Um Herói da Grande Guerra revisitado: Armando Ferraz

Por Paulo Jorge Estrela

Há um episódio histórico, e quase mítico, sobre a participação de Portugal na Grande Guerra que é conhecido por quase todos: o épico confronto entre um Arrastão de pesca português convertido em Caça-Minas, e rebaptizado de Augusto de Castilho e um grande e moderno Submarino Cruzador alemão – o U-139, de forma a proteger um Navio da Marinha Mercante portuguesa, o São Miguel.

São muitas as referências bibliográficas e Sites onde este episódio é relatado e como tal não iremos aprofundá-lo. Em todos se realçam a desproporção de forças em confronto (quer em tonelagem quer em poder bélico: número de peças e seus calibres); a forma heróica como, abnegadamente, o heróico capitão do caça-minas, Comandante Carvalho Araújo, se bateu até à morte e ao afundamento do seu navio; a surpresa, e respectiva homenagem, da tripulação do submarino alemão perante tal reacção portuguesa; a curiosa situação de tudo ter sido fotografado e filmado por um Oficial alemão; ou ainda, o esforço suplementar a que os sobreviventes foram obrigados, naufragando em pleno mar oceânico durante uma semana, quase sem mantimentos e sem instrumentos de navegação, numa pequena balsa…

http://museu.marinha.pt/Museu/Site/PT/Extra/Popups/Oca%C3%A7aminasAugustoCastilho.htm

http://www.pontoblogue.com/2008/10/heroicidade-no-mar-o-caa-minas-augusto.html

http://naval.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_09.html

Quer no Museu da Marinha quer no Museu Militar de Lisboa, existem óleos de grandes proporções, que ilustram este episódio, o que é bem demonstrativo da importância que o mesmo teve…

O que nos leva a colocar este post é o facto de, recentemente, nos termos deslocado ao Museu de Marinha e diligenciado para se alterar ligeiramente o espólio falerístico exposto referente ao Imediato do caça-minas, o Guarda-marinha Manuel Armando Ferraz.
Está patente ao público, numa das salas deste Museu, um conjunto com as suas mais emblemáticas condecorações, todas concedidas como recompensa dos seus vários actos heróicos relacionados com o citado episódio, e que apresentamos uma fotografia.

Como podemos verificar, trata-se do Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, e no meio, quatro condecorações portuguesas: o grau de Oficial da referida Ordem; a Medalha da Cruz de Guerra de 1ª classe; a Medalha dos promovidos por distinção; e ainda a Medalha de ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade, do Instituto de Socorros a Náufragos.
Para memória futura, aqui ficam os respectivos diplomas legais que as concederam:

Decreto de 29 de Novembro de 1918 (D.G. 281, 2ª Série, 1918 e rectificação no D.G. 205, 2ª Série, 1924)
«Tendo em muita consideração a brilhante conduta da guarnição do Caça-Minas Augusto de Castilho, do comando do 1º Tenente da Armada José Botelho de Carvalho Araújo, no combate travado no dia 14 de Outubro último, a 200 milhas dos Açores, com um grande submarino alemão armado de duas peças de 15cm, quando comboiava o Paquete S. Miguel, em viagem do Funchal para Ponta Delgada, salvando pelo seu heróico cometimento este navio de ser torpedeado e afundado com numerosos passageiros, sendo também dignos do maior elogio alguns actos de inexcedível bravura praticados não só durante o combate como ainda na perigosa travessia, por espaço de seis dias, feita pelas últimas praças que tiveram, numa pequena embarcação arrombada e desprovida de víveres e instrumentos náuticos, de abandonar, com o Guarda-Marinha Imediato, Manuel Armando Ferraz, o referido Caça-Minas, depois do intensivo fogo suportado valentemente e de esgotadas por completo as próprias munições da sua inferior artilharia: hei por bem, sob proposta do Secretário de Estado da Marinha, decretar que sejam galardoados tão relevantes feitos, promovendo por distinção e concedendo a Cruz de Guerra àqueles que bem mereceram da Pátria e como em seguida vai designado:

Guarda-Marinha Manuel Armando Ferraz, com vários ferimentos em combate – promoção a 2º Tenente, sem prejuízo de antiguidade, Cruz de Guerra de 1ª classe e 3º grau da Ordem da Torre e Espada, pela bravura e energia com que se conduziu no combate que no dia 14 de Outubro teve lugar entre o Caça-Minas Augusto de Castilho, do qual era Imediato, e o submarino alemão que pretendia afundar o paquete S. Miguel, que aquele comboiava, não só auxiliando o seu comando na direcção do combate como depois da morte deste, tendo sido obrigado a abandonar o navio por falta de munições, revelou inexcedíveis qualidades de comando, vastos conhecimentos e competência, conseguindo conduzir a porto de salvamento, apesar de ferido e durante uma viagem de cerca de 200 milhas, uma pequena embarcação arrombada, em que se alojavam 12 sobreviventes, quase todos feridos, sem instrumentos náuticos, sem velas, quase sem mantimentos e água, animando com o seu exemplo de energia e trabalho constante durante seis dias e seis noites, sem nunca esmorecer, a tripulação daquele frágil bote.»


Decreto de 28 de Maio de 1919 (D.G. 127, 2ª Série, 1919)
«Tendo em vista o que dispõe o Regulamento do Instituto de Socorros a Náufragos, aprovado pelo Decreto nº 1.029, de 6 de Novembro de 1914, e em harmonia com a consulta da Comissão Executiva Central do mesmo Instituto: hei por bem, sob proposta do Ministro da Marinha, conceder a Medalha de ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade, ao Guarda-Marinha, Manuel Armando Ferraz, pelos relevantíssimos serviços que prestou conseguindo pôr a porto de salvamento uma pequena embarcação do Caça-Minas Augusto de Castilho, em que se alojaram doze sobreviventes, quase todos feridos do combate travado entre o referido Caça-Minas e um submarino alemão, em 14 de Outubro de 1918, tendo percorrido 200 milhas durante seis dias sem instrumentos náuticos e quase sem mantimentos.»
Mas existe um pequeno detalhe falerístico referente a este Oficial da Armada portuguesa (que acaba a sua carreira como Contra-almirante) que nunca é referido. Este nosso herói naval, foi igualmente reconhecido pelo governo de Sua Majestade Britânica, que lhe concedeu a sua distintíssima Distinguished Service Cross, e que foi caso único em Portugal.

Esta condecoração britânica que premeia o valor e a coragem (Gallantry) no mar dos Oficiais subalternos e Capitães, foi criada em 1901 com outro nome – Conspicuous Service Cross – e em 1918 passou a denominar-se com a actual designação, sendo que a sua concessão autoriza o acrescento da sigla DSC no fim do nome do agraciado.

A fotografia apresentada é uma DSC, com o centro do anverso idêntico à do Armando Ferraz, já que este vai variando de acordo com o monarca reinante, e no caso, trata-se da cifra do rei (e Imperador da Índia) Jorge V.
A autorização oficial para a receber e usar foi dada pelo Despacho ministerial de 27 de Abril de 1924, mas somente publicada em Ordem à Armada nº 2, de 1926.

Ora, é com agrado que podemos reportar que a Direcção daquele Museu anuiu à nossa sugestão, e a DSC britânica deste nosso herói – única condecoração britânica deste tipo concedida a um português – irá sair da caixa forte onde estava depositada e ficar patente ao público, sendo uma mais-valia, não só para o visitante português mais atento, mas especialmente para o visitante britânico, muito mais atento a estes detalhes e maior conhecedor da sua herança falerística…

Para rematarmos esta pequena história, apresentamos uma fotografia de coleccção particular, onde podemos ver o “nosso homem”, envergando o seu Grande Uniforme de Oficial da Armada e ostentando as suas condecorações, nomeadamente a Distinguished Service Cross.

Richard Henry Major, Com Torre e Espada, Com Santiago

File:Ricardo Henrique Major - O Occidente (11Mar1894).png

Richard Henry Major (1818 – 1891) foi um Geógrafo, tendo exercido os cargos de Conservador da colecção de Mapas do Museu Britânico e de Secretário da prestigiada Hakluyt Society. Em 1845 foi eleito Membro da Royal Geographical Society, da qual foi secretário (1866-1881) e vice-presidente (1881-84) e, em 1854, Membro daSociety of Antiquaries (Cf. Oxford Dictionary of National Biography entry, por Elizabeth Baigent).

Interessou-se particularmente sobre o descobrimento da Austrália, sobre o qual publicou três livros, designadamente The Discovery of Australia By The Portuguese In 1601 five years before the earliest discovery hitherto recorded … London, Printed by J.B. Nichols, 1861 (Sobre a descoberta da Austrália cf. Des Cowley, European Voyages of Discovery, in «The La Troube Journal», # 41, Autumn 1988, State Library of Victoria).

A obra dedicada à Academia Real das Ciências de Lisboa foi por esta mandada traduzir pelo sócio efectivo D. José de Lacerda e publicada sob o título «Descobrimento da Australia pelos portuguezes em 1601: cinco annos antes do primeiro descobrimento até entáo mencionado», de Richard Henry Major, tradução de D. José de Lacerda, Typographia da Academia, 1863.

Posteriormente, dedicou um estudo ao Infante D. Henrique publicado em 1868,The Life of Prince Henry of Portugal, Surnamed the Navigator, and its Results, com uma 2ª ed. em 1877 (há várias reimpressões recentes, vg. a editada por Thomas Nelson, 1967, e a de Kessinger Publishing, LLC, January 29, 2010).

O seu estudo pioneiro sobre a primazia portuguesa da descoberta da Austrália valeu-lhe ser agraciado por el-Rei D. Pedro V com o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 30 de Julho de 1861 (Decreto de 30 de Julho de 1861, publicado no D.L. # 196).

O favorável acolhimento do seu livro sobre o Infante D. Henrique levou el-Rei D. Luís I a promovê-lo ao grau de Oficial da Ordem da Torre e Espada, em Fevereiro de 1868, sob proposta do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, «fundada nas qualidades do agraciado e no seu reconhecido merecimento literário» (Decreto de 18 de Fevereiro de 1868, publicado no D.L. # 164).

E, de novo em 1875, D. Luís I agraciou-o com o grau de comendador da Ordem de Santiago, do Mérito Scientífico, Litterário e Artístico, a primeira das antigas ordens militares a ser reformada sob a monarquia constitucional em 1862, e que se destinava a recompensar “o assignalado merecimento pessoal e relevantes serviços prestados ás sciencias, ás lettras e ás boas artes, tanto em ensino público, como em obras escriptas e obras artísticas” (Decreto de 8 de Abril de 1875, publicado no D.G. # 79. Agradeço a Paulo Estrela – secretário da Academia Falerística de Portugal, a indicação destas fontes).

Henry Major receberia ainda em 1873, o grau de Comendador da Ordem da Rosa, conferido pelo Imperador Dom Pedro II e, no ano seguinte, o grau de comendador da Ordem da Coroa de Itália, conferida pelo Rei Victor Emanuel II pelo seu trabalho sobre Voyages of the Venetian Brothers N. and A. Zeno (cf. Cf. Oxford Dictionary of National Biography entry, por Elizabeth Baigent)..

Henry Major usou um ex-líbris armoriado, de interesse acrescido por ostentar o Colar da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, certamente feito em data posterior a 1861, em que foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem (Inventariado sob o # 19539, Franks Bequest , Catalogue of British and American book plates bequested to the Trustees of the British Museum by Sir Augustus Wollaston Franks, by E.R.J. Gambier Howe, Vol. 2, 1903).

 

 

 

 

 

Originally posted 5.10.2011 by José Vicente de Bragança at 10:22

General Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real

Terça-feira, 6 de outubro de 2015

General Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real (1760 – 1832), 1.º conde de Subserra

Domingos Sequeira, sculp., Paris, 1824 (?), PURL

General Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real (1760 – 1832), 1.ºconde de Subserra (1823).

Neste retrato, o General Pamplona, (gravura de Domingos Sequeira, Paris, 1824 ?) ostenta as seguintes insígnias: Banda e Placa de Grã-Cruz da Ordem da Torre e Espada (1825), placa e insígnia de comendador da Ordem Militar de Cristo (1825); placa de Grã-Cruz da Real Ordem da Legião de Honra (1823); e as placas de Grã-Cruz das Ordens de Carlos III, e de Alexandre Nevsky.

Oficial de grande prestígio, Pamplona havia combatido com o General Gomes Freire de Andrade nos exércitos da Tzarina Catarina, a Grande, na guerra contra os Otomanos de 1787-1791 tendo sido condecorado com a grã-cruz da Ordem de Alexandre Nevsky e, com o grau de cavaleiro da Ordem de S. Vladimiro, segundo algumas notícias.

Em 1793 alistou-se no Exército da coligação contra a França sob o comando do Duque de Iorque e regressado a Portugal integrou a Divisão Auxiliar a Espanha, como Tenente-Coronel tendo-se distinguindo na Campanha do Rossilhão.

Foi um dos Oficiais que integrou a Legião Lusitana constituída pelo General Junot em 1808 como Chefe-do-Estado-Maior-General, tendo feito as campanhas de 1809, na Alemanha e na Áustria, a da 3ª invasão de Portugal, em 1810, sob o comando do General Massena e a da invasão da Rússia em 1812, tendo sido condecorado com o grau de cavaleiro da Ordem da Legião de Honra, em 1812.

Casou em 1806, com D. Isabel Antónia do Carmo de Roxas e Lemos Carvalho e Menezes, da família dos senhores da Trofa, e herdeira de vasta fortuna que incluía a Quinta da Subserra, em SãoJoão dos Montes, concelho de Vila Franca de Xira.

Reconhecendo Luís XVIII após a Restauração e como Oficial do Exército francês permaneceu em França até 1821, quando foi amnistiado pelas Cortes Constituintes e eleito deputado pelos Açores.

Após a Vila Francada, em Junho de 1823, tendo-se tornado valido d’el-Rei Dom João VI, foi nomeado Ministro da Guerra e da Marinha e ministro assistente ao despacho do governo, dito o ministério dos inauferíveis direitos de El-rei.

A derradeira Grã-Cruz concedida por D. João VI foi ao General Manuel Inácio Martins Pamplona Corte-Real, 1º Conde de Subserra, em 15 de Janeiro de 1825, data da sua demissão do Governo por pressão Inglesa e, da sua nomeação para Embaixador em Madrid (cf. Dom Marcus de Noronha da Costa. ibidem, pp. 110 e ss.).

Por Carta Régia de 31 de Janeiro de 1825, D. João VI concedeu-lhe a mercê de comendador de Pinheiro Grande, na Ordem de Cristo (ANTT – M.R. – Livros das Comendas 155 A).

A presença destas insígnias no retrato não é porém compatível com a data vulgarmente atribuída à gravura – 1824 –, a menos que as mesmas tenham sido acrescentadas em data posterior a 31 de Janeiro de 1825, data da última das referidas mercês régias.

Os Condes de Subserra, e Maria Mância de Lemos Roxas Carvalho e Menezes, por Domenico Pellegrini (1759-1840), Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães

Preso, com sua mulher, por ordem de D. Miguel, em 14 de Junho de 1828, primeiro na fortaleza de S. Julião da Barra e depois na fortaleza do Bugio e na Torre de Belém, o general Pamplona e sua mulher acabaram por ser transferidos para o Forte da Graça em Julho de 1832, onde faleceu em 17 de Outubro desse ano (cf. Dom Marcus de Noronha da Costa, Cartas do 1º Conde de Subserra ao seu ajudante de campo José Soares de Albergaria Pereira, in «Armas e Troféus», Sep., Tomo I, Janeiro-Dezembro, 1996, pp. 132-143).

Contrariamente ao que por vezes é afirmado, o General Pamplona só foi agraciado com a Grã-Cruz da Real Ordem da Legião de Honra, por Luís XVIII, em Dezembro de 1823, ao mesmo tempo que o Conde de Palmela, na sequência dos acontecimentos da Vila Francada (cf. carta do visconde de Chateaubriand, Ministro dos Negócios Estrangeiros, publicada por Dom Marcus de Noronha da Costa, ibidem, pp. 119-120).

Bibliografia: José Vicente Pinheiro de Melo de Bragança. D. João VI e a Ordem da Torre e Espada (1808 – 1826), Lisboa, ed. do Autor, 2011; Paulo Jorge Estrela.Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009).

Armas da Família Linhares com Insígnia

Armas de Sousa Coutinho com insígnia de ordem

Revisto em 26 de Junho de 2012

Vários membros da Família Sousa Coutinho, mais tarde Condes de Linhares e com um ramo a quem foram conferidos os títulos de Conde e Marquês de Funchal, foram agraciados com comendas da Ordem de Cristo e outras condecorações.

Esta Família teve início com D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho – neto do 10º conde de Redondo e do Desembargador Doutor Roque Monteiro Paim, secretário de Estado e grande valido d’el-Rei D. Pedro II -, Sargento-Mor do Regimento de Dragões de Chaves, Governador-Geral e Capitão-General do Reino de Angola, Embaixador em Madrid e, Comendador da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Ana Luísa da Silva Teixeira Andrade.

Era irmão de D. Vicente Roque de Sousa Coutinho de Menezes Monteiro Paim – Enviado e Ministro Plenipotenciário em Turim e Embaixador em Paris – e, cunhado do Morgado de Mateus, D. Luís António de Sousa Botelho Mourão, (1722 – 1798), ambos comendadores da Ordem de Cristo.

O 1º Conde de Linhares e sua mulher D. Gabriella Azinari di San Marzano
Óleo sobre tela de António Domingos Sequeira. Col. Partiular

Seu filho primogénito D. Rodrigo Domingos de Sousa Coutinho, (1745 – 1812), 1º conde de Linhares (Decreto de 17 de Dezembro de 1808), exerceu importantes cargos como diplomata, Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário em Turim (1778-95), tendo depois sido chamado a Lisboa e nomeado Ministro e Secretário de Estado da Marinha e dos Negócios Ultramarinos (1795-1802), Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e Presidente do Real Erário (1801), e Secretário de Estado interino dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, em 1801, Inspector da Impressão Régia (1803) e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, no Rio de Janeiro. Foi comendador da Ordem de Cristo e Grã-Cruz das Ordens de Avis e da Torre e Espada.

O secundogénito, Principal D. José António de Menezes Coutinho – Principal Sousa, Diácono da Patriarcal, Doutor pela Universidade de Coimbra, atingiu notoriedade como membro do Conselho de Regência do Reino em 1808.

1º Conde e 1º Marquês do Funchal –
Miniatura em marfim, Autor desconhecido. 
Col. Particular

O filho terceiro foi D. Domingos António de Sousa Coutinho, 1º conde e marquês de Funchal, (1760 – 1833), Licenciado na antiga faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa, iniciou a sua carreira diplomática como Enviado e Ministro Plenipotenciário em Copenhaga (1788-95), e depois sucessivamente, em Turim (1796-1803), Embaixador em Londres (1803-1815) e posteriormente em Roma (1815-28). Convidado para integrar a Regência em 1819, recusou respeitosamente o cargo em carta fundamentada que dirigiu ao Príncipe-Regente e que constitui um notável documento de análise política sobre essa época conturbada. Elevado à Grandeza com o título de conde do Funchal, por Carta régia de 17-12-1808, seria elevado a marquês, pela rainha D. Maria II, em 1833. Em 1811, o Príncipe-Regente Dom João concede-lhe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

No final da sua missão em Londres teve ocasião de entregar as insígnias da Banda de Grã-Cruz das Três Ordens Militares ao Príncipe Regente da Grã-Bretanha, em representação do Príncipe Regente D. João, em cerimónia que teve lugar a 29 de Junho de 1815 . Na corte de St. James terá gozado de grande valimento junto do Príncipe Regente Jorge que o tratava afectuosamente por «my Souza», segundo o testemunho insuspeito de José Liberato Freire de Carvalho (1).

Com a aclamação do Infante D. Miguel suspendeu as suas funções de Embaixador junto da Santa Sé não reconhecendo o novo regime, considerando D. Miguel como Usurpador, face aos acordos anteriormente estabelecidos com D. Pedro, após a outorga da Carta Constitucional, e ratificados pelas potências.

O quarto filho foi o Almirante D. Francisco Maurício de Sousa Coutinho, Governador e Capitão-General do Grão-Pará (1790-1803), cavaleiro da Ordem de Malta [cf. Luis de Melo Vaz de São Paio. Indevida Admissão na Ordem de Malta, in «Filermo», vol. 3, 1994, pp. 83-100] e Grã-Cruz Honorário da Ordem de Torre e Espada, em 1812.

conde_de_linhares
2º conde de Linhares (1790-1857)

Na geração seguinte, dos filhos do 1º conde Linhares, o primogénito Brigadeiro D. Victório de Sousa Coutinho, 1790-1857, 2º Conde de Linhares, Ministro em Turim (1817) e Ministro da Marinha (1835) foi além de comendador da Ordem de Cristo, comendador efectivo da Ordem da Torre e Espada em 1820.

Outro filho D. Francisco Afonso Menezes Sousa Coutinho, (02.02.1796 + Paris 14.08.1834), Oficial da Armada Real, casou em 1824 com uma das ricas herdeiras brasileiras D. Guilhermina Adelaide Carneiro Leão, e viria a atingir notoriedade ao aderir à Independência do Brasil. Promovido a Capitão-de-Fragata da Marinha Imperial passou em seguida para o Estado-maior do Exército com a patente de Tenente-Coronel.

francisco_afonso_de_meneses_de_sousa_coutinho,_1º_marquês_de_maceió
1ºVisconde, 1º Marquês de Maceió (1796-1834)

Foi agraciado pelo Imperador D. Pedro I com o título de visconde de Maceió, com grandeza (1824) e dois anos depois elevado a Marquês. Grande do Império, exercia o cargo de Veador na corte imperial e exerceu o cargo de Ministro da Marinha (1827) e no ano seguinte nomeado Ministro plenipotenciário e Enviado Extraordinário à Corte de Viena em 1828, tendo acompanhado a Imperatriz ao Rio de Janeiro.

Foi cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro e comendador da Imperial Ordem de Cristo e da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha. As fontes brasileiras dão-no também como cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, mas não temos notícia desse agraciamento.

Como era hábito e largamente praticado na época pela primeira nobreza da Corte, vários membros da mesma Família usavam armas idênticas, sem qualquer diferença.

Daí a dificuldade de identificar a quem pertenceram as armas que a seguir reproduzimos: escudo esquartelado, no I-IV – as armas do Reino (em vez do esquartelado com as armas dos Sousas Chichorro) e, no II-III – Coutinhos. Coronel de Marquês e Timbre de Coutinho.

Fig. 1

Nas duas imagens que reproduzimos, pertencentes à colecção de um ilustríssimo descendente do 1º conde de Linhares, na primeira (fig. 1), as armas são encimadas por virol, coronel de marquês e timbre de Coutinho e, a segunda (Fig. 2), num escudo mais elaborado, com paquife, elmo de prata, cerrado, guarnecido de ouro, posto de frente, com virol e encimado por coronel de marquês e, timbre de Coutinho.

Fig. 2

Face ao coronel de marquês, as armas em questão tanto poderiam ser atribuídas ao 1º Marquês de Funchal, como a seu sobrinho o Marquês de Maceió. No entanto, em ambas as armas existe um elemento importante que poderá ajudar a resolver esta dúvida. Trata-se, com efeito, da insígnia de uma ordem de cavalaria pendente do escudo, em ambos os casos.

Numa primeira análise, pensámos poder tratar-se da insígnia de Cavaleiro da Ordem do Elefante, o que faria algum sentido já que o Conde do Funchal foi Enviado e Ministrio Plenipotenciário em Copenhaga, eventualmente atribuída pelo rei Cristiano VII, após a cessação das suas funções como diplomata na corte dinamarquesa.

Porém, não existindo nas fontes dinamarquesas consultadas qualquer confirmação sobre este agraciamento, o nosso estimado amigo e confrade – Paulo Estrela, admitiu a possibilidade de estarmos perante as insígnias da Imperial Ordem do Cruzeiro, fundada pelo Imperador D. Pedro I.

Assim, e na posse de uma foto ampliada dos escudos de armas, foi possível confirmar a hipótese colocada por Paulo Estrela, isto é, a insígnia pendente parece ser a da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Esta identificação reconduz-nos pois, ao marquês de Maceió, como sendo o provável detentor destas armas, atento o coronel de Marquês e a insígnia da Ordem Imperial do Cruzeiro, de que era cavaleiro.

Museu dos Valores do Banco Central do Brasil

_Notas:

(1.) cf. José Vicente de Bragança, El-Rei D. João VI e a Ordem da Torre e Espada (1808-1826),Lisboa, Ed. do Autor, 2011.

Fontes:
Costa (Subserra), Dom Marcus de Noronha da. D. Marcos de Noronha e Brito, 8º Conde dos Arcos (Elementos para uma Biografia), Lisboa, Academia Portuguesa da História, 2011
Coutinho, D. Fernando António de Sousa (Funchal), Uma Varonia Milenária, 2ª ed., Lisboa, 1958

Estrela, Paulo Jorge. Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2008
Funchal, Marquês do. O Conde de Linhares Dom Rodrigo Domingos António de Sousa Coutinho, Lisboa, 1908
Lima, Manuel de Oliveira. D. João VI no Brasil, 3ª ed., Rio de Janeiro, 1996
Barata, Carlos Eduardo & Bueno, A.H. Cunha. Dicionário das Famílias Brasileiras, II Tomos, Rio de Janeiro, Ed. Árvores da Terra, [1999-2001]

General Pedro Massano de Amorim

General Pedro Massano de Amorim 

(Fronteira, 14.01.1862 – Nova Goa, 2.06.1929)

Oficial de Artilharia, Governador e Administrador Colonial, Governador de Gaza (1896), Comandante Militar de Tete (1897), Comandante da Coluna Militar do Norte – Campanha do Bailundo (1902), Governador do Distrito de Moçambique (1906), Campanha de Pacificação de Angoche (1908-12), Comandante da Força Expedicionária a Moçambique – 1914, Governador de Angola (1916-18), Governador-geral de Moçambique (1918-19), Governador dos territórios de Manica e Sofala, da Companhia de Moçambique, Governador-geral de Moçambique (1923), Governador-Geral da Índia (1926).
Condecorações (n/exaustiva):
  1. Cavaleiro, Comendador e Grande-Oficial, com Palma, da Ordem Militar da Torre e Espada (1921)
  2. Medalha de Valor Militar, Ouro (1912)
  3. Oficial e Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis (1919)
  4. Oficial da Ordem da Sant’iago da Espada
  5. Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial, tit. póstumo (1932) cf. http://www.ordens.presidencia.pt/?idc=153&list=1
  6. Medalha da Rainha D. Amélia – «Bailundo», «Zambézia» e «Angoche»
  7. Medalha Comemorativa de Campanhas – «Cuanza-Sul 1917-18»
  8. Medalha da Vitória
  9. Comendador da Ordem do Império Britânico

Bibliog.:

Major de Infantaria Lourenço Ortigão Borges. A Guerra não Declarada – As campanhas militares portuguesas nos Teatros Africanos, 1914-1915 (Lição inaugural. Abertura Solene do Ano Letivo AM, 2014/2015) inhttp://www.emgfa.pt/documents/yncxk8j0qh5d.pdf
Marco Arrifes, A Primeira Grande Guerra na África Portuguesa. Angola e Moçambique (1914-1918), Lisboa,  Edições Cosmos. Instituto de Defesa Nacional, 2004
Marquez de Lavradio. Pedro Massano de Amorim, Col. «Pelo Império», Lisboa AGC, 1941

Pedro Massano de Amorim. A Occupação do districto de Moçambique, Bol. Da Soc. De Geografia de Lisboa, nº 5, 29ª s., Lisboa, Typ. Universal, 1911

Sir Rutherford Alcock, K.C.B., D.C.L., F.R.G.S. (1809 – 1897)

In previous articles dedicated to the bookplate of Doctor Sir Rutherford Alcock, the insignia from the ribbon around the Crest were wrongly identified[1].

The bookplate shows his Crest encircled by a ribbon with his motto, from which pend the insignia of three orders, initially thought to be those of the Orders of the Bath, Isabel, a Católica (Spain) and the Tower and of the Sword (Portugal) (F 274).

But, recent research led to a different conclusion.

Indeed, Dr. Rutherford Alcock was awarded the following decorations for services rendered during his time of service in Portugal, and in the British Legion, during the First Carlist War, in Spain:

  • Knight of the Military Order of the Tower and Sword, by a Decree of Queen D. Maria II, of May 30th1835 «…because since the battle of Ponte Ferreira, in most of the actions he took part, he behaved with gallantryhealing the wounded under fire and having been wounded in action at Lordelo, on the 25th July 1833».
    ·        Cross of 1st class of the Order of St. Ferdinando (Spain) date unknown, but surely between, 1839-42.
    ·         Knight of the Order of Isabella, the Catholic(Spain), by a Decree of the Regent General Espartero, of November, 19th 1842 and promoted a Knight Commander, circa 1843.

We also know that in November 6th, 1840, a Mixed Commission was appointed by the British and Portuguese Governments «…for the purpose of examining and deciding upon the claims of British subjects, who served in the Portuguese Army and Navy during the late war for the liberation of Portugal», Colonel J. Barreiros [2] and Rutherford Alcock being the Commissioners [3].

And the award of the Order of Christ, Knight Commander, by the Decree of August 2nd, 1844, must have been a consequence of the work of that Commission.

Strangely enough, Rutherford Alcock when later applying for permission to accept and wear his foreign decorations, did not include the Order of St. Ferdinand, nor the Order of Christ, and maybe that is the reason why they are never mentioned in his biographical notices.

Indeed, from the London Gazette (July 14th, 1857) we learn that Queen Victoria in July 14th, 1857, granted Rutherford Alcock her royal license and permission to accept and wear the Order of the Tower and Sword, the Supernumerary Cross of the Royal and Distinguished Order of Charles III and the Cross of Commander of the Royal Order of Isabel, the Catholic, the latter conferred for his services as Deputy Inspector-General of Hospitals of the late British Auxiliary Legion.

For his services in the Empire of Japan, first as Consul-General and from November 1859, also as HM’s Envoy Extraordinary and Minister Plenipotentiary[4] (1858-64), he was made a Knight Companion of the Order of the Bath in 1860, promoted a Knight Commander, in 1862.

So, the insignia pending from the crest in his bookplate must be:

  • the Cross of the Royal and Distinguished Order of Charles III;
  •  the Cross of Commander of the Royal Order of Isabel, the Catholic; and the
  • the Military Order of the Tower and Sword, all awarded before 1857.

And the absence of the insignia of the Order of the Bath allows us to date the bookplate from after 1843-1857 and before 1860-1862.

The bookplate is particularly interesting since there are few British members of Portuguese Orders, namely the order of the Tower and Sword (f. 1808 and reformed 1832) who proudly bore the order’s insignia in their armorial bearings[5]. Apparently, Doctor Alcock used another bookplate with the same Crest but with his initials, without orders pending, which therefore should have been made before he received the decorations above mentioned (F 273).

Special thanks are due to my dear friend Paulo Estrela, a keen researcher and author on Phaleristics, for letting me know the documents referring the award of the Portuguese and Spanish Orders to Doctor Rutherford Alcock.

Caparica, August 8th, 2017

______________________________

[1] Cf. José Vicente de Bragança, Insígnias de Ordens portuguesas na Heráldica Inglesa -Ex-Líbris, in «O Timbre», nº2, 2014, Lisboa, Academia Lusitana de Heráldica, pp. 33-34 and http://bookplate-jvarnoso.blogspot.pt/2006/11/sir-rutherford-alcocks-bookplate.html (reviewed July 14th, 2008).

[2] Joaquim António Velez Barreiros (1802-1865), Baron and Viscount of Nossa Sra. da Luz, later a General of the Portuguese Army, a highly decorated veteran of the Campaigns of the Civil War, and of the First Carlist War, as a member of the Auxiliary Division sent to Spain to fight against the Carlists.

[3] London Gazette, nº 19911, November, 6th, 1840.

[4] London Gazette, nº 22335, December 9th, 1859.

[5] José Vicente de Bragança, Insígnias de Ordens portuguesas na Heráldica Inglesa -Ex-Líbris, in «O Timbre», # 1, (2013), pp. 73-79 and #2, pp. 27-36, Lisboa, Academia Lusitana de Heráldica, 2013-2014.

Memórias do General Sir Lowry Cole, C TE

Maude Lowry Cole (ed.). MEMOIRS SIR LOWRY COLE, reprint of 1934 ed., Naval & Military Press, 2011

«General Galbraith Lowry Cole was commissioned a cornet in 1787, and served in the West Indies, Ireland, and Egypt. He served as brigadier general in Sicily and commanded the 1st Brigade at the Battle of Maida on the 4 July 1806. In 1808 he was promoted to major-general, to lieutenant-general in 1813 and full general in 1830. He was colonel of the 27th Foot, commanded the 4th Division in the Peninsular War under Wellington, and was wounded at the Battle of Albuera in which he played a decisive part. For having served with distinction in the battles of Maida, Albuhera, Salamanca, Vittoria, Pyrenees, Nivelle, Orthez and Toulouse, he received the Army Gold Cross with four clasps» (from the editor’s advert).

The then Lieutenant-General Sir Galbraith Lowry Cole was made a Knight Commander of the Order of the Tower and Sword (October, 12th, 1812) for his actions in the Peninsular War (cf. José Vicente de Bragança, King John VI and the Order of the Tower and Sword (1808-1826), Lisbon, 2011).

Lieutenant-General Sir Rowland Hill, 1º viscount Hill of Almaraz

hill
Joanna Hill. Wellington’s Right Hand: Rowland, Viscount Hill, The History Press Ltd, 2011
«One of the most unlikely soldiers of his day, General Rowland Hill, 1st Viscount Hill of Almarez was imaginative, brave – and perhaps more surprisingly for the period in which he lived and fought – compassionate towards those under his command. This is the compelling story of one of history’s forgotten heroes, a man who frequently led from the front in some of the deadliest battles of the Napoleonic Wars. Hill was given his own ‘detached’ corps and fought his way through Spain, Portugal and France, winning battles against the odds – such at St Pierre, where he defeated the redoubtable Marechal Soult when outnumbered two to one. When ministers at home asked that Hill be allowed to leave the Peninsula and lead an army elsewhere, Wellington dismissed the idea with ‘Would you cut off my right hand?’

Hill fought at Roliça, Corunna, Talavera, Bussaco, Almarez, Vitoria and Waterloo. He succeeded the Duke in 1828 as Commander-in-Chief of the forces and served as such until he resigned in 1842, a period marked by civil unrest that he reluctantly was obliged to confront. Based upon the Hill papers and a wide range of other primary sources, Wellington’s Right Hand is an important addition to the literature of the Napoleonic age and in particular to that of the Peninsular War.

Writer and historian Joanna Hill is the great, great, great niece of Rowland Hill and as such has gained unique access to the Hill family archives. In April 2005, she published her first book on the Hill family, The Hills of Hawkstone and Attingham; the Rise, Shine and Decline of a Shropshire Family» (from the Editor’s Synopsis)

Lieutenant-General Sir Rowland Hill, 1º viscount Hill of Almarez, Hawkestone and Hardwicke (1772- 1842) was one of the ablest Generals of the Peninsular War and second-in-command to Lord Wellington in the last period of the War. He first commanded a Brigade (Vimeiro and Oporto), having rapidly been promoted to Commander of the 2nd Division (Talavera and Buçaco) and as Commander of an Army Corps which included the 2nd and 4th Divisions, under the command of Lieutenant-Generals Sir William Stewart (Com TS) and Sir Galbraith Lowry Cole (Com TE), the Heavy Cavalry Brigade of Colonel De Grey, the Light Cavalry Brigade, under Lieutenant-General John Slade and 4 Portuguese Brigades.

In 1812 he was awarded the Order of the Tower and Sword, Knight Commander, whose Star he is wearing in the portrait above (cf. José Vicente de Bragança, King John VI and the Order of the Tower and Sword (1808-1826), Lisbon, 2011).

General Luís do Rego (1777-1840)

Luís_do_Rêgo_Barreto

General Luís do Rego Barreto (Viana do Castelo, 28 de outubro de 1777 — 7 de setembro de 1840), 1.º visconde de Geraz do Lima

Era Tenente de Infantaria no Regimento de Infantaria nº 9, aquando da I Invasão Francesa e após a dissolução do Exército pelo Marechal Junot, não querendo servir o invasor retirou-se para sua cas no Minho. O seu espírito patriótico levou-o a ser o primeiro a encabeçar a sublevação popular contra as tropas de ocupação francesas, em Viana do Castelo, em 19 de Junho de 1808, à semelhança do ocorrido no Porto, Bragança e Vila Real e, a seguir noutras cidades do Norte e do Centro e no Algarve. Às sublevações seguiu-se a criação de Juntas Provisionais de Governo e à aclamação do Príncipe-Regente Dom João.

Em 1808-1809 organizou o Batalhão de Caçadores nº 4, em Viseu, que fardou à sua custa e comandou até ao assalto a Ciudad Rodrigo (19 de Janeiro de 1812), tendo participado, entre outras acções, na batalha do Buçaco. Em Janeiro de 1812 assume o comando do Regimento de Infantaria nº 15, reorganizado em Vila Viçosa, que se distinguiu nas batalhas de Badajoz, de Salamanca (1812), Vitória, San Sebastian e Nive (em 1813). No assalto a Badajoz em 6 de Abril de 1812, o RI 15 foi a primeira força e entrar na cidade sob o comando do Coronel Luís do Rego Barreto, a quem o marechal Beresford chamou «o Bravo» e no assalto a San Sebastian cobriu-se de glória, apeando-se do cavalo, pegando na bandeira do Regimento e incitando os seus soldados a irromperam, sob fogo intenso, pela brecha nas defesas.

Em 1817 encontrava-se no Brasil onde comandou a Divisão que dirigindo-se a Pernambuco sufocou a rebelião republicana que aí tinha rebentado sendo nomeado Governador e Capitão-General de 1 de julho de 1817 a 5 de outubro de 1821. Em 1822, já General e de regresso ao reino foi nomeado Governador das Armas do Minho e no ano seguinte derrota, em Amarante, o General Silveira que havia liderado um levantamento absolutista.

«Com a Vilafrancada, que reinstitui o regime absolutista em Portugal, foi destituído e deportado para a Figueira da Foz, tendo sido reformado no ano seguinte. Reintegrado no exército durante a regência da infanta D. Isabel Maria, foi promovido a tenente-general em 1827. Preso durante o reinado de D. Miguel, conseguiu evadir-se para Espanha, regressando após a convenção de Évora-Monte. Nomeado vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar em 1834, foi nomeado novamente governador das armas do Minho durante o Setembrismo, que o nomeou senador por Viana do Castelo, durante a curta vigência da Constituição de 1838»[1].

O título de Visconde de Geraz de Lima foi-lhe concedido em 30 de Maio de 1835, no governo presidido pelo Marechal Saldanha.

Teve as seguintes condecorações:

Comendador da Ordem da Torre e Espada (1812)[2]

Comendador da Ordem Militar de Cristo[3]

Cruz de Condecoração da Guerra Peninsular, de Ouro, 6 campanhas (1820)[4]

Medalha de Comando da G.P. ‘7 acções’ (1820)[5]

[Buçaco / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nivelle / Nive]

Army Gold Cross ‘7’[6]

[Buçaco / Ciudad Rodrigo / Badajoz / Salamanca / Vitória / S. Sebastian / Nive]

Segundo o Coronel Ferreira de Lima (apud Paulo Estrela, 2009) este distinto oficial teria recebido uma raríssima distinção em 1808 – Medalha Individual de Gratidão – concedida pela Junta Provisional de Viana do Castelo, em nome do Príncipe-Regente D. João, pelos importantes serviços que havia feito no dia 19 de Junho, e que viria a ser confirmada pela Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em 7 de Julho de 1808.

Para Paulo Estrela, que se debruçou sobre este retrato, então na posse de José Maria Almarjão, descendente do General, pelas condecorações ostentadas o referido retrato deve ser anterior a 1820, já que não representa nenhuma das suas condecorações oficiais portuguesas da Guerra Peninsular[7].

E, ainda na esteira de Ferreira Lima, Paulo Estrela defende que a Cruz de ouro pendente do pescoço por uma corrente de igual metal deve representar a citada medalha de gratidão.

Assim, na pintura e para além desta, o General Rego Barreto ostenta a insígnia de pescoço e a placa da Ordem da Torre e Espada, a placa de Comendador da Ordem Militar de Cristo e uma pequena insígnia atípica da mesma ordem, e a prestigiadaArmy Gold Cross ‘7 acções’ – cruz e três passadeiras, concedida pelo Rei Jorge IV, do Reino Unido.

Bibliografia:

Elogio historico de Luiz do Rego Barreto, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1822

Flavio José Gomes Cabral. “Vozes públicas”: as ruas e os embates políticos em Pernambuco na crise do antigo regime português (1820-1821), in «Saeculum» – Revista de História (13); Universidade Estadual de Paraíba, João Pessoa, Jul. Dez. 2005, pp. 63-77.

Henrique de Campos Ferreira Lima. Medalhas individuais de gratidão portuguesas, Famalicão, Minerva, 1939

Luís do Rêgo Barreto. Memória justificativa sobre a conducta do Marechal de Campo Luiz do Rego Barreto, durante o tempo em que foi governador de Pernambuco e presidente da Junta Constitucional do governo da mesma província, Lisboa, Typ. Marques Leão, 1822

Paulo Jorge Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009

Notas:

[1] Cf. http://www.arqnet.pt/exercito/regobarreto.html.

[2] Cf. Paulo Estrela. Ordens e condecorações portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2009.

[3] Em 31.10.1815 foi-lhe concedida uma promessa de comenda e em 17.12.1815 uma tença de seiscentos mil reis no Cofre das Comendas vagas (Gazeta de Lisboa, nº 98, 25.4.1816). A mercê viria a concretizar-se em 2.09.1819 com a com o Alvará da Comenda de S. Salvador de Unhão, da Ordem Militar de Cristo (ANTT – Registo Geral de Mercês, D. João VI, liv.13, fl.358).

[4] Cf. Paulo Estrela, ibidem.

[5] Idem.

[6] Idem.

[7] Idem.

Bernardo Pindela, 1º Conde de Arnoso

General de Brigada Bernardo Pinheiro Correia de Melo
1º Conde de Arnoso
Nasceu na Casa do Proposto, em Guimarães, a 27 de Maio de 1855 e faleceu na Casa de Pindela (S. Tiago da Cruz, V. N. Famalicão), a 21 de Maio de 1911 e era filho secundogénito do 1º Visconde de Pindela – João Machado Pinheiro Corrêa de Melo e, de sua 2ª mulher D. Eulália Estelita de Freitas Rangel de Quadros. Era irmão de Vicente Pinheiro Lobo Machado de Melo e Almada, 2º visconde de Pindela.
Baptizado com o nome de Bernardo em memória de seu terceiro avô materno, pai do 1º visconde de Azenha, aos 7 anos (1862) vai estudar para Lisboa para o Colégio dos Inglezinhos[1] vivendo em casa dos Condes de Casal Ribeiro[2] amigos da família Pindela.
Cursou Matemáticas na Universidade de Coimbra, completando os seus estudos na Escola Politécnica e na Escola do Exército. Seguiu a carreira militar, na Arma de Engenharia, assentando praça em 7 de Novembro de 1871, promovido a Alferes, em 29 de Dezembro de 1877, a Tenente, em 14 de Janeiro de 1880, a Capitão, em 31 de Outubro de 1884, a Major, em 14 de Novembro de 1901 e a Tenente-Coronel do E.M., na mesma data. Passou à reforma no posto de General de Brigada em 27 de Fevereiro de 1908, logo após o Regicídio.
Entrou ao serviço do Paço como Oficial-Mor da Casa Real e Oficial às Ordens dos Reis D. Luiz I e D. Carlos I.
Casou duas vezes, a 1ª, a 16 de Julho de 1877, em Lisboa, com D. Maria José de Mello Abreu Soares Vasconcelos Brito Barbosa e Palha, n. a 9 de Julho de 1857 , em Lisboa e f. a 10 de Janeiro de 1882, em Lisboa; filha secundogénita dos 3ºs. Condes de Murça – D. José de Melo Abreu Soares de Vasconcelos Brito Barbosa e Palha e, de sua mulher, D. Ana de Sousa Coutinho Monteiro Paym; e a 2ª, em Lisboa, a 28 de Maio de 1890, com D. Matilde Munró dos Anjos, n. a 22 de Maio de 1874, em Lisboa e, f. no Lumiar em 1964, filha do Conselheiro Policarpo Pecquet Ferreira dos Anjos – Par-do-Reino, capitalista e comerciante e, de sua mulher D. Alice Munró, de origem irlandesa. De ambos os casamentos há descendência, sendo seu representante, o autor destas linhas.
Em 1887 foi designado para Secretário da Embaixada Extraordinária à Corte Imperial de Pequim chefiada pelo Conselheiro General Tomás Rosa tendo sido um dos subscritores do Tratado Luso-Chinês , assinado em Dezembro de 1887. No Celeste Império reinava o Imperador Guangxu, da dinastia Qing, sob a tutela de sua tia a toda-poderosa Imperatriz regente Cixi ou Tseu-Hi.
Por entre os afazeres da missão, houve tempo para visitar as termas do Imperador Qianlong, os túmulos Ming e a Grande Muralha e de anotar aspectos da vida pública e privada, as instituições políticas e o governo, usos e costumes, o cerimonial civil e religioso, a vida na Cidade Proibida, a arte, a literatura e a filosofia chinesas e a figura da Imperatriz viúva Cixi, que patrocinou uma política crescentemente conservadora e nacionalista, pondo fim às tentativas de reforma do reinado de seu marido, tentando em vão pôr cobro à cobiça das potências ocidentais.
Dessa longa viagem que o levou ao Egipto, Singapura, Macau, Hong Kong, Xangai, Tien-Tsin, Pequim, Japão e Estados Unidos, deixou-nos um relato das suas impressões, publicado parcialmente na «Revista de Portugal», fundada e dirigida por seu amigo Eça de Queirós (Lisboa, vol.1, Agosto de 1889) e, em volume sob o título «Jornadas pelo Mundo», publicado no Porto, pela Livraria Magalhães & Moniz, em 1895. «Jornadas pelo Mundo» constitui «indiscutivelmente um dos mais importantes testemunhos portugueses escritos sobre a China de finais do século XIX»[3] ou, «num dos mais genuínos livros de viagens à China» na opinião de Manuela Delgado Leão Ramos[4].
A visita ao extremo oriente fascinou Bernardo Pindela e dela trouxe várias peças de arte oriental, porcelanas, estatuária em madeira, e cabaias de seda, a mais famosa das quais foi a oferecida a seu dilecto amigo Eça de Queirós e que hoje se guarda na Fundação Eça de Queirós.

Os «Vencidos da Vida», na Casa da R. de S. Domingos

Fez parte do célebre grupo os “Vencidos da Vida” que se reuniam em ágapes que deram brado no Braganza e no Tavares ou, em sua casa, na à Lapa[5].
Sendo íntimo e dedicado amigo de Eça de Queirós, após a sua morte, apresentou, em 15 de Março de 1901, um projecto de lei na Câmara dos Pares, destinado a conceder uma pensão á viúva e filhos de Eça de Queiroz fazendo o elogio do escritor, dizendo designadamente:
«Se é certo que o Visconde de Almeida Garrett imprimiu á nossa lingua o sabor de um modernismo, que a revolucionou, escrevendo paginas de uma tal simplicidade, que conservam através do tempo toda a frescura de uma impressão primeira; se Alexandre Herculano nos legou, em paginas lapidares, mais do que uma litteratura, os fortes delineamentos da nossa historia, tão rica de feitos gloriosos; se Camillo Castello Branco deixou, em muitos dos seus livros, exemplos dos primores da nossa lingua, chegando muitos d’elles a attingir a feição clássica; se Oliveira Martins, a exemplo do que Garrett fizera na litteratura, revolucionou a nossa historia imprimindo-lhe, numa linguagem limpida, um forte sabor moderno: Eça de Queiroz, com vocabulario relativamente restricto, deu á lingua portuguesa uma tal maleabilidade que ella póde na sua mão, como a paleta mais rica, dar desde as cores mais quentes e vivas até aos tons mais esbatidos e delicados.»
Promoveu também a realização de um monumento que consagrasse a memória do grande escritor desaparecido – “A VERDADE”, esculpida por Teixeira Lopes e, que foi entregue à cidade de Lisboa em 9.XI.1903, na pessoa do então Presidente do Município – o conde de Ávila, tendo o conde de Arnoso evocado em cerimónia pública a memória do escritor e do amigo desaparecido.
Acompanhou D. Carlos I nas suas visitas a França, à Alemanha e a Espanha e fez parte da comitiva oficial na visita de estado à Grã-Bretanha por ocasião dos funerais de S. M. a Rainha Vitória e na visita oficial aos Açores e Madeira. Acompanhou também o Príncipe D. Luís Filipe a Londres para as cerimónias de coroação de Eduardo VII, rei da Grã-Bretanha.
Amigo fidelíssimo de D. Carlos e seu secretário particular desde a sua subida ao trono em1889, acompanhava com frequência el-rei nas suas deslocações a Vila Viçosa e a nas caçadas na Real Tapada de Mafra.
Casa de S. Bernardo, Cascais

Para estar mais perto do monarca durante as estadias da Família Real em Cascais, mandou construir (1894) uma casa de verão de traça tipicamente minhota junto ao mar – Casa de S. Bernardo, que hoje infelizmente já não está na posse da Família.
Em 1895, o rei D. Carlos I no dia do seu aniversário concedeu-lhe o título de Conde de Arnoso, em duas vidas tendo a 2ª vida verificado em seu filho primogénito – o 2º Tenente da Armada Real João Maria Rodrigo Pinheiro de Figueira e Melo, por Decreto de 1904.
Foi nomeado Par-do-Reino por Carta Régia, de 29 de Dezembro de 1900, tendo prestado juramento e tomado assento na Câmara dos Pares na sessão de 6 de Março de 1901.
Após o regicídio, e numa época de profunda crise de valores, política e socialmente conturbada, usou corajosamente a tribuna da Câmara dos Pares do Reino para clamar que fosse feita Justiça ao monarca e ao príncipe D. Luís Filipe assassinados no Terreiro do Paço, reverberando o governo pela complacência demonstrada na punição dos responsáveis pelo crime[6]. Desgostoso com a política e com os homens, retirou-se da vida pública após a proclamação da República, para a sua casa perto de Pindela onde viria a falecer no solar de seus maiores.
Num discurso na Câmara dos Pares proferido a 9 de Maio de 1908, definia-se deste modo: «A politica nunca me seduziu. Convidado, instado ha annos pelo ultimo, prestigioso, mallogrado chefe do partido regenerador, a assumir a gerencia da pasta dos Negocios Estrangeiros, numa situação a que ia presidir, terminantemente recusei tamanha honra, apesar das repetidas e demoradas instancias que me foram feitas».
Passou à história como exemplo de lealdade, de fidelidade e de nobreza de carácter.

Publicou as seguintes obras: “Azulejos”, com prefácio de Eça de Queirós, 1886; “De Braço Dado”, Lisboa, 1894, em colaboração com seu cunhado o Conde de Sabugosa; “O Talisman” (ilustrado por Casanova), Porto, 1897;”A Primeira Nuvem”, Lisboa, 1902, peça de teatro, representada em 1894; a peça “O Suave Milagre”, Lisboa, 1902, de colaboração com seu amigo, o diplomata Alberto de Oliveira – adaptação ao teatro do conto de Eça de Queirós, a qual subiu à cena no Teatro D. Maria II, em 28 de Dezembro de 1901, por ocasião da qual, S.M. el-Rei lhe ofereceu uma aguarela da sua autoria representando uma cena da peça; Elogio do Conde de Ficalho, in «Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa», 21.ª série, N.º 5, Maio de 1903; “Vila Viçosa”, Separata de “A Arte e a Natureza em Portugal”, Porto, 1904 e,”Justiça! – Sessão Parlamentar de 1909 (Discursos), 1ª ed., Lisboa, 1909.

Foto Ana Carla (Abril 1998)

A cidade de Guimarães onde nasceu prestou-lhe uma homenagem por iniciativa do Engº Duarte do Amaral, erguendo-lhe uma estátua, da autoria do escultor Joaquim Correia inaugurada em 1961, por sua filha D. Maria do Carmo, duquesa de Palmela e colocada no Largo da República do Brasil.
O município de Vila Nova de Famalicão, em 1 de Junho de 1995, também lhe prestou uma tocante homenagem colocando um busto em bronze, nos jardins da Biblioteca Municipal, descerrado por sua filha mais nova D. Teresa Pinheiro de Melo Magalhães, em cerimónia a que compareceram vários dos seus netos e bisnetos.
Em 2008, por iniciativa da Real Associação de Lisboa, foi descerrada uma lápide, na Rua do Arsenal em Lisboa, comemorativa do regicídio e, em que se evocou a figura do conde de Arnoso que na época havia sido apelidado pelos seus detractores como o «Conde da Lápide» por exigir a punição dos regicidas e dos seus instigadores e «…que na arcada do Terreiro do Paço, onde o horrendo crime se commetteu, uma lapide de marmore perpetue os nomes das martyrizadas victimas».

Diploma de Oficial da Ordem Militar de S. Bento de Aviz (1902) (BNP)

Possuía, entre outras, as seguintes condecorações: Comendador das Reais Ordens Militares de Aviz e de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa; Grã-Cruz de Affonso XII, do Mérito Militar e de Carlos III e Comendador de Número de Isabel, a Católica, de Espanha (1903); Grande-Oficial da Legião de Honra, de França (1905); Grã-Cruzes da Real Ordem de Victória (1903), da Grã-Bretanha; de São Estanislau, da Rússia; de Alberto de Saxe; de Francisco José, da Áustria; de Mecklemburgo; do Duplo Dragão, 3ª Divisão, 1ª Classe, da China (1887); Comendador da Coroa Real da Prússia (1895) e Cavaleiro de S. Maurício e S. Lázaro, da Itália.
No retrato acima, datado de 1886, veste uniforme militar e ostenta a placa de comendador de número da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha, e a insígnias de cavaleiro das Ordens de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e da Ordem de S. Maurício e S. Lázaro, de Itália.
_______________________
Notas
[1] Cf. Luís de Oliveira Guimarães, O Conde de Arnoso, Lisboa, Fundação da Casa de Bragança, 1958 e Debrett’s Peerage, Baronetage and Knightage, 1904 Printed by Dean & Son, London, 1904. O Prof. Amadeu Carvalho Homem (O Primeiro Conde de Arnoso e o seu tempo) e meu primo João Afonso Machado (O Morgadio de Pindela) referem por seu turno o Colégio Luso-Brasileiro, em Lisboa, à Rua de S. Felipe Néri.
[2] Foi 1º Conde de Casal Ribeiro – José M.ª Caldeira do Casal Ribeiro (1825-1896), dedicou-se ao jornalismo fundando em Lisboa o jornal A Civilização. Partidário da Regeneração foi eleito deputado em 1850, foi Ministro da Fazenda em 1859, e, em 1860, dos Negócios Estrangeiros e, mais tarde, das Obras Públicas. O Marquês de Loulé nomeou-o Ministro em Paris cargo em que se manteve até 19-5-1870. Desempenhou o cargo de Ministro em Madrid no qual viria a morrer. Foi casado com D. M.ª da Conceição Quintela Emauz. Foi Conselheiro de Estado efectivo, Par-do-Reino (1865), sócio da Academia Real das Ciências e da Academia de História de Madrid. Seu filho varão primogénito, José Frederico do Casal Ribeiro que, nasceu em Lisboa, em 28 de Abril de 1851 e, morreu em 31 de Julho de 1907, foi educado com o Conde de Arnoso.
[3] Os Portugueses e o Oriente: Sião, China, Japão (1840-1940): Mostra bibliográfica, 4 de novembro de 2004 – 29 de Janeiro de 2005. – Lisboa: BN, 2004, p. 89
[4] Manuela Delgado Leão Ramos, António Feijó e Camilo Pessanha no Panorama do Orientalismo Português, Lisboa, Fundação Oriente, 2001
[5] Em carta de Salamanca e Paris, de 1899, dirigida ao Conde de Arnoso, Eça de Queirós referia-se assim a um desses repastos: «Essa adorável casa de S. Domingos à Lapa, apesar do seu santo nome, era a diabólica Ilha dos Lotófagos, onde, depois de comer a flor de Loto (ponhamos o bacalhau assado) a gente tudo esquecia envolta em beatitude. Em torno de mim boiavam Sereias».
[6] Cf. M. Castro Henriques, O Culto dos Regicidas
Bibliografia:
Alberto Pereira d’Almeida, Álbum dos Vencidos, ed. do Autor, Lisboa, 1912-1914, artigo sobre o Conde de Arnoso, pp. 30-36. Alfredo Gomes Dias, Conde De Arnoso: Diplomata e Orientalista, Comunicação, na integrada no Ciclo de Conferências promovido pela Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, Gentes da Terra, V. N. de Famalicão (Casa Pindela, 13 de Maio de 2005) Amadeu Carvalho Homem, O Primeiro Conde de Arnoso e o seu tempo, V. N. de Famalicão, Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, 1998 António Rodrigues Cavalheiro, Cartas de Mouzinho de Albuquerque ao Conde de Arnoso, prefácio, Lisboa, 1957; reproduzido sob o título «Três Grandes Sombras», in “Política e História”, Livraria Sam Carlos, Lisboa 1960; Augusto de Castro, O Conde de Arnoso, conferência na Sociedade Martins Sarmento em 29 de Abril de 1961, sep. da «Revista de Guimarães», vol. LXXI, nos. 1-2, Guimarães, 1961; Caetano Alberto, O Monumento a Eça de Queirós, in «Almanach Illustrado do Occidente para 1905», pp. 58-59, cit. por João Medina, ob. cit. pp. XXVII Carlos Pinto dos Santos & Orlando Neves, De longe à China: Macau na historiografia e na literatura portuguesas, Instituto Cultural de Macau, 1996 Eça de Queirós, – Correspondência, leit., pref. e notas de Guilherme de Castilho. Lisboa: IN-CM, 1983 Eça de Queiroz, Correspondência, organização e notas de A. Campos Matos (2 volumes, ed. Caminho, 2008) Eugênio de Andrea da Cunha e Freitas, O Conselheiro Camelo Lampreia, Diplomata, um Espólio Valioso, in Actas do Colóquio «A Diplomacia na História de Portugal», Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1990, pp. 311-332 F. A. de Oliveira Martins, D. Carlos I e os «Vencidos da Vida», Parceria Antº M.ª Pereira, 2ª ed., Lisboa, 1942 Jaime Lopes Dias, Cartas do Conde de Arnoso, in «Estudos de Castelo Branco», nº 10, 1963, pp. 72-82
João Afonso Machado, Minhotos, Diplomatas e Amigos – A correspondência (1886-1916) entre o 2º Visconde de Pindela e António Feijó, Linda-a-Velha, DG Edições, 2007 João Afonso Machado, O Morgadio de Pindela, Porto, Ed. do Autor, 1999, pp. 121-132 Júlio de Sousa e Costa, O Rei D. Carlos I – Factos Inéditos do seu tempo (1863-1908), Livraria Bertrand, Lisboa, 1943 Luís de Oliveira Guimarães, O Conde de Arnoso, Lisboa, Fundação da Casa de Bragança, 1958; Luiz Vieira de Castro, D. Carlos I, (Elementos de história diplomática), 2ª ed. Lisboa, Ed. Império, 1941; Manuel Teixeira, Macau visto pelo Conde de Arnoso, in “Revista de Cultura”, Macau, 2 (7-8) Out. 1988-Mar. 1989, p. 63-78 Manuel da Silva Gaio & Joaquim de Carvalho, Os vencidos da vida, Imprensa da Universidade, 1931 Maria Filomena Mónica, Eça de Queiroz, Lisboa, Quetzal Editores, 2001, Maria José Marinho, Espólio do Conde de Arnoso [BN Esp. 32]: inventário. Lisboa: Biblioteca Nacional, 2005 Os Vencidos da Vida – Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Carlos Lobo d’Ávila & Outros, Lisboa -Fronteira do Caos, 2006 Raquel Henriques da Silva, Cascais, Editorial Presença, Lisboa, 1988 Ricardo A. Alves, Eça e os Vencidos da Vida em Cascais, Câmara Municipal, 1988 Rui Ramos, D. Carlos, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006 Rui Ramos, A Segunda Fundação (1890-1926), in «História de Portugal» dir. por José Mattoso, Vol. VI, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994, com destaque para «A Vida Nova» pp. 125-299 Rui Ramos, João Franco: uma educação liberal (1884-1897), in «Análise Social», vol XXXVI, /160’), 2001, pp. 735-766 VVAA, Conversas no Turf em torno de Os Vencidos da Vida, Lisboa, Tribuna da História, 2008