Heróis esquecidos II

(Publicado originalmente, sábado, 11 de julho de 2009)

Paulo Jorge Estrela

Capitão António Maria Teles Freire

[Campanha do Barué, Moçambique, 1917]

Medalha de prata de Valor Militar, letra “C”

Med-Valor-C-1-prataCondecorado com a Medalha Militar de prata da classe de Valor Militar, letra “C”, o Capitão de Infantaria, em serviço na Guarda Nacional Republicana, António Maria Teles Freire, porque sendo subalterno da 1ª Companhia Indígena de Infantaria da Companhia de Moçambique que, fazendo parte da Coluna do Gorongoza, operou em 1917 na última revolta do Barué, se distinguiu pela energia, serenidade, sangue frio e coragem com que soube comandar o seu pelotão, sempre na guarda avançada da coluna em todos os combates e recontros, nomeadamente nos combates do Rio Mutacuduri, em especial na travessia do vau de Xideu, em que, à força de estímulo e com o próprio exemplo, encorajou a sua fracção, com água pelo peito e sob fogo mortífero dos revoltosos até à difícil escalada da margem, que primeiro alcançou, organizando com rapidez o ataque à posição ocupada pelos revoltosos e secundando com a sua força e debandada das trincheiras. Este Oficial dirigiu com acerto alguns raids quando Comandante do Posto de Inhandar, dos quais se colheram óptimos resultados.
– Decreto de 12 de Fevereiro de 1921 (Ordem do Exército nº 3 / II Série / 1921)

Soldado Jacinto Mundau
[Incidente das Portas do Cerco, Macau, 1952]

– Medalha de cobre de Valor Militar
Condecorado com a Medalha de cobre de Valor Militar, a título póstumo, nos termos do § 2° do artigo 8° do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por satisfazer às condições expressas no § 1° do artigo 7° do mesmo regulamento, o Soldado Indí­gena de Moçambique, Jacinto Mundau, nº 50/A/335, da 2ª Companhia do Batalhão de Caçadores nº 1, da guarnição militar da Província de Macau, porque, quando se procedia ao encerramento da fronteira na tarde de 25 de Julho do ano findo, foi atingido grave­mente com tiros, disparados por militares chineses, que lhe causaram a morte, quando, desarmado, lutava corpo a corpo, a fim de libertar e trazer para território na­cional um seu camarada, que, apanhado de surpresa, era arrastado para território chinês, demonstrando valentia, coragem e dedicação patriótica.

– Portaria de 6 de Maio de 1953 (Ordem do Exército nº 9 / II Série / 1953)

2º Subchefe da PSP, Manuel Miguéns Maria
[Guerra do Ultramar, Moçambique, 1972]
– Medalha de cobre de Serviços Distintos, com palma
Med-SD-cobre-1Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, louvar, por proposta do Comandante-chefe das Forças Armadas de Mo­çambique, o 2º Subchefe nº 362/1701, Manuel Miguéns Maria, porque vem desempenhando as fun­ções de Chefe da Secção de Informações do Desta­camento Policial do Songo com muita dedicação, espírito de sacrifício e forma altamente eficiente.
Ajudando a estruturar e organizar a rede infor­mativa, em termos de poder responder às inúmeras solicitações apresentadas por uma guerra subversiva, soube o Subchefe Miguéns, no cumprimento das di­rectivas do comando e com o entusiasmo que possui, adensar e dilatar essa estrutura informativa com uma eficiência digna dos maiores encómios.
Elemento leal e dedicado, de um dinamismo fora do vulgar, vem a desenvolver uma intensa actividade informativa, para a qual tem dedicado muitas horas do seu justo descanso e corrido sérios riscos.
Conseguiu, através dessa rede e usando subterfúgios e expediente imaginosos, notícias preciosas e impor­tantes, que, transmitidas às entidades competentes e por estas exploradas, têm vindo a contribuir para a detenção de muitos elementos ligados ao inimigo e para a destruição das estruturas político-militares em diversas áreas.
Pelas qualidades apontadas, considero que o Sub­chefe Miguéns vem desempenhando um importante serviço de carácter militar, por forma a merecer louvor individual a ser publicado na Ordem do Exér­cito, considerando extraordinários e importantes os serviços prestados.
– Portaria de 31 de Maio de 1973 (Diário de Governo nº 135 / II Série / 1973)

Furriel Piloto-Aviador Augusto Krug

[Viriatos, Guerra Civil de Espanha, 1938]
– Medalha de prata de Valor Militar, com palma

Med-Valor-palma-1-prataFurriel Piloto-Aviador Augusto Krug, porque, tendo-se oferecido para servir na Missão Militar Portuguesa de Observação cm Espanha, denotou sempre grande ardor combativo, coragem, decisão e espírito de sacri­fício, especialmente demonstrado no difícil e arris­cado serviço de acompanhamento, em que mereceu os mais rasgados elogios dos seus chefes e camaradas espanhóis, e ainda porque em 14 de Agosto de 1938, tripulando o avião nº 5 da “Cadena”, que colaborava no ataque à Serra de Pandols, tendo o seu avião sido atingido com bala explosiva no aileron esquerdo e com os comandos de direcção avariados, com grande risco, sangue-frio e habilidade, em vez de se lançar em pára-quedas, como em casos semelhantes era cor­rente na guerra, conduziu o aparelho ao primeiro terreno onde pôde aterrar, conseguindo assim salv­á-lo, procedimento este que deu origem a merecidos louvores de entidades espanholas e a um telegrama em que o General Comandante do Exército do Ar en­carregou o Chefe da Aviação de Cooperação de trans­mitir as suas felicitações a este piloto pela sua bri­lhante actuação.

– Portarias de 18 e 22 de Maio de 1940 (Ordem do Exército nº 11, II Série, 1940)

 

Homenagem a Sacadura Cabral (1881-1924)

sábado, 21 de fevereiro de 2009 (originalmente publicado no Blog PHALERAE

Homenagem a Sacadura Cabral

Paulo Jorge Estrela

Mar-indiv-12

Na senda das homenagens a Gago Coutinho é impossível esquecer o outro elemento da mais famosa dupla da História de Portugal: Sacadura Cabral.
Depois de viver anos de apoteose nacional e internacional junto de Gago Coutinho, o Piloto Aviador Naval responsável pela pilotagem dos três aeroplanos que fizeram a famosa travessia do Atlântico Sul, este Oficial de Marinha vai ter um fim trágico.
Em 1923 começou a trabalhar para o seu projecto de reunir condições que permitissem um inédito voo de circum-navegação, segundo a rota de Fernão de Magalhães.
Com ofertas várias e com as subscrições abertas em Portugal e no Brasil, conseguiu reunir dinheiro para a compra de 5 aviões Fokker T III W, que escolheu para o dito projecto. Em Junho de 1924 partiu para os Países-Baixos para assistir à recepção oficial dos aeroplanos e regressou a Portugal um mês depois, pilotando um desses aviões.
Em Novembro do mesmo ano regressou à Holanda, com outros pilotos, para trazerem os outros que faltavam.
No dia 15 de Novembro de 1924, Sacadura Cabral, e o seu Mecânico Pinto Correia, morrem quando, enfrentando condições climatéricas muito adversas, o seu avião caiu (por causas ainda hoje desconhecidas) algures no Mar do Norte, após a saída de Amesterdão e quando se dirigia para Lisboa.
Como alguém disse, de uma forma muito poética: “O mar foi a sua mortalha e o avião a sua tumba”

O mundo civilizado ficou chocado com a trágica morte deste herói da aviação e, quando do desastre foram mobilizados meios imensos para encontrar e resgatar o seu corpo, no entanto todos os trabalhos foram infrutíferos. É em consequência deste esforço internacional que será publicado um decreto que vai conceder algumas Ordens Honoríficas Portuguesas para premiar aqueles que, sendo estrangeiros, mais se empenharam na busca.

Decreto de 10 de Agosto de 1927 (Diário de Governo nº 193, II Série, de 1927)
Ministério da Marinha, Repartição do Gabinete
Usando da faculdade que me confere o n.º 2 do artigo 2.º do Decreto n.º 12.740, de 26 de Novembro de 1926, sob propostas do Ministro da Marinha, aprovadas pelos respectivos Conselhos das Ordens Militares de Avis e de Cristo, depois de prévias informações favoráveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros: hei por bem decretar que os Oficiais e cidadãos de diversas nacionalidades, abaixo mencionados, que intervieram nas buscas realizadas por ocasião do desastre, ocorrido no mar, que vitimou o Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura Freire Cabral e o Mecânico José Pinto Correia, sejam condecorados com os graus das referidas Ordens que lhes vão indicados:

  • Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis:
    Robert-Marie-Gabriel-Alfred De Marguerye, Vice-Almirante da Marinha Francesa
    C. C. Zegers Ryser, Contra-Almirante da Marinha Holandesa
    D. Luis Pasquín y Reinoso, Contra-Almirante da Marinha Espanhola
  • Comendador da Ordem Militar de Avis:
    Hautefeuille, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
    E. A. Mesnage, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
    L. C. P. Pochart, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
    Gautret de la Moricière, da Marinha Francesa

Edmond Grabbe, Capitão-Tenente da Marinha Belga

  • Oficial da Ordem Militar de Avis:
    C. A. Weemhoff, 1º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
    Bouleau, 1º Tenente da Marinha Francesa
    Loudes, 1º Tenente da Marinha Francesa
    G. E. Benoit, 1º Tenente da Marinha Francesa
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Avis:
    P. van Lenning, 2º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
    A. J. E. Deshayes, Guarda-Marinha da Marinha Francesa
    J. M. L. Guillemin, Guarda-Marinha da Marinha Francesa
  • Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo:
    Joseph Daems, Cidadão belga, Chefe do Aeródromo de Ostende
    Pierre Martinsen, Cidadão belga, Mestre da Traineira 87 Emmanuel

 

sábado, 21 de fevereiro de 2009
Homenagem a Sacadura Cabral
Na senda das homenagens a Gago Coutinho é impossível esquecer o outro elemento da mais famosa dupla da História de Portugal: Sacadura Cabral.
Depois de viver anos de apoteose nacional e internacional junto de Gago Coutinho, o Piloto Aviador Naval responsável pela pilotagem dos três aeroplanos que fizeram a famosa travessia do Atlântico Sul, este Oficial de Marinha vai ter um fim trágico.
Em 1923 começou a trabalhar para o seu projecto de reunir condições que permitissem um inédito voo de circum-navegação, segundo a rota de Fernão de Magalhães.
Com ofertas várias e com as subscrições abertas em Portugal e no Brasil, conseguiu reunir dinheiro para a compra de 5 aviões Fokker T III W, que escolheu para o dito projecto. Em Junho de 1924 partiu para os Países-Baixos para assistir à recepção oficial dos aeroplanos e regressou a Portugal um mês depois, pilotando um desses aviões.
Em Novembro do mesmo ano regressou à Holanda, com outros pilotos, para trazerem os outros que faltavam.
No dia 15 de Novembro de 1924, Sacadura Cabral, e o seu Mecânico Pinto Correia, morrem quando, enfrentando condições climatéricas muito adversas, o seu avião caiu (por causas ainda hoje desconhecidas) algures no Mar do Norte, após a saída de Amesterdão e quando se dirigia para Lisboa.
Como alguém disse, de uma forma muito poética: “O mar foi a sua mortalha e o avião a sua tumba”

O mundo civilizado ficou chocado com a trágica morte deste herói da aviação e, quando do desastre foram mobilizados meios imensos para encontrar e resgatar o seu corpo, no entanto todos os trabalhos foram infrutíferos. É em consequência deste esforço internacional que será publicado um decreto que vai conceder algumas Ordens Honoríficas Portuguesas para premiar aqueles que, sendo estrangeiros, mais se empenharam na busca.

Decreto de 10 de Agosto de 1927 (Diário de Governo nº 193, II Série, de 1927)
Ministério da Marinha, Repartição do Gabinete
Usando da faculdade que me confere o n.º 2 do artigo 2.º do Decreto n.º 12.740, de 26 de Novembro de 1926, sob propostas do Ministro da Marinha, aprovadas pelos respectivos Conselhos das Ordens Militares de Avis e de Cristo, depois de prévias informações favoráveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros: hei por bem decretar que os Oficiais e cidadãos de diversas nacionalidades, abaixo mencionados, que intervieram nas buscas realizadas por ocasião do desastre, ocorrido no mar, que vitimou o Capitão-de-Fragata Artur de Sacadura Freire Cabral e o Mecânico José Pinto Correia, sejam condecorados com os graus das referidas Ordens que lhes vão indicados:

– Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis:
Robert-Marie-Gabriel-Alfred De Marguerye, Vice-Almirante da Marinha Francesa
C. C. Zegers Ryser, Contra-Almirante da Marinha Holandesa
D. Luis Pasquín y Reinoso, Contra-Almirante da Marinha Espanhola

– Comendador da Ordem Militar de Avis:
Hautefeuille, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
E. A. Mesnage, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
L. C. P. Pochart, Capitão-de-Fragata da Marinha Francesa
Gautret de la Moricière, da Marinha Francesa
Edmond Grabbe, Capitão-Tenente da Marinha Belga

– Oficial da Ordem Militar de Avis:
C. A. Weemhoff, 1º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
Bouleau, 1º Tenente da Marinha Francesa
Loudes, 1º Tenente da Marinha Francesa
G. E. Benoit, 1º Tenente da Marinha Francesa

– Cavaleiro da Ordem Militar de Avis:
P. van Lenning, 2º Tenente Aviador da Aviação Holandesa
A. J. E. Deshayes, Guarda-Marinha da Marinha Francesa
J. M. L. Guillemin, Guarda-Marinha da Marinha Francesa

– Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo:
Joseph Daems, Cidadão belga, Chefe do Aeródromo de Ostende
Pierre Martinsen, Cidadão belga, Mestre da Traineira 87 Emmanuel

 

Prof. Dr. Júlio de Jesus Martins

Júlio Martins_1

In Memoriam

Júlio de Jesus Martins (08/11/1912 – 06/01/1993)

Capitão Miliciano, Licenciado em Filologia Clássica (FLL), Curso de Ciências Pedagógicas (UC). Iniciou a sua carreira como professor do ensino liceal e técnico, primeiro no Liceu de Faro, e depois no Liceu Pedro Nunes e na Escola Industrial Machado de Castro e, finalmente como professor efectivo do Colégio Militar.

Em 1944 fundou a Didáctica Editora com Américo Silvino Palma, Eduardo Marinho Alves de Moura e António Vicente Teixeira. Foi autor de manuais de Português e de Selectas para o ensino da Literatura – de Camões, Alexandre Herculano, Gil Vicente e Almeida Garrett.

Condecorações:

Oficial da Ordem Militar de Avis (1955)

Oficial da Ordem da Instrução Pública (1951)

Medalha de Serviços Distintos, Prata

Medalha Naval Comemorativa do 5º Centenário da morte Infante D. Henrique (1963)

Medalha Comemorativa do Nascimento de Lauro Muller (Brasil) (1967)

Medalha Marechal Trompowsky (Brasil) (1960)

Medalha do Pacificador (Brasil) (1959)

Medalha de Silvio Roméro (Brasil)

Júlio Martins_2

«Bibliografia

Epítome de gramática portuguesa (em colaboração com Pires de Castro), Lisboa, 1940. Lições elementares de literatura portuguesa (7º ano), Lisboa, 1940. Manual elementar de literatura portuguesa (em colaboração com Óscar Lopes), Lisboa, 1941. “O actual sistema de exames: breve notícia histórica”, Liceus de Portugal, n.º 30 a n.º 32, 1943 e 1944, pp. 2436-2463, pp. 2525-2546 e pp. 2605-2612. “Exames de aptidão para a primeira matrícula nas universidades: resultados obtidos em 1943”, Liceus de Portugal, n.º 33, 1944, pp. 2690-2696. “Serviço de pontos para exames: algumas notas sobre o seu funcionamento em 1943”, Liceus de Portugal, n.º 34, 1944, pp. 2753-2767. “Exames realizados em 1943”, Liceus de Portugal, n.º 34, 1944, pp. 2770-2773. “Exames de admissão aos liceus: resultados obtidos em 1944”, Liceus de Portugal, n.º 37, 1944, pp. 23-44. “Exames do 2º ciclo: resultados obtidos nos liceus de Lisboa”, Liceus de Portugal, n.º 38, 1944. “Exames de aptidão: resultados obtidos em 1944”, Liceus de Portugal, n.º 39, 1944, pp. 214-225. Breve história da literatura portuguesa (em colaboração com Óscar Lopes), Lisboa, 1946. Contos escolhidos de autores portugueses (3º ano), Lisboa, 1952. Ditosa pátria: selecta portuguesa para os cursos de formação e ensino de aperfeiçoamento (em colaboração com Manuel da Silva), Lisboa, 1951. Os doze de Inglaterra, Lisboa, 1956. “A solução dum velho problema: a falta de uniformidade da nomenclatura gramatical”, Labor, n.º 191, 1960, pp. 309-325. Manual elementar de ortografia com exercícios de aplicação, Lisboa, 1961. Selecta Literária (3º/4º/5º anos) (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 2 vols., 1962. Caderno de Português: questionário gramatical e exercícios de revisão sobre o programa liceal (1.º ano) (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1963. Vamos ler: livro de língua portuguesa para o ensino primário complementar (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1966. Caderno de Português: questionário gramatical e exercícios de revisão sobre o programa liceal (2º ciclo) (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1967. Colectânea de textos da língua portuguesa (em colaboração com Jaime da Mota), Lisboa, 1972. Nova colectânea: textos de língua portuguesa (7º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares e Jaime da Mota), Lisboa, 1976. Nova colectânea: textos de língua portuguesa (8.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares e Jaime da Mota), Lisboa, 1977. Nova colectânea: textos de língua portuguesa (9.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares e Jaime da Mota), Lisboa, 1978. Textos de língua portuguesa (10º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 2 vols., 1978. Textos de língua portuguesa (9º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 1980. Textos de língua portuguesa (11º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 2 vols., 1980. Textos de língua portuguesa (7.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 1981. Textos de língua portuguesa (8º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário do Carmo, M. Carlos Dias e Jaime da Mota), Lisboa, 1981. Ler e comunicar: português (7º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário Carmo, Cristina Pimentel e M. Carlos Dias), Lisboa, 1983. Ler e comunicar: português (8.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário Carmo, Cristina Pimentel e M. Carlos Dias), Lisboa, 3 vols., 1984. Ler e comunicar: português (9.º ano de escolaridade) (em colaboração com Cecília Soares, Mário Carmo, Cristina Pimentel e M. Carlos Dias), Lisboa, 3 vols., 1985. Aprender português: gramática teórico-prática (5º e 6º anos de escolaridade) (em colaboração com Leonor Sardinha e Carmen Nunes), Lisboa, 1990. Português: Textos e actividades (11º ano de escolaridade) (em colaboração com Mário Carmo, Cecília Soares, M. Carlos Dias e Manuel Lopes), Lisboa, 1991. n Labor. Liceus de Portugal.»

apud, Jorge Ramos do Ó, «GAMEIRO Ottolini, RAQUEL ROQUE», in António Nóvoa (dir.), Dicionário de Educadores Portugueses, Porto, Edições Asa, 2003, pp. 891-893, com adaptações.

Deux diplomates belges

 Impliqués dans la consolidation de la monarchie constitutionnelle

José Vicente de Bragança (AFP)

 

d. maria ii_wjward
Dona Maria II
WARD, William James, sculp., João Zephaniah Bell, pinxit. , Londres : Hodgson Boys & Boys, 1835, © BNP

Jean-Sylvain Van de Weyer (1802-1874) et le général Albert Joseph Goblet d’Alviella (1790-1873) qui se sont distingués comme hommes d’État et diplomates du Royaume de Belgique ont été appelés par le roi Léopold Ier de Belgique à effectuer de délicates missions diplomatiques. au Portugal entre les années 1836-1838, à la veille de l’implantation de la monarchie constitutionnelle. Et par leur performance, ils ont reçu des faveurs royales de la jeune reine D. Maria II.

van der weydenVan De Weyer, jeune révolutionnaire dès la première heure de la révolution belge contre l’intégration au Royaume des Pays-Bas en septembre 1830, faisait partie du gouvernement provisoire et était envoyé à Londres pour des missions diplomatiques. L’indépendance a été proclamée le 4 octobre 1830 et les Hollandais ont été expulsés. La monarchie constitutionnelle a été adoptée et le conflit ouvert a été soumis à l’arbitrage lors d’une conférence internationale à Londres. Le Congrès belge, réuni le 4 octobre 1831, élit le roi des Belges, le prince Léopold de Saxe-Cobourg-Gotha, qui, le 21 juillet, prêta serment. Léopold I le nomme Van De Weyer Envoyé Extraordinaire à la cour de Saint-Jacques.

Le général Albert Joseph Goblet, doté d’une brillante carrière militaire, était ingénieur dans l’armée impériale française, combattant dans la guerre de Péninsule – dans l’armée du Portugal sous le commandement du maréchal Marmont (1812), lors de la bataille de Vitoria, qui lui a valu la Légion d’honneur, dans la défense de Saint-Sébastien (1812-1814) et d’Orthez -, se rend au service de l’armée néerlandaise en janvier 1815, après avoir participé avec bravoure à la bataille de Waterloo, qui lui a valu d’être décorée du degré de Chevalier de l’ordre de Guilherme, en août 1815.

wappers_belgian_revolution
Episode des journées de Septembre 1830, par Gustave Wappers, 1834, Musées Royaux des Beaux Arts de Belgique

Au moment de la révolution belge de 1830, il a été nommé colonel par le gouvernement provisoire. Entre 1831 et 1833, il fut successivement ministre de la Guerre et ministre des Affaires étrangères du gouvernement belge, en plus d’avoir effectué des missions diplomatiques à la Conférence de Londres. En 1835, il fut promu lieutenant général. Il fut également Aide-de-Champ du Roi Léopold Ier de 1831 à 1854 et exerça d’importantes missions diplomatiques en tant qu’envoyé extraordinaire et ministre plénipotentiaire près les tribunaux de Saxe et de Hanovre, de Saxe-Cobourg-Gotha, de Saxe-Altenbourg et de Saxe-Weimar, Mecklembourg et Oldenbourg, et les villes libres de Brême, Lübeck et Hambourg, entre 1839 et 1854.

La guerre civile qui a dévasté le Portugal à partir de 1828 a pris fin le 27 mai 1834 avec la signature de la convention d’Évora-Monte qui déterminait l’exil de D. Miguel et permettait l’intronisation de la reine D. Maria II, âgée de 15 ans seulement, instaurant le régime libéral.

Pendant la guerre civile, en 1832 et 1834 également, la Belgique de Léopold I, appuya la cause libérale en permettant le recrutement de troupes ayant combattu pendant la guerre d’indépendance de la Belgique, aboutissant à la constitution du bataillon d’Ostende et, plus tard, de la Légion Belge sous le commandement du Major Pierre Joseph Le Charlier[1].

Pour le succès des libéraux ont beaucoup contribué les changements politiques survenus en Angleterre et en France en 1830 avec l’accession des Whigs au pouvoir – le gouvernement de Earl Grey ayant Palmerston au poste de secrétaire d’État aux Affaires étrangères – et la révolution de juillet avec la déposition de Charles X et la proclamation de Louis Philippe, duc d’Orléans, roi des Français.

En effet, le 22 avril 1834, l’Angleterre et la France ont signé le traité de la quadruple alliance avec les gouvernements du Régent D. Pedro, duc de Bragance et D. Maria Cristina de Bourbon. Deux-Siciles, veuve de Ferdinand VII et Reine Régente d’Espagne, afin d’assurer et de garantir la continuité des régimes libéraux dans les monarchies ibériques.

Au cours des deux premières années du règne de D. Maria II, se sont succédé des gouvernements présidés  successivement le duc de Palmela, le duc de Saldanha, le colonel José Jorge Loureiro et le duc de Terceira  et constitués par l’aile plus conservatrice du libéralisme – les amis de Dom Pedro ou dévoristes – dont les objectifs principaux étaient d’épouser la reine, de poursuivre et de mettre en œuvre les réformes de D. Pedro, de sortir le pays du chaos provoqué par la guerre civile et le démantèlement des institutions de l’ancien régime, le tout entravé par la grave crise situation économique et financière dans laquelle le Portugal était plongé. Des difficultés ajoutées par la pression de l’aile plus radicale du libéralisme qui, après avoir gagné la guerre civile, cherchaient à se venger des partisans de D. Miguel et à participer à la distribution du “butin”, essentiellement à la vente de “biens nationaux”.

Pour la consolidation du régime il était urgent de marier la reine, ayant son père D. Pedro, duc de Bragance choisit le prince Auguste de Beauharnais, duc de Leuchtenberg et prince d’Eichstätt. Cependant, ce mariage qui s’est tenu en janvier 1835 dura peu de temps, car le prince mourrait subitement en mars de cette année.

dom_fernando_ii_of_portugal_by_sendim
Fernando II, Litografia Maurício Sendim, c. 1840, BNP

Le choix d’un nouveau fiancé reviendrait au prince Ferdinand de Saxe-Cobourg-Gotha, neveu d’Ernest Ier, duc de Saxe-Cobourg-Gotha. Cela est dû en grande partie à l’influence de ses oncles, le roi Léopold Ier des Belges et la princesse Victoria de Saxe-Cobourg-Saalfeld, duchesse de Kent et mère de la princesse Victoria de Kent, future reine Victoria de Grande-Bretagne.

Le mariage par procuration a eu lieu à Cobourg le 1er janvier 1835, la reine étant représentée par son ambassadeur Francisco de Almeida Portugal, le comte Lavradio. D. Fernando arriverait à Lisbonne le 8 avril 1836, avec la cérémonie de mariage en personne le jour suivant. D. Fernando était accompagné du docteur Frederico Kessler, son précepteur – le théologien Karl Dietz, et de Sylvain Van de Weyer, ambassadeur du roi des Belges à Londres, choisi par le roi Léopold comme “mentor” du jeune prince[2].

À son arrivée au Portugal, l’ambassadeur Jean-Sylvain van de Weyer était bien conscient de la tâche délicate et difficile que lui avait confiée le roi Léopold I. Fidèle au mandat qu’il avait reçu de Léopold I, avec le soutien de Palmerston et du ministre anglais à Lisbonne, Lord Howard de Walden, il cherchait à soutenir le trône en le protégeant contre les prétentions des «miguélistes» visant à restaurer l’absolutisme et à la fois contre les machinations des clubs jacobins et des putschs militaires éventuelles. En définitive, il s’agissait de faire en sorte que la Charte octroyée par D. Pedro en 1826 soit maintenue, exercice difficile, d’autant plus que fonctionnaires, diplomates, soldats et membres du clergé avaient leurs salaires en retard depuis plusieurs mois et que les soldats de l’armée libératrice et réaliste démobilisés, affluaient à Lisbonne, sans emploi ou occupation. Les gouvernements successifs dépourvus de fortes majorités dans les Cortes dépendaient du soutien de puissances étrangères et des prêts de l’étranger.

L’année 1836 – à peine deux ans après l’instauration du régime chartiste, du serment de la Charte par la reine D. Maria II et de la nomination du premier gouvernement chartiste présidé par le premier duc de Palmela – a vu quatre remaniements ministériels, une forte instabilité politique et sociale et l’aggravation de la faillite de l’État, ce qui a abouti à la convocation de Cortes extraordinaires et à la tenue d’élections le 15 août, trois jours après les émeutes de La Granja qui ont rétabli la Constitution de Cadix, en Espagne.

L’arrivée à Lisbonne début septembre des députés de l’opposition élus par les Villes de Porto et Viseur – des radicaux qui préconisent un retour à la Constitution de 1822 – ont conduit à un soulèvement populaire auquel les bataillons de la Garde nationale ont adhéré, ayant l’aile gauche des libéraux – anti-chartistes – demandé à la reine la démission du gouvernement du duc de Terceira et la proclamation de la Constitution de 1822, événement connu sous le nom de «révolution de septembre». La reine y adhéra en acceptant la démission du gouvernement et en jurant la Constitution de 1822, nommant le premier gouvernement Septembriste, le 10 septembre, avec le comte de Lumiares, Manuel Silva Passos et Sá da Bandeira. Celui-ci, considéré comme un élément pro-britannique, a accepté sous la pression du prince D. Fernando et des ministres belge et anglais[3].

leopold_i,_king_of_the_belgiansFace à ces événements, le roi Léopold Ier, par son émissaire à Londres, le général Goblet, tenta en septembre 1836 d’obtenir le soutien de l’Angleterre en faveur de la reine Marie II et de son mari, le prince Ferdinand, mais sans succès car Palmerston a défendu la politique de non-ingérence. Goblet est revenu à Londres en octobre avec la mission d’insister sur le soutien et l’intervention de l’Angleterre, insistant que la reine D. Maria soit protégée par la flotte britannique.

Au début du mois de novembre, les partisans de la Charte essaient un coup – connu depuis comme le Belenzada – la reine renvoya le gouvernement avec le soutien de Léopold Ier, de la France et de l’Angleterre, avec le soutien de la flotte anglaise au Tage[4]  avec des troupes prêtes à débarquer pour protéger la reine et le prince consort.

manuel_da_silva_passosLe 3 novembre, la reine s’est installée au palais de Belém et en appelant aux partisans de la Charte constitutionnelle a nommé le marquis de Valence à la présidence du nouveau gouvernement. Cependant, la réaction rapide de Passos Manuel avec le soutien de la Garde nationale qui s’est concentrée sur Campo de Ourique et a marché sur Belém a fait échouer le coup, poussant la reine, après des négociations avec Passos Manuel, à nommer Sá da Bandeira à la présidence du Conseil de ministres.

Van der Weyer, Lord Howard of Walden et Palmela auront conseillé la reine dans ce sens et aidé Sá da Bandeira à accepter la formation d’un gouvernement, les Septembristes s’étant engagés à respecter les pouvoirs de la Couronne inscrits dans la Charte, notamment le droit de veto sur la législation émanant des Cortes et le pouvoir de dissolution de la Chambre des députés.

Le 20 novembre, les premières élections du Setembrismo pour les Cortes Constituantes Cortes ont eu lieu, conformément à la Constitution restaurée de 1822 et au décret du 10 novembre 1836, qui selon José Adelino Maltez, ils ne sont plus qu’une affaire entre le triumvirat ministériel et la franc-maçonnerie, de sorte que lors de l’ouverture des Cortes le 2 janvier 1837, la majorité des députés sont même apparus en uniformes de la Garde Nationale». Les élections ont été remportées par les Septembristes modérés dirigés par Passos Manuel.

van den weyer

Depuis septembre 1836, l’ambassadeur Van de Weyer invoquait des raisons de santé pour demander au roi Léopold Ier de quitter Lisbonne[5], ce qui aurait lieu le 25 décembre de la même année. Pendant son séjour, cependant, il avait convaincu D. Fernando de faire un voyage à travers le pays pour se faire connaître. À cette occasion, la reine lui accorda la grande croix de l’ordre militaire de la tour et l’épée, la valeur, loyauté et mérite.

torre e espada

Il fut également Officier de l’ordre de la Légion d’honneur (1832) promu Commandeur en 1836; Officier de l’Ordre de Léopold en 1835, promu Grand-Croix en 1856; Croix de Fer, Belgique; Grande Croix de l’Ordre Ernestine de Saxe (1837), Grande Croix de l’Ordre de Saint-Maurice et Saint-Lazare (1839) et Grande Croix de l’Ordre de Charles III, d’Espagne.

Son successeur en tant que conseiller de la reine et de son mari, le prince D. Fernando, était le général Albert Joseph Goblet, nommé le 22 juin 1837, Envoyé Extraordinaire et Ministre Plénipotentiaire à la Cour du Portugal. Cependant, avec la victoire des Septembristes après la Belenzada « «il ne s’agissait plus de lutter contre eux, il fallait consolider le trône en l’identifiant en quelque sorte avec les institutions libérales du Portugal il fallait faire agir la royauté la mettre en communication avec la nation lui rendre enfin son importance et sa popularité»[6].

gobletLe général Goblet a été confronté à une rénovée instabilité politique puisque le gouvernement de Sá da Bandeira constitué après que l’échec de Belenzada ait été remplacé par celui de Dias de Oliveira, qui depuis le 12 juillet devait faire face à la révolte des Maréchaux Saldanha et Terceira visant rétablir la Charte, sous prétexte que la reine était ‘contrainte’.

sa_da_bandeiraEn août 1837, Sá da Bandeira assuma à nouveau la présidence du gouvernement et commanda les opérations militaires en tant que lieutenant de la reine dans les provinces du nord du Portugal. Les affrontements militaires ont duré jusqu’au 18 septembre avec la défaite des forces rebelles dans l’action de Ruivães sous le commandement du vicomte das Antas, suivie de la Convention de Chaves signée en octobre et de l’exil des dirigeants de la révolte.

En octobre, le roi Léopold envoya au Général Goblet un dépêche louant son activité et lui indiquant les fins de sa mission, rappelant que «La cour a vécu jusqu’ici trop éloignée de la nation portugaise. Votre influence doit tendre à ce que cet état de choses ne se continue pas. Il est désirable que non seulement la maison du roi et de la reine se compose et s’organise mais encore qu’il se forme autant que possible autour du trône une société portugaise qui établisse un point de contact entre la cour et la nation»[7].

En mars 1838, il y eut trois révoltes radicales impliquant la garde nationale, la dernière étant réprimée par les troupes gouvernementales sous le commandement du général Jorge de Avilez, vicomte de Reguengo. Le 4 avril, la reine jure la nouvelle constitution. Peu de temps avant son départ, le général Goblet assistait encore au serment de la reine de la nouvelle Constitution et au rapprochement de Sá da Bandeira vers la Couronne.

Selon Théodore Juste, «Pendant un an le général Goblet consacra des efforts persévérants et heureux à constituer et à consolider au milieu des plus violentes discordes un parti intermédiaire, ni anarchiste ni réactionnaire, mais résolu à soutenir à la fois la dynastie nationale et les libérales institutions que le Portugal devait à don Pedro»[8].

En terminant sa mission au Portugal, la reine Maria III, en reconnaissance des services exceptionnels du général Albert Joseph Goblet, lui décerne le titre de comte d’Alviella, par charte royale du 21 juin 1838[9], confirmé par le roi Léopold I, par Arrête du 30 juillet 1838.

gc aviz souza
Grand-Croix de l’Ordre de S. Benoît d’Aviz

Étant Ministre des Affaires Étrangères il recevrait aussi la Grand-Croix de l’Ordre Militaire de Saint-Benoît d’Avis, le 9 septembre 1844.

Depuis sa mission au Portugal d’environ un an, le comte d’Alviella a laissé quelques souvenirs publiés par son fils, relatant les événements dans lesquels il était impliqué[10].

Parmi ses nombreuses décorations, nous citons par ordre chronologique:

Chevalier de la Légion d’Honneur le 25.11.1813

Chevalier de 4ème classe de l’ordre militaire de Guillaume le 11.08.1815

Chevalier de 3ème classe de l’ordre de Guillaume le 13.05.1823

aigle rouge

Chevalier de 2ème classe de l’Ordre de Sainte-Anne de Russie le 6.11.1824

Officier de la Légion d’Honneur le 23.01.1833

Chevalier de l’Ordre de Léopold, le 15.11.1833

Commandeur de la Légion d’Honneur le 16.02.1834

Officier de l’Ordre de Léopold le 30.06.1837

ernestine

Grand-Croix de l’Ordre de la Maison Branche Ernestine de Saxe le 23.09.1838

Grand-Croix de de l’Ordre du Mérite Civil de Saxe le 9.09.1843

Grand-Croix de l’Ordem du Mérite de Pierre-Frédéric-Louis d’Oldenburg le 28.05.1844

Chevalier l’Ordre de l’Aigle Rouge de Prusse le 5.11.1844

Grand-Croix de l’Ordre de Saint-Michel de Bavière le 3.11.1844

Grand-Croix l’Ordre de l’Étoile Polaire de Suède le 7.01.1845

Commandeur de l’Ordre de Léopold le 28.06.1849

volontaires 1830Croix Commémorative des Volontaires de 1830, en 1856

sta helena

Médaille de Sainte-Hélène (France) le 12.08.1857.

 

Bibliographie

Bartelous, J. Nos premiers ministres de Léopold Ier à Albert Ier 1831-1934, Bruxelles, Collet, 1983

Bonifácio, Maria de Fátima. A revolução de 9 de Setembro de 1836: a lógica dos acontecimentos, in «Análise Social», vol. XVIII (71), 1982-2.º, 331-370 ; 1834-42: a Inglaterra perante a evolução política portuguesa (hipóteses para a revisão de versões correntes), in «Análise Social», vol. XX (83), 1984-4.°, 467-488

Bragança, José Vicente de. Agraciamentos Portugueses aos Príncipes da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, Boletim «Pro Phalaris», # 9-10 [2014], pp. 3-18

Goblet D’Alviella, E. L’établissement des Cobourg en Portugal Étude sur les débuts d’une monarchie constitutionnelle. Écrit sous les yeux du lieutenant général comte Goblet d’Alviella ancien envoyé de Belgique à Lisbonne, Bruxelles, 1869

Juste, Théodore . Les fondateurs de la monarchie belge: Sylvain van de Weyer, ministre d’état … d’après des documents inédits, 2 vols., Trübner, 1871

Juste, Théodore. Le lieutenant-général comte Goblet d’Alviella, ministre d’état, Muquardt, 1870

Linden, H. Vander. Van de Weyer, Jean-Sylvain (1802-1874) cf. https://unionisme.be/Van_de_weyer.htm

Liste nominative des citoyens décorés de la croix de fer, Bruxelles, Michelli, 1865

Lopes, Maria Antónia. D. Fernando II, Lisboa Temas e Debates, 2016

Pulido Valente, Vasco. Os Devoristas, 2ª ed. Alétheia Ediotres, 2007; O Liberalismo Português, in «Ensaios de História Política», Alétheia Editores, 2009, pp. 7-46

Sá, Victor de. A revolução de Setembro de 1836, 3ª ed., Lisboa, Livros Horizonte, 1978

Thomson, Ron B. The Concession of Évora Monte: The Failure of Liberalism in Nineteenth-Century Portugal, Lexington Books, 2014

[1] Cf. Paulo Estrela. Medalha do Corpo de Atiradores Belgas (1834), in «Pro Phalaris», # 2, (2010), A.F.P., Lisboa, pp 17-24.

[2] Cf. Bragança, José Vicente de. Agraciamentos Portugueses aos Príncipes da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, in Boletim «Pro Phalaris», # 9-10 [2014], pp. 5-7.

[3] Cf. José Baptista de Sousa. Holland House and Portugal, 17931840: English Whiggery and the Constitutional Cause in Iberia, Anthem Press, 2018, p. 197.

[4] Comandava a Esquadra o Almirante Sir William Hall Gage (777 – 1864) com ordens de proteger a Rainha D. Maria II.

[5] Lettre du 2 Septembre 1836, du roi Léopold I à M. de Muelenaere, manifestant la nécessité  de nommer un substitut compte tenu de l’importance de cette mission pour la politique belge : «…M. Van der Weyer désire à cause de sa santé ne pas rester plus longtemps à Lisbonne cependant il croit absolument nécessaire que son successeur soit initié par lui aux affaires et connu depuis ce printemps le général Goblet est plus que jamais l’homme qui convient et il est même très désiré comme militaire. Cette place est d’une grande importance pour la politique belge il vous est connu que de tous les pays de l’Europe le Portugal est le pays que l’Angleterre a pris le plus spécialement sous sa protection. Cette position des choses ne date point d’hier et quel que puisse être le ministère en Angleterre, le Portugal lui sera toujours cher et un objet de sollicitude. Vous savez que le parti conservatif en Angleterre n’aime nullement la Belgique ; il est donc d’une haute importance qu’elle ait un point de contact avec l’Angleterre qui soit un lien avec elle quel que puisse être le parti politique qui la gouvernerait. Ce lien nous le trouvons dans nos relations avec le Portugal et par la position qu’elles donnent au ministre de Belgique. Le général Goblet remplira bien cette mission car il est bien vu du Roi et du duc de Wellington et également de lord Palmerston et de son parti circonstance rare et fort heureuse» apud Juste, Théodore. Le lieutenant-général comte Goblet d’Alviella, ministre d’état, Muquardt, 1870, pp. 96-98.

[6] Ibidem, pp. 98-99.

[7] Ibidem, pp. 100-102.

[8] Ibidem, p. 102.

[9] «Dona Maria, par la grâce de Dieu et par la constitution de la monarchie, reine de Portugal et des Algarves, etc. etc. faisons savoir à ceux qui les présentes verront, que désirant donner un témoignage de bienveillance particulière au général Albert Joseph Goblet, envoyé extraordinaire et ministre plénipotentiaire de SM le Roi des Belges, pour les preuves positives qu’il a données d’un intérêt efficace et actif pour le triomphe et glorieux succès de la cause portugaise, lorsque en 1833 il était ministre des affaires étrangères ; voulant aussi, dans sa personne, témoigner ma reconnaissance des secours philanthropiques donnés en Belgique aux émigrés portugais, et ayant en outre égard au zèle et à l’attachement que le susdit général a constamment montrés en faveur de la nation portugaise, comme aussi la haute opinion que j’ai de lui et l’estime spéciale qu’il a su m’inspirer, dans tout le cours de la mission qui lui fut confiée près de ma personne j’ai trouvé bon de l’élever à la grandesse de ces royaumes sous le titre de comte d’Alviella, et ordonnons que ledit général Albert Joseph Goblet s’appelle désormais comte d Alviella, et qu’à ce titre il jouisse de tous les honneurs prééminences prérogatives et exemptions qu’ont et qu’ont eus, dont profitent et profiteront toujours les comtes de ces royaumes, comme il leur appartient par le droit l’usage et l’ancienne coutume…», ibidem, pp. 105-106.

[10] Goblet D’Alviella, E. L’établissement des Cobourg en Portugal Étude sur les débuts d’une monarchie constitutionnelle. Écrit sous les yeux du lieutenant général comte Goblet d’Alviella ancien envoyé de Belgique à Lisbonne, Bruxelles, 1869.

 

Um Herói da Grande Guerra revisitado: Armando Ferraz

Por Paulo Jorge Estrela

Há um episódio histórico, e quase mítico, sobre a participação de Portugal na Grande Guerra que é conhecido por quase todos: o épico confronto entre um Arrastão de pesca português convertido em Caça-Minas, e rebaptizado de Augusto de Castilho e um grande e moderno Submarino Cruzador alemão – o U-139, de forma a proteger um Navio da Marinha Mercante portuguesa, o São Miguel.

São muitas as referências bibliográficas e Sites onde este episódio é relatado e como tal não iremos aprofundá-lo. Em todos se realçam a desproporção de forças em confronto (quer em tonelagem quer em poder bélico: número de peças e seus calibres); a forma heróica como, abnegadamente, o heróico capitão do caça-minas, Comandante Carvalho Araújo, se bateu até à morte e ao afundamento do seu navio; a surpresa, e respectiva homenagem, da tripulação do submarino alemão perante tal reacção portuguesa; a curiosa situação de tudo ter sido fotografado e filmado por um Oficial alemão; ou ainda, o esforço suplementar a que os sobreviventes foram obrigados, naufragando em pleno mar oceânico durante uma semana, quase sem mantimentos e sem instrumentos de navegação, numa pequena balsa…

http://museu.marinha.pt/Museu/Site/PT/Extra/Popups/Oca%C3%A7aminasAugustoCastilho.htm

http://www.pontoblogue.com/2008/10/heroicidade-no-mar-o-caa-minas-augusto.html

http://naval.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_09.html

Quer no Museu da Marinha quer no Museu Militar de Lisboa, existem óleos de grandes proporções, que ilustram este episódio, o que é bem demonstrativo da importância que o mesmo teve…

O que nos leva a colocar este post é o facto de, recentemente, nos termos deslocado ao Museu de Marinha e diligenciado para se alterar ligeiramente o espólio falerístico exposto referente ao Imediato do caça-minas, o Guarda-marinha Manuel Armando Ferraz.
Está patente ao público, numa das salas deste Museu, um conjunto com as suas mais emblemáticas condecorações, todas concedidas como recompensa dos seus vários actos heróicos relacionados com o citado episódio, e que apresentamos uma fotografia.

Como podemos verificar, trata-se do Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, e no meio, quatro condecorações portuguesas: o grau de Oficial da referida Ordem; a Medalha da Cruz de Guerra de 1ª classe; a Medalha dos promovidos por distinção; e ainda a Medalha de ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade, do Instituto de Socorros a Náufragos.
Para memória futura, aqui ficam os respectivos diplomas legais que as concederam:

Decreto de 29 de Novembro de 1918 (D.G. 281, 2ª Série, 1918 e rectificação no D.G. 205, 2ª Série, 1924)
«Tendo em muita consideração a brilhante conduta da guarnição do Caça-Minas Augusto de Castilho, do comando do 1º Tenente da Armada José Botelho de Carvalho Araújo, no combate travado no dia 14 de Outubro último, a 200 milhas dos Açores, com um grande submarino alemão armado de duas peças de 15cm, quando comboiava o Paquete S. Miguel, em viagem do Funchal para Ponta Delgada, salvando pelo seu heróico cometimento este navio de ser torpedeado e afundado com numerosos passageiros, sendo também dignos do maior elogio alguns actos de inexcedível bravura praticados não só durante o combate como ainda na perigosa travessia, por espaço de seis dias, feita pelas últimas praças que tiveram, numa pequena embarcação arrombada e desprovida de víveres e instrumentos náuticos, de abandonar, com o Guarda-Marinha Imediato, Manuel Armando Ferraz, o referido Caça-Minas, depois do intensivo fogo suportado valentemente e de esgotadas por completo as próprias munições da sua inferior artilharia: hei por bem, sob proposta do Secretário de Estado da Marinha, decretar que sejam galardoados tão relevantes feitos, promovendo por distinção e concedendo a Cruz de Guerra àqueles que bem mereceram da Pátria e como em seguida vai designado:

Guarda-Marinha Manuel Armando Ferraz, com vários ferimentos em combate – promoção a 2º Tenente, sem prejuízo de antiguidade, Cruz de Guerra de 1ª classe e 3º grau da Ordem da Torre e Espada, pela bravura e energia com que se conduziu no combate que no dia 14 de Outubro teve lugar entre o Caça-Minas Augusto de Castilho, do qual era Imediato, e o submarino alemão que pretendia afundar o paquete S. Miguel, que aquele comboiava, não só auxiliando o seu comando na direcção do combate como depois da morte deste, tendo sido obrigado a abandonar o navio por falta de munições, revelou inexcedíveis qualidades de comando, vastos conhecimentos e competência, conseguindo conduzir a porto de salvamento, apesar de ferido e durante uma viagem de cerca de 200 milhas, uma pequena embarcação arrombada, em que se alojavam 12 sobreviventes, quase todos feridos, sem instrumentos náuticos, sem velas, quase sem mantimentos e água, animando com o seu exemplo de energia e trabalho constante durante seis dias e seis noites, sem nunca esmorecer, a tripulação daquele frágil bote.»


Decreto de 28 de Maio de 1919 (D.G. 127, 2ª Série, 1919)
«Tendo em vista o que dispõe o Regulamento do Instituto de Socorros a Náufragos, aprovado pelo Decreto nº 1.029, de 6 de Novembro de 1914, e em harmonia com a consulta da Comissão Executiva Central do mesmo Instituto: hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, conceder a Medalha de ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade, ao Guarda-Marinha, Manuel Armando Ferraz, pelos relevantíssimos serviços que prestou conseguindo pôr a porto de salvamento uma pequena embarcação do Caça-Minas Augusto de Castilho, em que se alojaram doze sobreviventes, quase todos feridos do combate travado entre o referido Caça-Minas e um submarino alemão, em 14 de Outubro de 1918, tendo percorrido 200 milhas durante seis dias sem instrumentos náuticos e quase sem mantimentos.»
Mas existe um pequeno detalhe falerístico referente a este Oficial da Armada portuguesa (que acaba a sua carreira como Contra-almirante) que nunca é referido. Este nosso herói naval, foi igualmente reconhecido pelo governo de Sua Majestade Britânica, que lhe concedeu a sua distintíssima Distinguished Service Cross, e que foi caso único em Portugal.

Esta condecoração britânica que premeia o valor e a coragem (Gallantry) no mar dos Oficiais subalternos e Capitães, foi criada em 1901 com outro nome – Conspicuous Service Cross – e em 1918 passou a denominar-se com a actual designação, sendo que a sua concessão autoriza o acrescento da sigla DSC no fim do nome do agraciado.

A fotografia apresentada é uma DSC, com o centro do anverso idêntico à do Armando Ferraz, já que este vai variando de acordo com o monarca reinante, e no caso, trata-se da cifra do rei (e Imperador da Índia) Jorge V.
A autorização oficial para a receber e usar foi dada pelo Despacho ministerial de 27 de Abril de 1924, mas somente publicada em Ordem à Armada nº 2, de 1926.

Ora, é com agrado que podemos reportar que a Direcção daquele Museu anuiu à nossa sugestão, e a DSC britânica deste nosso herói – única condecoração britânica deste tipo concedida a um português – irá sair da caixa forte onde estava depositada e ficar patente ao público, sendo uma mais-valia, não só para o visitante português mais atento, mas especialmente para o visitante britânico, muito mais atento a estes detalhes e maior conhecedor da sua herança falerística…

Para rematarmos esta pequena história, apresentamos uma fotografia de coleccção particular, onde podemos ver o “nosso homem”, envergando o seu Grande Uniforme de Oficial da Armada e ostentando as suas condecorações, nomeadamente a Distinguished Service Cross.

Richard Henry Major, Com Torre e Espada, Com Santiago

File:Ricardo Henrique Major - O Occidente (11Mar1894).png

Richard Henry Major (1818 – 1891) foi um Geógrafo, tendo exercido os cargos de Conservador da colecção de Mapas do Museu Britânico e de Secretário da prestigiada Hakluyt Society. Em 1845 foi eleito Membro da Royal Geographical Society, da qual foi secretário (1866-1881) e vice-presidente (1881-84) e, em 1854, Membro daSociety of Antiquaries (Cf. Oxford Dictionary of National Biography entry, por Elizabeth Baigent).

Interessou-se particularmente sobre o descobrimento da Austrália, sobre o qual publicou três livros, designadamente The Discovery of Australia By The Portuguese In 1601 five years before the earliest discovery hitherto recorded … London, Printed by J.B. Nichols, 1861 (Sobre a descoberta da Austrália cf. Des Cowley, European Voyages of Discovery, in «The La Troube Journal», # 41, Autumn 1988, State Library of Victoria).

A obra dedicada à Academia Real das Ciências de Lisboa foi por esta mandada traduzir pelo sócio efectivo D. José de Lacerda e publicada sob o título «Descobrimento da Australia pelos portuguezes em 1601: cinco annos antes do primeiro descobrimento até entáo mencionado», de Richard Henry Major, tradução de D. José de Lacerda, Typographia da Academia, 1863.

Posteriormente, dedicou um estudo ao Infante D. Henrique publicado em 1868,The Life of Prince Henry of Portugal, Surnamed the Navigator, and its Results, com uma 2ª ed. em 1877 (há várias reimpressões recentes, vg. a editada por Thomas Nelson, 1967, e a de Kessinger Publishing, LLC, January 29, 2010).

O seu estudo pioneiro sobre a primazia portuguesa da descoberta da Austrália valeu-lhe ser agraciado por el-Rei D. Pedro V com o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 30 de Julho de 1861 (Decreto de 30 de Julho de 1861, publicado no D.L. # 196).

O favorável acolhimento do seu livro sobre o Infante D. Henrique levou el-Rei D. Luís I a promovê-lo ao grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada, em Fevereiro de 1868, sob proposta do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, «fundada nas qualidades do agraciado e no seu reconhecido merecimento literário» (Decreto de 18 de Fevereiro de 1868, publicado no D.L. # 164).

E, de novo em 1875, D. Luís I agraciou-o com o grau de comendador da Ordem de Santiago, do Mérito Scientífico, Litterário e Artístico, a primeira das antigas ordens militares a ser reformada sob a monarquia constitucional em 1862, e que se destinava a recompensar “o assignalado merecimento pessoal e relevantes serviços prestados ás sciencias, ás lettras e ás boas artes, tanto em ensino público, como em obras escriptas e obras artísticas” (Decreto de 8 de Abril de 1875, publicado no D.G. # 79. Agradeço a Paulo Estrela – secretário da Academia Falerística de Portugal, a indicação destas fontes).

Henry Major receberia ainda em 1873, o grau de Comendador da Ordem da Rosa, conferido pelo Imperador Dom Pedro II e, no ano seguinte, o grau de comendador da Ordem da Coroa de Itália, conferida pelo Rei Victor Emanuel II pelo seu trabalho sobre Voyages of the Venetian Brothers N. and A. Zeno (cf. Cf. Oxford Dictionary of National Biography entry, por Elizabeth Baigent)..

Henry Major usou um ex-líbris armoriado, de interesse acrescido por ostentar o Colar da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, certamente feito em data posterior a 1861, em que foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem (Inventariado sob o # 19539, Franks Bequest , Catalogue of British and American book plates bequested to the Trustees of the British Museum by Sir Augustus Wollaston Franks, by E.R.J. Gambier Howe, Vol. 2, 1903).

 

 

 

 

 

Originally posted 5.10.2011 by José Vicente de Bragança at 10:22

Armas da Família Linhares com Insígnia

Armas de Sousa Coutinho com insígnia de ordem

Revisto em 26 de Junho de 2012

Vários membros da Família Sousa Coutinho, mais tarde Condes de Linhares e com um ramo a quem foram conferidos os títulos de Conde e Marquês de Funchal, foram agraciados com comendas da Ordem de Cristo e outras condecorações.

Esta Família teve início com D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho – neto do 10º conde de Redondo e do Desembargador Doutor Roque Monteiro Paim, secretário de Estado e grande valido d’el-Rei D. Pedro II -, Sargento-Mor do Regimento de Dragões de Chaves, Governador-Geral e Capitão-General do Reino de Angola, Embaixador em Madrid e, Comendador da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Ana Luísa da Silva Teixeira Andrade.

Era irmão de D. Vicente Roque de Sousa Coutinho de Menezes Monteiro Paim – Enviado e Ministro Plenipotenciário em Turim e Embaixador em Paris – e, cunhado do Morgado de Mateus, D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, (1722 – 1798), ambos comendadores da Ordem de Cristo.

O 1º Conde de Linhares e sua mulher D. Gabriella Azinari di San Marzano
Óleo sobre tela de António Domingos Sequeira. Col. Partiular

Seu filho primogénito D. Rodrigo Domingos de Sousa Coutinho, (1745 – 1812), 1º conde de Linhares (Decreto de 17 de Dezembro de 1808), exerceu importantes cargos como diplomata, Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário em Turim (1778-95), tendo depois sido chamado a Lisboa e nomeado Ministro e Secretário de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos (1795-1802), Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Real Erário (1801), e Secretário de Estado interino dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, em 1801, Inspector da Impressão Régia (1803) e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, no Rio de Janeiro. Foi comendador da Ordem de Cristo e Grã-Cruz das Ordens de Avis e da Torre e Espada.

O secundogénito, Principal D. José António de Menezes Coutinho – Principal Sousa, Diácono da Patriarcal, Doutor pela Universidade de Coimbra, atingiu notoriedade como membro do Conselho de Regência do Reino em 1808.

1º Conde e 1º Marquês do Funchal –
Miniatura em marfim, Autor desconhecido. 
Col. Particular

O filho terceiro foi D. Domingos António de Sousa Coutinho, 1º conde e marquês de Funchal, (1760 – 1833), Licenciado na antiga faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa, iniciou a sua carreira diplomática como Enviado e Ministro Plenipotenciário em Copenhaga (1788-95), e depois sucessivamente, em Turim (1796-1803), Embaixador em Londres (1803-1815) e posteriormente em Roma (1815-28). Convidado para integrar a Regência em 1819, recusou respeitosamente o cargo em carta fundamentada que dirigiu ao Príncipe-Regente e que constitui um notável documento de análise política sobre essa época conturbada. Elevado à Grandeza com o título de conde do Funchal, por Carta régia de 17-12-1808, seria elevado a marquês, pela rainha D. Maria II, em 1833. Em 1811, o Príncipe-Regente Dom João concede-lhe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

No final da sua missão em Londres teve ocasião de entregar as insígnias da Banda de Grã-Cruz das Três Ordens Militares ao Príncipe Regente da Grã-Bretanha, em representação do Príncipe Regente D. João, em cerimónia que teve lugar a 29 de Junho de 1815 . Na corte de St. James terá gozado de grande valimento junto do Príncipe Regente Jorge que o tratava afectuosamente por «my Souza», segundo o testemunho insuspeito de José Liberato Freire de Carvalho (1).

Com a aclamação do Infante D. Miguel suspendeu as suas funções de Embaixador junto da Santa Sé não reconhecendo o novo regime, considerando D. Miguel como Usurpador, face aos acordos anteriormente estabelecidos com D. Pedro, após a outorga da Carta Constitucional, e ratificados pelas potências.

O quarto filho foi o Almirante D. Francisco Maurício de Sousa Coutinho, Governador e Capitão-General do Grão-Pará (1790-1803), cavaleiro da Ordem de Malta [cf. Luis de Melo Vaz de São Paio. Indevida Admissão na Ordem de Malta, in «Filermo», vol. 3, 1994, pp. 83-100] e Grã-Cruz Honorário da Ordem de Torre e Espada, em 1812.

conde_de_linhares
2º conde de Linhares (1790-1857)

Na geração seguinte, dos filhos do 1º conde Linhares, o primogénito Brigadeiro D. Victório de Sousa Coutinho, 1790-1857, 2º Conde de Linhares, Ministro em Turim (1817) e Ministro da Marinha (1835) foi além de comendador da Ordem de Cristo, comendador efectivo da Ordem da Torre e Espada em 1820.

Outro filho D. Francisco Afonso Menezes Sousa Coutinho, (02.02.1796 + Paris 14.08.1834), Oficial da Armada Real, casou em 1824 com uma das ricas herdeiras brasileiras D. Guilhermina Adelaide Carneiro Leão, e viria a atingir notoriedade ao aderir à Independência do Brasil. Promovido a Capitão-de-Fragata da Marinha Imperial passou em seguida para o Estado-maior do Exército com a patente de Tenente-Coronel.

francisco_afonso_de_meneses_de_sousa_coutinho,_1º_marquês_de_maceió
1ºVisconde, 1º Marquês de Maceió (1796-1834)

Foi agraciado pelo Imperador D. Pedro I com o título de visconde de Maceió, com grandeza (1824) e dois anos depois elevado a Marquês. Grande do Império, exercia o cargo de Veador na corte imperial e exerceu o cargo de Ministro da Marinha (1827) e no ano seguinte nomeado Ministro plenipotenciário e Enviado Extraordinário à Corte de Viena em 1828, tendo acompanhado a Imperatriz ao Rio de Janeiro.

Foi cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro e comendador da Imperial Ordem de Cristo e da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha. As fontes brasileiras dão-no também como cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, mas não temos notícia desse agraciamento.

Como era hábito e largamente praticado na época pela primeira nobreza da Corte, vários membros da mesma Família usavam armas idênticas, sem qualquer diferença.

Daí a dificuldade de identificar a quem pertenceram as armas que a seguir reproduzimos: escudo esquartelado, no I-IV – as armas do Reino (em vez do esquartelado com as armas dos Sousas Chichorro) e, no II-III – Coutinhos. Coronel de Marquês e Timbre de Coutinho.

Fig. 1

Nas duas imagens que reproduzimos, pertencentes à colecção de um ilustríssimo descendente do 1º conde de Linhares, na primeira (fig. 1), as armas são encimadas por virol, coronel de marquês e timbre de Coutinho e, a segunda (Fig. 2), num escudo mais elaborado, com paquife, elmo de prata, cerrado, guarnecido de ouro, posto de frente, com virol e encimado por coronel de marquês e, timbre de Coutinho.

Fig. 2

Face ao coronel de marquês, as armas em questão tanto poderiam ser atribuídas ao 1º Marquês de Funchal, como a seu sobrinho o Marquês de Maceió. No entanto, em ambas as armas existe um elemento importante que poderá ajudar a resolver esta dúvida. Trata-se, com efeito, da insígnia de uma ordem de cavalaria pendente do escudo, em ambos os casos.

Numa primeira análise, pensámos poder tratar-se da insígnia de Cavaleiro da Ordem do Elefante, o que faria algum sentido já que o Conde do Funchal foi Enviado e Ministrio Plenipotenciário em Copenhaga, eventualmente atribuída pelo rei Cristiano VII, após a cessação das suas funções como diplomata na corte dinamarquesa.

Porém, não existindo nas fontes dinamarquesas consultadas qualquer confirmação sobre este agraciamento, o nosso estimado amigo e confrade – Paulo Estrela, admitiu a possibilidade de estarmos perante as insígnias da Imperial Ordem do Cruzeiro, fundada pelo Imperador D. Pedro I.

Assim, e na posse de uma foto ampliada dos escudos de armas, foi possível confirmar a hipótese colocada por Paulo Estrela, isto é, a insígnia pendente parece ser a da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Esta identificação reconduz-nos pois, ao marquês de Maceió, como sendo o provável detentor destas armas, atento o coronel de Marquês e a insígnia da Ordem Imperial do Cruzeiro, de que era cavaleiro.

Museu dos Valores do Banco Central do Brasil

_Notas:

(1.) cf. José Vicente de Bragança, El-Rei D. João VI e a Ordem da Torre e Espada (1808-1826),Lisboa, Ed. do Autor, 2011.

Fontes:
Costa (Subserra), Dom Marcus de Noronha da. D. Marcos de Noronha e Brito, 8º Conde dos Arcos (Elementos para uma Biografia), Lisboa, Academia Portuguesa da História, 2011
Coutinho, D. Fernando António de Sousa (Funchal), Uma Varonia Milenária, 2ª ed., Lisboa, 1958

Estrela, Paulo Jorge. Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2008
Funchal, Marquês do. O Conde de Linhares Dom Rodrigo Domingos António de Sousa Coutinho, Lisboa, 1908
Lima, Manuel de Oliveira. D. João VI no Brasil, 3ª ed., Rio de Janeiro, 1996
Barata, Carlos Eduardo & Bueno, A.H. Cunha. Dicionário das Famílias Brasileiras, II Tomos, Rio de Janeiro, Ed. Árvores da Terra, [1999-2001]

Memórias do General Sir Lowry Cole, C TE

Maude Lowry Cole (ed.). MEMOIRS SIR LOWRY COLE, reprint of 1934 ed., Naval & Military Press, 2011

«General Galbraith Lowry Cole was commissioned a cornet in 1787, and served in the West Indies, Ireland, and Egypt. He served as brigadier general in Sicily and commanded the 1st Brigade at the Battle of Maida on the 4 July 1806. In 1808 he was promoted to major-general, to lieutenant-general in 1813 and full general in 1830. He was colonel of the 27th Foot, commanded the 4th Division in the Peninsular War under Wellington, and was wounded at the Battle of Albuera in which he played a decisive part. For having served with distinction in the battles of Maida, Albuhera, Salamanca, Vittoria, Pyrenees, Nivelle, Orthez and Toulouse, he received the Army Gold Cross with four clasps» (from the editor’s advert).

The then Lieutenant-General Sir Galbraith Lowry Cole was made a Knight Commander of the Order of the Tower and Sword (October, 12th, 1812) for his actions in the Peninsular War (cf. José Vicente de Bragança, King John VI and the Order of the Tower and Sword (1808-1826), Lisbon, 2011).

General Luís do Rego (1777-1840)

Luís_do_Rêgo_Barreto

General Luís do Rego Barreto (Viana do Castelo, 28 de outubro de 1777 — 7 de setembro de 1840), 1.º visconde de Geraz do Lima

Era Tenente de Infantaria no Regimento de Infantaria nº 9, aquando da I Invasão Francesa e após a dissolução do Exército pelo Marechal Junot, não querendo servir o invasor retirou-se para sua cas no Minho. O seu espírito patriótico levou-o a ser o primeiro a encabeçar a sublevação popular contra as tropas de ocupação francesas, em Viana do Castelo, em 19 de Junho de 1808, à semelhança do ocorrido no Porto, Bragança e Vila Real e, a seguir noutras cidades do Norte e do Centro e no Algarve. Às sublevações seguiu-se a criação de Juntas Provisionais de Governo e à aclamação do Príncipe-Regente Dom João.

Em 1808-1809 organizou o Batalhão de Caçadores nº 4, em Viseu, que fardou à sua custa e comandou até ao assalto a Ciudad Rodrigo (19 de Janeiro de 1812), tendo participado, entre outras acções, na batalha do Buçaco. Em Janeiro de 1812 assume o comando do Regimento de Infantaria nº 15, reorganizado em Vila Viçosa, que se distinguiu nas batalhas de Badajoz, de Salamanca (1812), Vitória, San Sebastian e Nive (em 1813). No assalto a Badajoz em 6 de Abril de 1812, o RI 15 foi a primeira força e entrar na cidade sob o comando do Coronel Luís do Rego Barreto, a quem o marechal Beresford chamou «o Bravo» e no assalto a San Sebastian cobriu-se de glória, apeando-se do cavalo, pegando na bandeira do Regimento e incitando os seus soldados a irromperam, sob fogo intenso, pela brecha nas defesas.

Em 1817 encontrava-se no Brasil onde comandou a Divisão que dirigindo-se a Pernambuco sufocou a rebelião republicana que aí tinha rebentado sendo nomeado Governador e Capitão-General de 1 de julho de 1817 a 5 de outubro de 1821. Em 1822, já General e de regresso ao reino foi nomeado Governador das Armas do Minho e no ano seguinte derrota, em Amarante, o General Silveira que havia liderado um levantamento absolutista.

«Com a Vilafrancada, que reinstitui o regime absolutista em Portugal, foi destituído e deportado para a Figueira da Foz, tendo sido reformado no ano seguinte. Reintegrado no exército durante a regência da infanta D. Isabel Maria, foi promovido a tenente-general em 1827. Preso durante o reinado de D. Miguel, conseguiu evadir-se para Espanha, regressando após a convenção de Évora-Monte. Nomeado vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar em 1834, foi nomeado novamente governador das armas do Minho durante o Setembrismo, que o nomeou senador por Viana do Castelo, durante a curta vigência da Constituição de 1838»[1].

O título de Visconde de Geraz de Lima foi-lhe concedido em 30 de Maio de 1835, no governo presidido pelo Marechal Saldanha.

Teve as seguintes condecorações:

Comendador da Ordem da Torre e Espada (1812)[2]

Comendador da Ordem Militar de Cristo[3]

Cruz de Condecoração da Guerra Peninsular, de Ouro, 6 campanhas (1820)[4]

Medalha de Comando da G.P. ‘7 acções’ (1820)[5]

[Buçaco / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nivelle / Nive]

Army Gold Cross ‘7’[6]

[Buçaco / Ciudad Rodrigo / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nive]

Segundo o Coronel Ferreira de Lima (apud Paulo Estrela, 2009) este distinto oficial teria recebido uma raríssima distinção em 1808 – Medalha Individual de Gratidão – concedida pela Junta Provisional de Viana do Castelo, em nome do Príncipe-Regente D. João, pelos importantes serviços que havia feito no dia 19 de Junho, e que viria a ser confirmada pela Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em 7 de Julho de 1808.

Para Paulo Estrela, que se debruçou sobre este retrato, então na posse de José Maria Almarjão, descendente do General, pelas condecorações ostentadas o referido retrato deve ser anterior a 1820, já que não representa nenhuma das suas condecorações oficiais portuguesas da Guerra Peninsular[7].

E, ainda na esteira de Ferreira Lima, Paulo Estrela defende que a Cruz de ouro pendente do pescoço por uma corrente de igual metal deve representar a citada medalha de gratidão.

Assim, na pintura e para além desta, o General Rego Barreto ostenta a insígnia de pescoço e a placa da Ordem da Torre e Espada, a placa de Comendador da Ordem Militar de Cristo e uma pequena insígnia atípica da mesma ordem, e a prestigiadaArmy Gold Cross ‘7 acções’ – cruz e três passadeiras, concedida pelo Rei Jorge IV, do Reino Unido.

Bibliografia:

Elogio historico de Luiz do Rego Barreto, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1822

Flavio José Gomes Cabral. “Vozes públicas”: as ruas e os embates políticos em Pernambuco na crise do antigo regime português (1820-1821), in «Saeculum» – Revista de História (13); Universidade Estadual de Paraíba, João Pessoa, Jul. Dez. 2005, pp. 63-77.

Henrique de Campos Ferreira Lima. Medalhas individuais de gratidão portuguesas, Famalicão, Minerva, 1939

Luís do Rêgo Barreto. Memória justificativa sobre a conducta do Marechal de Campo Luiz do Rego Barreto, durante o tempo em que foi governador de Pernambuco e presidente da Junta Constitucional do governo da mesma província, Lisboa, Typ. Marques Leão, 1822

Paulo Jorge Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009

Notas:

[1] Cf. http://www.arqnet.pt/exercito/regobarreto.html.

[2] Cf. Paulo Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009.

[3] Em 31.10.1815 foi-lhe concedida uma promessa de comenda e em 17.12.1815 uma tença de seiscentos mil reis no Cofre das Comendas vagas (Gazeta de Lisboa, nº 98, 25.4.1816). A mercê viria a concretizar-se em 2.09.1819 com a com o Alvará da Comenda de S. Salvador de Unhão, da Ordem Militar de Cristo (ANTT – Registo Geral de Mercês, D. João VI, liv.13, fl.358).

[4] Cf. Paulo Estrela, ibidem.

[5] Idem.

[6] Idem.

[7] Idem.