. Esta edição reúne cerca de sete dezenas de especialistas em história das Ordens religioso-militares, provenientes de doze países e em representação de cinco dezenas de universidades, institutos, museus e centros de investigação. Ao longo destes dias, serão apresentados os resultados mais recentes da sua investigação, num balanço do que, a nível mundial, se tem trabalhado sobre este tema e discutindo diretrizes para o futuro das pesquisas.

O programa da iniciativa foi estruturado em seis áreas temáticas: «Arquivos e Memória», «A Formação e a Prática da Guerra», «As Ordens Militares e o Serviço à Coroa», «As Ordens Militares e o Mar», «Em Portugal como lá Fora: A Ordem do Templo em Tempos de Mudança (1274-1314)» e «Arte, Arquitetura e Arqueologia das Ordens Militares». Mais…

Programa

 

Actas do Encontro “Entre Deus e o Rei. O Mundo das Ordens Militares”

Proceedings of the International Meeting BETWEEN GOD AND THE KING | The world of the Military Orders, Palmela, Oct. 2015

 

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Isabel Cristina Fernandes (coord.). ENTRE DEUS E O REI | O MUNDO DAS ORDENS MILITARES, 2 Vols., COLEÇÃO ORDENS MILITARES 8, MUNICÍPIO DE PALMELA – GEsOSPALMELA, 2018

 

 

Prof. Dr. Júlio de Jesus Martins

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In Memoriam

Júlio de Jesus Martins (08/11/1912 – 06/01/1993)

Capitão Miliciano, Licenciado em Filologia Clássica (FLL), Curso de Ciências Pedagógicas (UC). Iniciou a sua carreira como professor do ensino liceal e técnico, primeiro no Liceu de Faro, e depois no Liceu Pedro Nunes e na Escola Industrial Machado de Castro e, finalmente como professor efectivo do Colégio Militar.

Em 1944 fundou a Didáctica Editora com Américo Silvino Palma, Eduardo Marinho Alves de Moura e António Vicente Teixeira. Foi autor de manuais de Português e de Selectas para o ensino da Literatura – de Camões, Alexandre Herculano, Gil Vicente e Almeida Garrett.

Condecorações:

Oficial da Ordem Militar de Avis (1955)

Oficial da Ordem da Instrução Pública (1951)

Medalha de Serviços Distintos, Prata

Medalha Naval Comemorativa do 5º Centenário da morte Infante D. Henrique (1963)

Medalha Comemorativa do Nascimento de Lauro Muller (Brasil) (1967)

Medalha Marechal Trompowsky (Brasil) (1960)

Medalha do Pacificador (Brasil) (1959)

Medalha de Silvio Roméro (Brasil)

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«Bibliografia

Epítome de gramática portuguesa (em colaboração com Pires de Castro), Lisboa, 1940. Lições elementares de literatura portuguesa (7º ano), Lisboa, 1940. Manual elementar de literatura portuguesa (em colaboração com Óscar Lopes), Lisboa, 1941. “O actual sistema de exames: breve notícia histórica”, Liceus de Portugal, n.º 30 a n.º 32, 1943 e 1944, pp. 2436-2463, pp. 2525-2546 e pp. 2605-2612. “Exames de aptidão para a primeira matrícula nas universidades: resultados obtidos em 1943”, Liceus de Portugal, n.º 33, 1944, pp. 2690-2696. “Serviço de pontos para exames: algumas notas sobre o seu funcionamento em 1943”, Liceus de Portugal, n.º 34, 1944, pp. 2753-2767. “Exames realizados em 1943”, Liceus de Portugal, n.º 34, 1944, pp. 2770-2773. “Exames de admissão aos liceus: resultados obtidos em 1944”, Liceus de Portugal, n.º 37, 1944, pp. 23-44. “Exames do 2º ciclo: resultados obtidos nos liceus de Lisboa”, Liceus de Portugal, n.º 38, 1944. “Exames de aptidão: resultados obtidos em 1944”, Liceus de Portugal, n.º 39, 1944, pp. 214-225. Breve história da literatura portuguesa (em colaboração com Óscar Lopes), Lisboa, 1946. Contos escolhidos de autores portugueses (3º ano), Lisboa, 1952. Ditosa pátria: selecta portuguesa para os cursos de formação e ensino de aperfeiçoamento (em colaboração com Manuel da Silva), Lisboa, 1951. Os doze de Inglaterra, Lisboa, 1956. “A solução dum velho problema: a falta de uniformidade da nomenclatura gramatical”, Labor, n.º 191, 1960, pp. 309-325. Manual elementar de ortografia com exercícios de aplicação, Lisboa, 1961. Selecta Literária (3º/4º/5º anos) (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 2 vols., 1962. Caderno de Português: questionário gramatical e exercícios de revisão sobre o programa liceal (1.º ano) (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1963. Vamos ler: livro de língua portuguesa para o ensino primário complementar (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1966. Caderno de Português: questionário gramatical e exercícios de revisão sobre o programa liceal (2º ciclo) (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1967. Colectânea de textos da língua portuguesa (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1972. Nova colectânea: textos de língua portuguesa (7º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares e Jaime da Mota), Lisboa, 1976. Nova colectânea: textos de língua portuguesa (8.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares e Jaime da Mota), Lisboa, 1977. Nova colectânea: textos de língua portuguesa (9.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares e Jaime da Mota), Lisboa, 1978. Textos de língua portuguesa (10º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 2 vols., 1978. Textos de língua portuguesa (9º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 1980. Textos de língua portuguesa (11º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 2 vols., 1980. Textos de língua portuguesa (7.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 1981. Textos de língua portuguesa (8º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 1981. Ler e comunicar: português (7º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário Carmo, Cristina Pimentel e M. Carlos Dias), Lisboa, 1983. Ler e comunicar: português (8.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário Carmo, Cristina Pimentel e M. Carlos Dias), Lisboa, 3 vols., 1984. Ler e comunicar: português (9.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário Carmo, Cristina Pimentel e M. Carlos Dias), Lisboa, 3 vols., 1985. Aprender português: gramática teórico-prática (5º e 6º anos de escolaridade) (em colaboração com Leonor Sardinha e Carmen Nunes), Lisboa, 1990. Português: Textos e actividades (11º ano de escolaridade) (em colaboração com Mário Carmo, Cecília Soares, M. Carlos Dias e Manuel Lopes), Lisboa, 1991. n Labor. Liceus de Portugal.»

apud, Jorge Ramos do Ó, «GAMEIRO Ottolini, RAQUEL ROQUE», in António Nóvoa (dir.), Dicionário de Educadores Portugueses, Porto, Edições Asa, 2003, pp. 891-893, com adaptações.

Deux diplomates belges

 Impliqués dans la consolidation de la monarchie constitutionnelle

José Vicente de Bragança (AFP)

 

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Dona Maria II
WARD, William James, sculp., João Zephaniah Bell, pinxit. , Londres : Hodgson Boys & Boys, 1835, © BNP

Jean-Sylvain Van de Weyer (1802-1874) et le général Albert Joseph Goblet d’Alviella (1790-1873) qui se sont distingués comme hommes d’État et diplomates du Royaume de Belgique ont été appelés par le roi Léopold Ier de Belgique à effectuer de délicates missions diplomatiques. au Portugal entre les années 1836-1838, à la veille de l’implantation de la monarchie constitutionnelle. Et par leur performance, ils ont reçu des faveurs royales de la jeune reine D. Maria II.

van der weydenVan De Weyer, jeune révolutionnaire dès la première heure de la révolution belge contre l’intégration au Royaume des Pays-Bas en septembre 1830, faisait partie du gouvernement provisoire et était envoyé à Londres pour des missions diplomatiques. L’indépendance a été proclamée le 4 octobre 1830 et les Hollandais ont été expulsés. La monarchie constitutionnelle a été adoptée et le conflit ouvert a été soumis à l’arbitrage lors d’une conférence internationale à Londres. Le Congrès belge, réuni le 4 octobre 1831, élit le roi des Belges, le prince Léopold de Saxe-Cobourg-Gotha, qui, le 21 juillet, prêta serment. Léopold I le nomme Van De Weyer Envoyé Extraordinaire à la cour de Saint-Jacques.

Le général Albert Joseph Goblet, doté d’une brillante carrière militaire, était ingénieur dans l’armée impériale française, combattant dans la guerre de Péninsule – dans l’armée du Portugal sous le commandement du maréchal Marmont (1812), lors de la bataille de Vitoria, qui lui a valu la Légion d’honneur, dans la défense de Saint-Sébastien (1812-1814) et d’Orthez -, se rend au service de l’armée néerlandaise en janvier 1815, après avoir participé avec bravoure à la bataille de Waterloo, qui lui a valu d’être décorée du degré de Chevalier de l’ordre de Guilherme, en août 1815.

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Episode des journées de Septembre 1830, par Gustave Wappers, 1834, Musées Royaux des Beaux Arts de Belgique

Au moment de la révolution belge de 1830, il a été nommé colonel par le gouvernement provisoire. Entre 1831 et 1833, il fut successivement ministre de la Guerre et ministre des Affaires étrangères du gouvernement belge, en plus d’avoir effectué des missions diplomatiques à la Conférence de Londres. En 1835, il fut promu lieutenant général. Il fut également Aide-de-Champ du Roi Léopold Ier de 1831 à 1854 et exerça d’importantes missions diplomatiques en tant qu’envoyé extraordinaire et ministre plénipotentiaire près les tribunaux de Saxe et de Hanovre, de Saxe-Cobourg-Gotha, de Saxe-Altenbourg et de Saxe-Weimar, Mecklembourg et Oldenbourg, et les villes libres de Brême, Lübeck et Hambourg, entre 1839 et 1854.

La guerre civile qui a dévasté le Portugal à partir de 1828 a pris fin le 27 mai 1834 avec la signature de la convention d’Évora-Monte qui déterminait l’exil de D. Miguel et permettait l’intronisation de la reine D. Maria II, âgée de 15 ans seulement, instaurant le régime libéral.

Pendant la guerre civile, en 1832 et 1834 également, la Belgique de Léopold I, appuya la cause libérale en permettant le recrutement de troupes ayant combattu pendant la guerre d’indépendance de la Belgique, aboutissant à la constitution du bataillon d’Ostende et, plus tard, de la Légion Belge sous le commandement du Major Pierre Joseph Le Charlier[1].

Pour le succès des libéraux ont beaucoup contribué les changements politiques survenus en Angleterre et en France en 1830 avec l’accession des Whigs au pouvoir – le gouvernement de Earl Grey ayant Palmerston au poste de secrétaire d’État aux Affaires étrangères – et la révolution de juillet avec la déposition de Charles X et la proclamation de Louis Philippe, duc d’Orléans, roi des Français.

En effet, le 22 avril 1834, l’Angleterre et la France ont signé le traité de la quadruple alliance avec les gouvernements du Régent D. Pedro, duc de Bragance et D. Maria Cristina de Bourbon. Deux-Siciles, veuve de Ferdinand VII et Reine Régente d’Espagne, afin d’assurer et de garantir la continuité des régimes libéraux dans les monarchies ibériques.

Au cours des deux premières années du règne de D. Maria II, se sont succédé des gouvernements présidés  successivement le duc de Palmela, le duc de Saldanha, le colonel José Jorge Loureiro et le duc de Terceira  et constitués par l’aile plus conservatrice du libéralisme – les amis de Dom Pedro ou dévoristes – dont les objectifs principaux étaient d’épouser la reine, de poursuivre et de mettre en œuvre les réformes de D. Pedro, de sortir le pays du chaos provoqué par la guerre civile et le démantèlement des institutions de l’ancien régime, le tout entravé par la grave crise situation économique et financière dans laquelle le Portugal était plongé. Des difficultés ajoutées par la pression de l’aile plus radicale du libéralisme qui, après avoir gagné la guerre civile, cherchaient à se venger des partisans de D. Miguel et à participer à la distribution du “butin”, essentiellement à la vente de “biens nationaux”.

Pour la consolidation du régime il était urgent de marier la reine, ayant son père D. Pedro, duc de Bragance choisit le prince Auguste de Beauharnais, duc de Leuchtenberg et prince d’Eichstätt. Cependant, ce mariage qui s’est tenu en janvier 1835 dura peu de temps, car le prince mourrait subitement en mars de cette année.

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Fernando II, Litografia Maurício Sendim, c. 1840, BNP

Le choix d’un nouveau fiancé reviendrait au prince Ferdinand de Saxe-Cobourg-Gotha, neveu d’Ernest Ier, duc de Saxe-Cobourg-Gotha. Cela est dû en grande partie à l’influence de ses oncles, le roi Léopold Ier des Belges et la princesse Victoria de Saxe-Cobourg-Saalfeld, duchesse de Kent et mère de la princesse Victoria de Kent, future reine Victoria de Grande-Bretagne.

Le mariage par procuration a eu lieu à Cobourg le 1er janvier 1835, la reine étant représentée par son ambassadeur Francisco de Almeida Portugal, le comte Lavradio. D. Fernando arriverait à Lisbonne le 8 avril 1836, avec la cérémonie de mariage en personne le jour suivant. D. Fernando était accompagné du docteur Frederico Kessler, son précepteur – le théologien Karl Dietz, et de Sylvain Van de Weyer, ambassadeur du roi des Belges à Londres, choisi par le roi Léopold comme “mentor” du jeune prince[2].

À son arrivée au Portugal, l’ambassadeur Jean-Sylvain van de Weyer était bien conscient de la tâche délicate et difficile que lui avait confiée le roi Léopold I. Fidèle au mandat qu’il avait reçu de Léopold I, avec le soutien de Palmerston et du ministre anglais à Lisbonne, Lord Howard de Walden, il cherchait à soutenir le trône en le protégeant contre les prétentions des «miguélistes» visant à restaurer l’absolutisme et à la fois contre les machinations des clubs jacobins et des putschs militaires éventuelles. En définitive, il s’agissait de faire en sorte que la Charte octroyée par D. Pedro en 1826 soit maintenue, exercice difficile, d’autant plus que fonctionnaires, diplomates, soldats et membres du clergé avaient leurs salaires en retard depuis plusieurs mois et que les soldats de l’armée libératrice et réaliste démobilisés, affluaient à Lisbonne, sans emploi ou occupation. Les gouvernements successifs dépourvus de fortes majorités dans les Cortes dépendaient du soutien de puissances étrangères et des prêts de l’étranger.

L’année 1836 – à peine deux ans après l’instauration du régime chartiste, du serment de la Charte par la reine D. Maria II et de la nomination du premier gouvernement chartiste présidé par le premier duc de Palmela – a vu quatre remaniements ministériels, une forte instabilité politique et sociale et l’aggravation de la faillite de l’État, ce qui a abouti à la convocation de Cortes extraordinaires et à la tenue d’élections le 15 août, trois jours après les émeutes de La Granja qui ont rétabli la Constitution de Cadix, en Espagne.

L’arrivée à Lisbonne début septembre des députés de l’opposition élus par les Villes de Porto et Viseur – des radicaux qui préconisent un retour à la Constitution de 1822 – ont conduit à un soulèvement populaire auquel les bataillons de la Garde nationale ont adhéré, ayant l’aile gauche des libéraux – anti-chartistes – demandé à la reine la démission du gouvernement du duc de Terceira et la proclamation de la Constitution de 1822, événement connu sous le nom de «révolution de septembre». La reine y adhéra en acceptant la démission du gouvernement et en jurant la Constitution de 1822, nommant le premier gouvernement Septembriste, le 10 septembre, avec le comte de Lumiares, Manuel Silva Passos et Sá da Bandeira. Celui-ci, considéré comme un élément pro-britannique, a accepté sous la pression du prince D. Fernando et des ministres belge et anglais[3].

leopold_i,_king_of_the_belgiansFace à ces événements, le roi Léopold Ier, par son émissaire à Londres, le général Goblet, tenta en septembre 1836 d’obtenir le soutien de l’Angleterre en faveur de la reine Marie II et de son mari, le prince Ferdinand, mais sans succès car Palmerston a défendu la politique de non-ingérence. Goblet est revenu à Londres en octobre avec la mission d’insister sur le soutien et l’intervention de l’Angleterre, insistant que la reine D. Maria soit protégée par la flotte britannique.

Au début du mois de novembre, les partisans de la Charte essaient un coup – connu depuis comme le Belenzada – la reine renvoya le gouvernement avec le soutien de Léopold Ier, de la France et de l’Angleterre, avec le soutien de la flotte anglaise au Tage[4]  avec des troupes prêtes à débarquer pour protéger la reine et le prince consort.

manuel_da_silva_passosLe 3 novembre, la reine s’est installée au palais de Belém et en appelant aux partisans de la Charte constitutionnelle a nommé le marquis de Valence à la présidence du nouveau gouvernement. Cependant, la réaction rapide de Passos Manuel avec le soutien de la Garde nationale qui s’est concentrée sur Campo de Ourique et a marché sur Belém a fait échouer le coup, poussant la reine, après des négociations avec Passos Manuel, à nommer Sá da Bandeira à la présidence du Conseil de ministres.

Van der Weyer, Lord Howard of Walden et Palmela auront conseillé la reine dans ce sens et aidé Sá da Bandeira à accepter la formation d’un gouvernement, les Septembristes s’étant engagés à respecter les pouvoirs de la Couronne inscrits dans la Charte, notamment le droit de veto sur la législation émanant des Cortes et le pouvoir de dissolution de la Chambre des députés.

Le 20 novembre, les premières élections du Setembrismo pour les Cortes Constituantes Cortes ont eu lieu, conformément à la Constitution restaurée de 1822 et au décret du 10 novembre 1836, qui selon José Adelino Maltez, ils ne sont plus qu’une affaire entre le triumvirat ministériel et la franc-maçonnerie, de sorte que lors de l’ouverture des Cortes le 2 janvier 1837, la majorité des députés sont même apparus en uniformes de la Garde Nationale». Les élections ont été remportées par les Septembristes modérés dirigés par Passos Manuel.

van den weyer

Depuis septembre 1836, l’ambassadeur Van de Weyer invoquait des raisons de santé pour demander au roi Léopold Ier de quitter Lisbonne[5], ce qui aurait lieu le 25 décembre de la même année. Pendant son séjour, cependant, il avait convaincu D. Fernando de faire un voyage à travers le pays pour se faire connaître. À cette occasion, la reine lui accorda la grande croix de l’ordre militaire de la tour et l’épée, la valeur, loyauté et mérite.

torre e espada

Il fut également Officier de l’ordre de la Légion d’honneur (1832) promu Commandeur en 1836; Officier de l’Ordre de Léopold en 1835, promu Grand-Croix en 1856; Croix de Fer, Belgique; Grande Croix de l’Ordre Ernestine de Saxe (1837), Grande Croix de l’Ordre de Saint-Maurice et Saint-Lazare (1839) et Grande Croix de l’Ordre de Charles III, d’Espagne.

Son successeur en tant que conseiller de la reine et de son mari, le prince D. Fernando, était le général Albert Joseph Goblet, nommé le 22 juin 1837, Envoyé Extraordinaire et Ministre Plénipotentiaire à la Cour du Portugal. Cependant, avec la victoire des Septembristes après la Belenzada « «il ne s’agissait plus de lutter contre eux, il fallait consolider le trône en l’identifiant en quelque sorte avec les institutions libérales du Portugal il fallait faire agir la royauté la mettre en communication avec la nation lui rendre enfin son importance et sa popularité»[6].

gobletLe général Goblet a été confronté à une rénovée instabilité politique puisque le gouvernement de Sá da Bandeira constitué après que l’échec de Belenzada ait été remplacé par celui de Dias de Oliveira, qui depuis le 12 juillet devait faire face à la révolte des Maréchaux Saldanha et Terceira visant rétablir la Charte, sous prétexte que la reine était ‘contrainte’.

sa_da_bandeiraEn août 1837, Sá da Bandeira assuma à nouveau la présidence du gouvernement et commanda les opérations militaires en tant que lieutenant de la reine dans les provinces du nord du Portugal. Les affrontements militaires ont duré jusqu’au 18 septembre avec la défaite des forces rebelles dans l’action de Ruivães sous le commandement du vicomte das Antas, suivie de la Convention de Chaves signée en octobre et de l’exil des dirigeants de la révolte.

En octobre, le roi Léopold envoya au Général Goblet un dépêche louant son activité et lui indiquant les fins de sa mission, rappelant que «La cour a vécu jusqu’ici trop éloignée de la nation portugaise. Votre influence doit tendre à ce que cet état de choses ne se continue pas. Il est désirable que non seulement la maison du roi et de la reine se compose et s’organise mais encore qu’il se forme autant que possible autour du trône une société portugaise qui établisse un point de contact entre la cour et la nation»[7].

En mars 1838, il y eut trois révoltes radicales impliquant la garde nationale, la dernière étant réprimée par les troupes gouvernementales sous le commandement du général Jorge de Avilez, vicomte de Reguengo. Le 4 avril, la reine jure la nouvelle constitution. Peu de temps avant son départ, le général Goblet assistait encore au serment de la reine de la nouvelle Constitution et au rapprochement de Sá da Bandeira vers la Couronne.

Selon Théodore Juste, «Pendant un an le général Goblet consacra des efforts persévérants et heureux à constituer et à consolider au milieu des plus violentes discordes un parti intermédiaire, ni anarchiste ni réactionnaire, mais résolu à soutenir à la fois la dynastie nationale et les libérales institutions que le Portugal devait à don Pedro»[8].

En terminant sa mission au Portugal, la reine Maria III, en reconnaissance des services exceptionnels du général Albert Joseph Goblet, lui décerne le titre de comte d’Alviella, par charte royale du 21 juin 1838[9], confirmé par le roi Léopold I, par Arrête du 30 juillet 1838.

gc aviz souza
Grand-Croix de l’Ordre de S. Benoît d’Aviz

Étant Ministre des Affaires Étrangères il recevrait aussi la Grand-Croix de l’Ordre Militaire de Saint-Benoît d’Avis, le 9 septembre 1844.

Depuis sa mission au Portugal d’environ un an, le comte d’Alviella a laissé quelques souvenirs publiés par son fils, relatant les événements dans lesquels il était impliqué[10].

Parmi ses nombreuses décorations, nous citons par ordre chronologique:

Chevalier de la Légion d’Honneur le 25.11.1813

Chevalier de 4ème classe de l’ordre militaire de Guillaume le 11.08.1815

Chevalier de 3ème classe de l’ordre de Guillaume le 13.05.1823

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Chevalier de 2ème classe de l’Ordre de Sainte-Anne de Russie le 6.11.1824

Officier de la Légion d’Honneur le 23.01.1833

Chevalier de l’Ordre de Léopold, le 15.11.1833

Commandeur de la Légion d’Honneur le 16.02.1834

Officier de l’Ordre de Léopold le 30.06.1837

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Grand-Croix de l’Ordre de la Maison Branche Ernestine de Saxe le 23.09.1838

Grand-Croix de de l’Ordre du Mérite Civil de Saxe le 9.09.1843

Grand-Croix de l’Ordem du Mérite de Pierre-Frédéric-Louis d’Oldenburg le 28.05.1844

Chevalier l’Ordre de l’Aigle Rouge de Prusse le 5.11.1844

Grand-Croix de l’Ordre de Saint-Michel de Bavière le 3.11.1844

Grand-Croix l’Ordre de l’Étoile Polaire de Suède le 7.01.1845

Commandeur de l’Ordre de Léopold le 28.06.1849

volontaires 1830Croix Commémorative des Volontaires de 1830, en 1856

sta helena

Médaille de Sainte-Hélène (France) le 12.08.1857.

 

Bibliographie

Bartelous, J. Nos premiers ministres de Léopold Ier à Albert Ier 1831-1934, Bruxelles, Collet, 1983

Bonifácio, Maria de Fátima. A revolução de 9 de Setembro de 1836: a lógica dos acontecimentos, in «Análise Social», vol. XVIII (71), 1982-2.º, 331-370 ; 1834-42: a Inglaterra perante a evolução política portuguesa (hipóteses para a revisão de versões correntes), in «Análise Social», vol. XX (83), 1984-4.°, 467-488

Bragança, José Vicente de. Agraciamentos Portugueses aos Príncipes da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, Boletim «Pro Phalaris», # 9-10 [2014], pp. 3-18

Goblet D’Alviella, E. L’établissement des Cobourg en Portugal Étude sur les débuts d’une monarchie constitutionnelle. Écrit sous les yeux du lieutenant général comte Goblet d’Alviella ancien envoyé de Belgique à Lisbonne, Bruxelles, 1869

Juste, Théodore . Les fondateurs de la monarchie belge: Sylvain van de Weyer, ministre d’état … d’après des documents inédits, 2 vols., Trübner, 1871

Juste, Théodore. Le lieutenant-général comte Goblet d’Alviella, ministre d’état, Muquardt, 1870

Linden, H. Vander. Van de Weyer, Jean-Sylvain (1802-1874) cf. https://unionisme.be/Van_de_weyer.htm

Liste nominative des citoyens décorés de la croix de fer, Bruxelles, Michelli, 1865

Lopes, Maria Antónia. D. Fernando II, Lisboa Temas e Debates, 2016

Pulido Valente, Vasco. Os Devoristas, 2ª ed. Alétheia Ediotres, 2007; O Liberalismo Português, in «Ensaios de História Política», Alétheia Editores, 2009, pp. 7-46

Sá, Victor de. A revolução de Setembro de 1836, 3ª ed., Lisboa, Livros Horizonte, 1978

Thomson, Ron B. The Concession of Évora Monte: The Failure of Liberalism in Nineteenth-Century Portugal, Lexington Books, 2014

[1] Cf. Paulo Estrela. Medalha do Corpo de Atiradores Belgas (1834), in «Pro Phalaris», # 2, (2010), A.F.P., Lisboa, pp 17-24.

[2] Cf. Bragança, José Vicente de. Agraciamentos Portugueses aos Príncipes da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, in Boletim «Pro Phalaris», # 9-10 [2014], pp. 5-7.

[3] Cf. José Baptista de Sousa. Holland House and Portugal, 17931840: English Whiggery and the Constitutional Cause in Iberia, Anthem Press, 2018, p. 197.

[4] Comandava a Esquadra o Almirante Sir William Hall Gage (777 – 1864) com ordens de proteger a Rainha D. Maria II.

[5] Lettre du 2 Septembre 1836, du roi Léopold I à M. de Muelenaere, manifestant la nécessité  de nommer un substitut compte tenu de l’importance de cette mission pour la politique belge : «…M. Van der Weyer désire à cause de sa santé ne pas rester plus longtemps à Lisbonne cependant il croit absolument nécessaire que son successeur soit initié par lui aux affaires et connu depuis ce printemps le général Goblet est plus que jamais l’homme qui convient et il est même très désiré comme militaire. Cette place est d’une grande importance pour la politique belge il vous est connu que de tous les pays de l’Europe le Portugal est le pays que l’Angleterre a pris le plus spécialement sous sa protection. Cette position des choses ne date point d’hier et quel que puisse être le ministère en Angleterre, le Portugal lui sera toujours cher et un objet de sollicitude. Vous savez que le parti conservatif en Angleterre n’aime nullement la Belgique ; il est donc d’une haute importance qu’elle ait un point de contact avec l’Angleterre qui soit un lien avec elle quel que puisse être le parti politique qui la gouvernerait. Ce lien nous le trouvons dans nos relations avec le Portugal et par la position qu’elles donnent au ministre de Belgique. Le général Goblet remplira bien cette mission car il est bien vu du Roi et du duc de Wellington et également de lord Palmerston et de son parti circonstance rare et fort heureuse» apud Juste, Théodore. Le lieutenant-général comte Goblet d’Alviella, ministre d’état, Muquardt, 1870, pp. 96-98.

[6] Ibidem, pp. 98-99.

[7] Ibidem, pp. 100-102.

[8] Ibidem, p. 102.

[9] «Dona Maria, par la grâce de Dieu et par la constitution de la monarchie, reine de Portugal et des Algarves, etc. etc. faisons savoir à ceux qui les présentes verront, que désirant donner un témoignage de bienveillance particulière au général Albert Joseph Goblet, envoyé extraordinaire et ministre plénipotentiaire de SM le Roi des Belges, pour les preuves positives qu’il a données d’un intérêt efficace et actif pour le triomphe et glorieux succès de la cause portugaise, lorsque en 1833 il était ministre des affaires étrangères ; voulant aussi, dans sa personne, témoigner ma reconnaissance des secours philanthropiques donnés en Belgique aux émigrés portugais, et ayant en outre égard au zèle et à l’attachement que le susdit général a constamment montrés en faveur de la nation portugaise, comme aussi la haute opinion que j’ai de lui et l’estime spéciale qu’il a su m’inspirer, dans tout le cours de la mission qui lui fut confiée près de ma personne j’ai trouvé bon de l’élever à la grandesse de ces royaumes sous le titre de comte d’Alviella, et ordonnons que ledit général Albert Joseph Goblet s’appelle désormais comte d Alviella, et qu’à ce titre il jouisse de tous les honneurs prééminences prérogatives et exemptions qu’ont et qu’ont eus, dont profitent et profiteront toujours les comtes de ces royaumes, comme il leur appartient par le droit l’usage et l’ancienne coutume…», ibidem, pp. 105-106.

[10] Goblet D’Alviella, E. L’établissement des Cobourg en Portugal Étude sur les débuts d’une monarchie constitutionnelle. Écrit sous les yeux du lieutenant général comte Goblet d’Alviella ancien envoyé de Belgique à Lisbonne, Bruxelles, 1869.

 

Um Herói da Grande Guerra revisitado: Armando Ferraz

Por Paulo Jorge Estrela

Há um episódio histórico, e quase mítico, sobre a participação de Portugal na Grande Guerra que é conhecido por quase todos: o épico confronto entre um Arrastão de pesca português convertido em Caça-Minas, e rebaptizado de Augusto de Castilho e um grande e moderno Submarino Cruzador alemão – o U-139, de forma a proteger um Navio da Marinha Mercante portuguesa, o São Miguel.

São muitas as referências bibliográficas e Sites onde este episódio é relatado e como tal não iremos aprofundá-lo. Em todos se realçam a desproporção de forças em confronto (quer em tonelagem quer em poder bélico: número de peças e seus calibres); a forma heróica como, abnegadamente, o heróico capitão do caça-minas, Comandante Carvalho Araújo, se bateu até à morte e ao afundamento do seu navio; a surpresa, e respectiva homenagem, da tripulação do submarino alemão perante tal reacção portuguesa; a curiosa situação de tudo ter sido fotografado e filmado por um Oficial alemão; ou ainda, o esforço suplementar a que os sobreviventes foram obrigados, naufragando em pleno mar oceânico durante uma semana, quase sem mantimentos e sem instrumentos de navegação, numa pequena balsa…

http://museu.marinha.pt/Museu/Site/PT/Extra/Popups/Oca%C3%A7aminasAugustoCastilho.htm

http://www.pontoblogue.com/2008/10/heroicidade-no-mar-o-caa-minas-augusto.html

http://naval.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_09.html

Quer no Museu da Marinha quer no Museu Militar de Lisboa, existem óleos de grandes proporções, que ilustram este episódio, o que é bem demonstrativo da importância que o mesmo teve…

O que nos leva a colocar este post é o facto de, recentemente, nos termos deslocado ao Museu de Marinha e diligenciado para se alterar ligeiramente o espólio falerístico exposto referente ao Imediato do caça-minas, o Guarda-marinha Manuel Armando Ferraz.
Está patente ao público, numa das salas deste Museu, um conjunto com as suas mais emblemáticas condecorações, todas concedidas como recompensa dos seus vários actos heróicos relacionados com o citado episódio, e que apresentamos uma fotografia.

Como podemos verificar, trata-se do Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, e no meio, quatro condecorações portuguesas: o grau de Oficial da referida Ordem; a Medalha da Cruz de Guerra de 1ª classe; a Medalha dos promovidos por distinção; e ainda a Medalha de ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade, do Instituto de Socorros a Náufragos.
Para memória futura, aqui ficam os respectivos diplomas legais que as concederam:

Decreto de 29 de Novembro de 1918 (D.G. 281, 2ª Série, 1918 e rectificação no D.G. 205, 2ª Série, 1924)
«Tendo em muita consideração a brilhante conduta da guarnição do Caça-Minas Augusto de Castilho, do comando do 1º Tenente da Armada José Botelho de Carvalho Araújo, no combate travado no dia 14 de Outubro último, a 200 milhas dos Açores, com um grande submarino alemão armado de duas peças de 15cm, quando comboiava o Paquete S. Miguel, em viagem do Funchal para Ponta Delgada, salvando pelo seu heróico cometimento este navio de ser torpedeado e afundado com numerosos passageiros, sendo também dignos do maior elogio alguns actos de inexcedível bravura praticados não só durante o combate como ainda na perigosa travessia, por espaço de seis dias, feita pelas últimas praças que tiveram, numa pequena embarcação arrombada e desprovida de víveres e instrumentos náuticos, de abandonar, com o Guarda-Marinha Imediato, Manuel Armando Ferraz, o referido Caça-Minas, depois do intensivo fogo suportado valentemente e de esgotadas por completo as próprias munições da sua inferior artilharia: hei por bem, sob proposta do Secretário de Estado da Marinha, decretar que sejam galardoados tão relevantes feitos, promovendo por distinção e concedendo a Cruz de Guerra àqueles que bem mereceram da Pátria e como em seguida vai designado:

Guarda-Marinha Manuel Armando Ferraz, com vários ferimentos em combate – promoção a 2º Tenente, sem prejuízo de antiguidade, Cruz de Guerra de 1ª classe e 3º grau da Ordem da Torre e Espada, pela bravura e energia com que se conduziu no combate que no dia 14 de Outubro teve lugar entre o Caça-Minas Augusto de Castilho, do qual era Imediato, e o submarino alemão que pretendia afundar o paquete S. Miguel, que aquele comboiava, não só auxiliando o seu comando na direcção do combate como depois da morte deste, tendo sido obrigado a abandonar o navio por falta de munições, revelou inexcedíveis qualidades de comando, vastos conhecimentos e competência, conseguindo conduzir a porto de salvamento, apesar de ferido e durante uma viagem de cerca de 200 milhas, uma pequena embarcação arrombada, em que se alojavam 12 sobreviventes, quase todos feridos, sem instrumentos náuticos, sem velas, quase sem mantimentos e água, animando com o seu exemplo de energia e trabalho constante durante seis dias e seis noites, sem nunca esmorecer, a tripulação daquele frágil bote.»


Decreto de 28 de Maio de 1919 (D.G. 127, 2ª Série, 1919)
«Tendo em vista o que dispõe o Regulamento do Instituto de Socorros a Náufragos, aprovado pelo Decreto nº 1.029, de 6 de Novembro de 1914, e em harmonia com a consulta da Comissão Executiva Central do mesmo Instituto: hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, conceder a Medalha de ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade, ao Guarda-Marinha, Manuel Armando Ferraz, pelos relevantíssimos serviços que prestou conseguindo pôr a porto de salvamento uma pequena embarcação do Caça-Minas Augusto de Castilho, em que se alojaram doze sobreviventes, quase todos feridos do combate travado entre o referido Caça-Minas e um submarino alemão, em 14 de Outubro de 1918, tendo percorrido 200 milhas durante seis dias sem instrumentos náuticos e quase sem mantimentos.»
Mas existe um pequeno detalhe falerístico referente a este Oficial da Armada portuguesa (que acaba a sua carreira como Contra-almirante) que nunca é referido. Este nosso herói naval, foi igualmente reconhecido pelo governo de Sua Majestade Britânica, que lhe concedeu a sua distintíssima Distinguished Service Cross, e que foi caso único em Portugal.

Esta condecoração britânica que premeia o valor e a coragem (Gallantry) no mar dos Oficiais subalternos e Capitães, foi criada em 1901 com outro nome – Conspicuous Service Cross – e em 1918 passou a denominar-se com a actual designação, sendo que a sua concessão autoriza o acrescento da sigla DSC no fim do nome do agraciado.

A fotografia apresentada é uma DSC, com o centro do anverso idêntico à do Armando Ferraz, já que este vai variando de acordo com o monarca reinante, e no caso, trata-se da cifra do rei (e Imperador da Índia) Jorge V.
A autorização oficial para a receber e usar foi dada pelo Despacho ministerial de 27 de Abril de 1924, mas somente publicada em Ordem à Armada nº 2, de 1926.

Ora, é com agrado que podemos reportar que a Direcção daquele Museu anuiu à nossa sugestão, e a DSC britânica deste nosso herói – única condecoração britânica deste tipo concedida a um português – irá sair da caixa forte onde estava depositada e ficar patente ao público, sendo uma mais-valia, não só para o visitante português mais atento, mas especialmente para o visitante britânico, muito mais atento a estes detalhes e maior conhecedor da sua herança falerística…

Para rematarmos esta pequena história, apresentamos uma fotografia de coleccção particular, onde podemos ver o “nosso homem”, envergando o seu Grande Uniforme de Oficial da Armada e ostentando as suas condecorações, nomeadamente a Distinguished Service Cross.

Richard Henry Major, Com Torre e Espada, Com Santiago

File:Ricardo Henrique Major - O Occidente (11Mar1894).png

Richard Henry Major (1818 – 1891) foi um Geógrafo, tendo exercido os cargos de Conservador da colecção de Mapas do Museu Britânico e de Secretário da prestigiada Hakluyt Society. Em 1845 foi eleito Membro da Royal Geographical Society, da qual foi secretário (1866-1881) e vice-presidente (1881-84) e, em 1854, Membro daSociety of Antiquaries (Cf. Oxford Dictionary of National Biography entry, por Elizabeth Baigent).

Interessou-se particularmente sobre o descobrimento da Austrália, sobre o qual publicou três livros, designadamente The Discovery of Australia By The Portuguese In 1601 five years before the earliest discovery hitherto recorded … London, Printed by J.B. Nichols, 1861 (Sobre a descoberta da Austrália cf. Des Cowley, European Voyages of Discovery, in «The La Troube Journal», # 41, Autumn 1988, State Library of Victoria).

A obra dedicada à Academia Real das Ciências de Lisboa foi por esta mandada traduzir pelo sócio efectivo D. José de Lacerda e publicada sob o título «Descobrimento da Australia pelos portuguezes em 1601: cinco annos antes do primeiro descobrimento até entáo mencionado», de Richard Henry Major, tradução de D. José de Lacerda, Typographia da Academia, 1863.

Posteriormente, dedicou um estudo ao Infante D. Henrique publicado em 1868,The Life of Prince Henry of Portugal, Surnamed the Navigator, and its Results, com uma 2ª ed. em 1877 (há várias reimpressões recentes, vg. a editada por Thomas Nelson, 1967, e a de Kessinger Publishing, LLC, January 29, 2010).

O seu estudo pioneiro sobre a primazia portuguesa da descoberta da Austrália valeu-lhe ser agraciado por el-Rei D. Pedro V com o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 30 de Julho de 1861 (Decreto de 30 de Julho de 1861, publicado no D.L. # 196).

O favorável acolhimento do seu livro sobre o Infante D. Henrique levou el-Rei D. Luís I a promovê-lo ao grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada, em Fevereiro de 1868, sob proposta do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, «fundada nas qualidades do agraciado e no seu reconhecido merecimento literário» (Decreto de 18 de Fevereiro de 1868, publicado no D.L. # 164).

E, de novo em 1875, D. Luís I agraciou-o com o grau de comendador da Ordem de Santiago, do Mérito Scientífico, Litterário e Artístico, a primeira das antigas ordens militares a ser reformada sob a monarquia constitucional em 1862, e que se destinava a recompensar “o assignalado merecimento pessoal e relevantes serviços prestados ás sciencias, ás lettras e ás boas artes, tanto em ensino público, como em obras escriptas e obras artísticas” (Decreto de 8 de Abril de 1875, publicado no D.G. # 79. Agradeço a Paulo Estrela – secretário da Academia Falerística de Portugal, a indicação destas fontes).

Henry Major receberia ainda em 1873, o grau de Comendador da Ordem da Rosa, conferido pelo Imperador Dom Pedro II e, no ano seguinte, o grau de comendador da Ordem da Coroa de Itália, conferida pelo Rei Victor Emanuel II pelo seu trabalho sobre Voyages of the Venetian Brothers N. and A. Zeno (cf. Cf. Oxford Dictionary of National Biography entry, por Elizabeth Baigent)..

Henry Major usou um ex-líbris armoriado, de interesse acrescido por ostentar o Colar da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, certamente feito em data posterior a 1861, em que foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem (Inventariado sob o # 19539, Franks Bequest , Catalogue of British and American book plates bequested to the Trustees of the British Museum by Sir Augustus Wollaston Franks, by E.R.J. Gambier Howe, Vol. 2, 1903).

 

 

 

 

 

Originally posted 5.10.2011 by José Vicente de Bragança at 10:22

THE CONSTANTINIAN ORDER OF SAINT GEORGE, Guy Stair Sainty

À história da Ordem Constantiniana de S. Jorge, da Casa Real das Duas-Sicílias, de que é Grão-Mestre S.A.R. o Príncipe D. Pedro de Borbón-Duas Sicilias, Duque de Calábria, acaba de ser dedicado um novo estudo da autoria de Guy Stair Sainty prestigiado investigador e autor de várias obras sobre Ordens de Cavalaria, Genealogia, Heráldica, Realeza e Nobreza Europeia e Arte.

978843402506600002

Trata-se de um luxuoso e ricamente ilustrado volume, em edição do Boletim Oficial do Estado, de Madrid, com informação maciça e análise académica da história e evolução da Ordem até à actualidade, baseado numa sólida investigação de fontes, algumas inéditas, em Arquivos de Roma, Nápoles e Madrid.

Desde a sua lendária criação pelo Imperador Constantiniano, passando pela sua fundação na segunda metade do século XVI pelos irmãos Ângelo, a transferência do grão-mestrado para a Casa Farnésio, duques de Parma e Piacenza, e os seus herdeiros os Bourbons, reis de Nápoles e da Sicília, mais tarde Reis das Duas-Sicílias, a história da ordem é detalhadamente analisada e discutida, com referência às suas relações com a Santa Sé, as alterações estatutárias, a sua administração e composição.

A fundação no ducado de Parma, de ordem homónima, sob a arquiduquesa Maria Luísa de Habsburgo, ex-Imperatriz dos Franceses é igualmente analisada em capítulo autónomo. Em capítulos autónomos são tratados os grão-mestrados dos reis das Duas-Sicílias Francisco I e Fernando II, do último rei Francisco II, deposto em 1861, falecido no exílio em 1894, e dos Príncipes não-reinantes Afonso, Conde de Caserta, Chefe da Casa Real de Bourbon Duas-Sicílias e Grão-Mestre da Ordem, de 1894 a 1934 e de seu filho o Príncipe Fernando Pio, Duque de Calábria, Grão-Mestre, de 1934-1960. Sob o mestrado do Conde de Caserta deu-se o que o A. apelida de internacionalização da Ordem, analisando-se as consequências da aproximação entre a Santa Sé e o novel Reino de Itália.

Os três últimos capítulos são dedicados à disputada sucessão do Grão-Mestrado em 1960, após a morte de Fernando Pio, Duque de Calábria, que recaiu em seu sobrinho o Príncipe Afonso (1901 – 1964), Infante de Espanha, Duque de Calábria e Chefe da Casa Real das Duas-Sicílias, filho do Príncipe Carlos de Bourbon Duas-Sicílias e de Mercedes, Princesa das Astúrias, ao Grão-Mestrado do Príncipe Don Carlos (1964-2015), Duque de Calábria e Infante de Espanha e à Ordem na actualidade sob a Chefia do Príncipe Dom Pedro de Bourbon das Duas-Sicílias, Duque de Calábria e Chefe da Casa Real das Duas-Sicílias.

A obra é enriquecida por IX Apêndices, designadamente, com a Lista dos Grã-Mestres, a Estatutos e Regulamentos, incluindo os Regulamentos e o Manuel de Heráldica, as Comendas Constantinianas, Documentos Pontifícios relativos à Ordem, a Pragmática Sanção de 1759, o importante Parecer do Conselho de Estado, de Espanha, sobre a sucessão no grão-mestrado do Ordem e, da autoria do Professor Doutor Radu Albu-Comãnescu, estudos sobre as Dinastias Albanesas, dos Balcãs e Gregas, relacionadas com os Angeli de Drivasto, e sobre a Ordem Constantiniana da Família dos Cantacuzenos.

Copiosa Bibliografia e Índice de Nome encerram a obra.

Trata-se de uma obra de referência para os que se interessam pelas ordens de cavalaria e da sua subsistência no mundo contemporâneo, sobretudo por esta antiga Ordem Dinástica da Casa Real das Duas-Sicílias cuja chefia ainda hoje permanece disputada porém sem fundamento, como esta obra ampla e fundamentadamente demonstra à exaustão, do ponto de vista histórico e jurídico.

O A. publicou vários estudos sobre ordens de cavalaria designadamente sobre as Ordens de S. João, sobre a Ordem do Tosão de Ouro e, sobre as Ordens de Cavalaria e de Mérito da Casa de Bourbon das Duas-Sicílias além de ter sido o co-editor da opera magnum World Orders of Knighthood and Merit, em 2 vols., editada pela Burke’s Peerage, 2006.

Guy Stair Sainty é Cavaleiro da Ordem de S. Januário, Bailio Cavaleiro Grã-Cruz de Justiça da Ordem Constantiniana de S. Jorge e seu Vice-Grande-Chanceler, Cavaleiro de Justiça da Venerável Ordem de S. João, Comendador com Placa da Ordem de S. Gregório, o Magno, Comendador da Ordem de S. José, da Toscânia e Comendador da Ordem de Isabel, a Católica.

Foi anunciada uma edição em língua Espanhola para breve.